Aviso de spoiler: Em Meu Nome é Farah, Behnam Azadi é confirmado como pai biológico de Kerimşah. O vínculo vem de antes do início da trama: Farah e Behnam tiveram um relacionamento no Irã, e o menino nasceu dessa história.
O problema é que a série não trata esse parentesco como algo simples. Behnam reaparece anos depois disposto a controlar a vida de Farah e a usar a paternidade biológica como instrumento de poder, não como afeto. É por isso que boa parte do público confunde quem realmente ocupa o lugar de pai de Kerimşah dentro da trama.
A diferença entre vínculo biológico e vínculo afetivo

Meu Nome é Farah constrói a história separando duas figuras que, na cabeça do espectador, deveriam ser a mesma pessoa. De um lado está Behnam, o pai de sangue. Do outro está Tahir Lekesiz, o homem que efetivamente cria o menino.
Tahir entra na vida de Farah e do filho como alguém encarregado de vigiá-los, mas essa função muda rápido. Ele acompanha o tratamento de saúde de Kerimşah, protege os dois de ameaças reais e vira, na prática, a referência paterna da criança muito antes de qualquer revelação sobre Behnam.
Essa separação não é acidental. A série usa o contraste entre os dois homens para mostrar que exercer a paternidade é uma ação diária, não um resultado de exame de DNA.
Quem é Behnam Azadi e o que ele busca ao voltar para Farah
Behnam é herdeiro único de uma família poderosa de Teerã e assume os negócios ilegais do clã depois da morte de Ali Galip. Quando volta a se aproximar de Farah, o movimento não nasce de arrependimento: nasce de obsessão e da vontade de controlar tudo o que envolve o menino.
Ao descobrir que Kerimşah é seu filho, ele não age como alguém preocupado com o bem-estar da criança. Behnam tenta transformar o parentesco em moeda de troca e chega a se apresentar como o responsável pela recuperação do menino, construindo essa aproximação em cima de mentiras.
Como termina a disputa pela guarda de Kerimşah
Aviso de spoiler: a partir daqui, o texto trata do desfecho dessa disputa. Quando assume o controle da vida de Farah, Behnam tenta ficar com o menino de vez, chegando a planejar levá-lo para o Irã. Para conquistar a confiança de Kerimşah, se coloca como o herói que teria salvado sua vida durante o tratamento.
A virada acontece quando Farah e Tahir descobrem que Behnam não foi, de fato, o doador responsável pela recuperação do filho. A mentira cai por terra, e o casal passa a agir para impedir que ele leve o menino.
No fim, é o próprio Kerimşah quem rejeita o comportamento de Behnam e escolhe ficar ao lado da mãe e de Tahir. O vínculo de sangue continua existindo, mas não é ele que decide o desfecho emocional da história.
O paralelo com a paternidade socioafetiva fora da ficção
A trama de Meu Nome é Farah espelha uma discussão que também existe no mundo real. No Brasil, a lei já reconhece que o vínculo de pai não se limita à biologia: é possível registrar como pai quem efetivamente cria a criança, mesmo sem ligação de sangue, através da chamada paternidade socioafetiva.
Segundo a Exame, essa mudança de registro pode incluir a retirada do nome do pai biológico da certidão de nascimento em determinados processos judiciais, justamente quando a criação e o cuidado diário partem de outra pessoa. É o mesmo raciocínio que a série usa para justificar por que Tahir, e não Behnam, é tratado como pai por Kerimşah.
No encerramento da história, Farah anuncia uma nova gravidez, e esse segundo filho é fruto da relação dela com Tahir, sem qualquer disputa de paternidade envolvida. Meu Nome é Farah está disponível na Netflix.



