Após conquistar o Oscar por Oppenheimer, Cillian Murphy retorna às telas em um papel que promete testar seus limites. Steve, o novo e intenso drama que acaba de chegar à Netflix, é um mergulho na mente de um homem no ponto de ruptura.
Dirigido por Tim Mielants, parceiro de Murphy em Peaky Blinders, Steve se desenrola ao longo de um único e decisivo dia. É uma obra que troca a grandiosidade de um épico histórico pela crueza de um retrato psicológico.
A história de Steve
A narrativa, com 1 hora e 33 minutos, apresenta nosso protagonista (Cillian Murphy). Ele é o diretor de um reformatório para jovens problemáticos na Inglaterra dos anos 90.
A instituição está sob ameaça de fechamento, e a pressão do trabalho consome sua saúde mental. O filme acompanha Steve, durante um dia crucial, enquanto ele luta para manter a escola de pé e suas próprias barreiras psicológicas começam a ruir.
O roteiro intercala sua jornada com a de Shy (Jay Lycurgo), um dos alunos mais difíceis da escola. Shy é um jovem que vive em guerra consigo mesmo, cujos impulsos de violência colidem com uma vulnerabilidade profunda. Ao longo dessas 24 horas, os destinos do diretor e do aluno se entrelaçam de forma inesperada e explosiva.
Um Estudo de Personagem sobre a Empatia e o Esgotamento
O que eleva Steve para além de um simples drama é sua abordagem focada e intensa. A decisão de confinar a narrativa a um único dia cria uma sensação de urgência sufocante, que espelha o estado mental do protagonista.
Lembra o cinema de John Cassavetes, onde a câmera parece mais interessada na alma rachada dos personagens do que na trama em si.
A obra é um veículo para uma performance monumental de Cillian Murphy. Longe da figura imponente de Thomas Shelby ou J. Robert Oppenheimer, ele constrói aqui um homem comum, esgotado pela empatia.
Vemos o peso do mundo em seus ombros caídos e na sua incapacidade de salvar a todos, inclusive a si mesmo. A estrutura paralela, que nos mostra o dia de Steve e o de Shy, é o grande trunfo do roteiro de Max Porter, criando uma rima poética e trágica entre o cuidador e o cuidado.
O elenco e a produção

A direção do longa-metragem é de Tim Mielants. O roteiro é do aclamado autor Max Porter, que adapta sua própria obra, Shy. A produção britânica é estrelada pelo vencedor do Oscar Cillian Murphy. O elenco conta ainda com o jovem Jay Lycurgo (Titãs) e a premiada Emily Watson (Chernobyl).
O que torna o filme uma recomendação essencial é a sua coragem de ser um drama de personagem puro e duro. É uma obra para quem aprecia atuações de peso e uma história que confia no poder da observação, e não da ação, para criar impacto.
No final, Steve não oferece respostas fáceis. É um filme sobre o fardo de se importar demais em um mundo que parece não se importar o suficiente. Veja agora na Netflix.
Para não perder nenhuma das principais dicas de filmes e séries, siga o TaNoStreaming no INSTAGRAM e no FACEBOOK.



