Dias depois de Supergirl estrear nos cinemas, em 26 de junho de 2026, os executivos do DCU foram ao New York Times falar pela primeira vez sobre o backlash que cercou a escalação de Milly Alcock no papel de Kara. A declaração, reproduzida pelo ComicBook.com, não é um discurso de apoio formal à atriz, mas deixa claro onde o estúdio se posiciona.
O que chama atenção não é apenas o conteúdo da fala, mas o que ela revela sobre a expectativa interna do DCU antes do lançamento. O estúdio aparentemente não previa que as críticas pessoais chegariam com tanta força, e admitir isso publicamente tem um peso específico num momento em que o filme ainda está em cartaz.
Surpresa com a ferocidade, não só com as críticas

Segundo o New York Times, as pessoas por trás do DCU disseram estar “surpresas tanto com a ferocidade do backlash quanto com seu alcance”. O texto também indica que elas “acreditavam que a cultura havia evoluído além desse tipo de campanha”.
É uma declaração duplamente reveladora. Primeiro, porque confirma que o estúdio monitorou e levou a sério as críticas. Segundo, porque a escolha da palavra “ferocidade” não é casual: ela separa a discussão legítima sobre o filme da campanha pessoal contra a atriz.
Milly Alcock já havia falado publicamente sobre a natureza dos ataques, que incluíam comentários sobre sua aparência física e sua capacidade de interpretar um ícone da DC. A resposta dos executivos, mesmo que indireta, reconhece que esse tipo de crítica existiu e que o estúdio não ficou alheio a ela.
“Surpresos tanto com a ferocidade do backlash quanto com seu alcance.”
Executivos do DCU, em entrevista ao The New York Times — em tradução livre
A atriz em um filme que dividiu, mas não por causa dela
Há uma ironia clara no caso de Supergirl: a atuação de Milly Alcock está entre os aspectos mais elogiados do filme. Quem assistiu e gostou, em geral gostou dela. As críticas mais duras se concentraram no roteiro, escrito por Ana Nogueira, e nas sequências de ação, dirigidas por Craig Gillespie.
Isso cria uma separação bastante nítida: enquanto o produto como um todo divide opiniões, a performance da atriz no centro da história não é o problema apontado pela crítica especializada. O backlash que ela enfrentou veio de outro lugar, e com outra natureza.
O filme é apenas o segundo lançamento do novo DCU supervisionado por James Gunn e Peter Safran como co-presidentes da DC Studios. Colocar uma heroína solo tão cedo no calendário da franquia foi uma escolha deliberada, e a recepção ao personagem vai pesar nas decisões seguintes sobre onde Kara aparece nos próximos projetos.
O que o posicionamento do DCU significa para Supergirl daqui pra frente
A declaração ao New York Times não muda a bilheteria nem resolve as críticas ao roteiro. Mas ela estabelece, de forma pública, que o estúdio entende a diferença entre debate sobre uma obra e ataque pessoal a quem a protagoniza.
Para o futuro de Kara no DCU, o sinal mais relevante não vem dessa nota de bastidor, mas da própria recepção à atuação de Alcock. Se a performance é o ponto forte de um filme que enfrenta comparações difíceis no histórico de super-heroínas no cinema, o estúdio tem razão em não deixar que o ruído externo defina o legado da personagem antes que ela apareça novamente.
Fonte principal: The New York Times (via ComicBook.com). Informações complementares: Variety.



