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    Supergirl repete a pior tendência dos filmes de super-heroínas

    Matheus AmorimBy Matheus Amorimjunho 29, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Milly Alcock como Supergirl enfrenta Matthias Schoenaerts como Krem
    Cena de confronto entre Kara Zor-El e o vilão Krem. (Reprodução / Marvel Studios)
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    Supergirl estreou nos cinemas brasileiros em 25 de junho de 2026 com Milly Alcock numa performance que muita gente elogiou. O problema não é a atriz. É uma decisão de roteiro que acontece antes de ela sequer entrar em cena: a reescrita do vilão Krem.

    Na história em quadrinhos Supergirl: Woman of Tomorrow, Krem de Yellow Hills lidera os Brigands, piratas intergalácticos responsáveis por genocídio e outras atrocidades. No filme dirigido por Craig Gillespie, ele vira traficante de meninas — sequestradas para serem “noivas” do grupo. É uma mudança que carrega um peso que a HQ nunca exigiu, e que coloca Supergirl num padrão que o gênero já deveria ter questionado há mais tempo.

    O que muda quando o vilão vira traficante

    Milly Alcock como Supergirl com expressão de raiva e determinação
    Expressão intensa de Supergirl diante das atrocidades. (Reprodução / Marvel Studios)

    Krem, vivido por Matthias Schoenaerts, enfrenta Kara Zor-El depois de envenenar Krypto e assassinar a família de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley) na sua frente. Isso já bastaria para construir um antagonista odiável. Mas o roteiro escrito por Ana Nogueira foi além: transformou os Brigands num grupo que mantém garotas em jaulas para fins reprodutivos forçados.

    Segundo análise publicada pelo Screen Rant, essa alteração introduz temas de exploração sexual completamente ausentes da HQ original. E o que incomoda não é apenas o conteúdo em si — é que o filme não mergulha nesse horror de forma significativa. Krem poderia ser um assassino comum e o resultado narrativo seria quase idêntico. A tragédia de Ruthye continua a mesma. O arco de Kara continua o mesmo. O acréscimo existe, mas não serve à história.

    Supergirl não é a primeira super-heroína nessa armadilha

    A comparação com Black Widow (MCU, 2021) é inevitável. O filme de Natasha Romanoff também estruturou seu conflito central em torno de tráfico humano e controle forçado de mulheres. Há uma diferença importante: o trauma das Viúvas Negras é parte intrínseca da mitologia do personagem, não uma adição posterior. Mesmo assim, segundo a análise do Screen Rant, o próprio Black Widow podia ter contado uma história diferente — e escolheu não fazer isso.

    O caso mais extremo do gênero continua sendo Jessica Jones, série da Marvel que colocou violência sexual como eixo central da narrativa. Havia intenção autoral clara ali, voltada a um público adulto, com a brutalidade tratada de forma deliberada. Supergirl, um blockbuster de verão com classificação PG-13, propõe lidar com o mesmo tema sem o mesmo compromisso. O resultado fica no meio do caminho — pesado o suficiente para incomodar, mas tratado de forma superficial demais para ter peso real.

    “Uma mãe deveria poder levar a filha para ver uma super-heroína sem precisar assistir crianças sendo submetidas ao tráfico sexual.”

    Allison Hambrick, Screen Rant (em tradução livre)

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    O que Supergirl poderia ter sido com Milly Alcock

    A HQ original conta uma história sobre superação do luto, sororidade e escolhas morais — sem precisar do componente de violência sexual. O filme chega perto disso. Alcock entrega uma Kara com vulnerabilidade e força, e a dinâmica com Ruthye funciona bem na maior parte do tempo.

    Mas o roteiro não confia que uma heroína possa ser suficientemente heroica sem um vilão construído sobre exploração de mulheres. Assassinato, envenenamento de um cachorro, genocídio intergaláctico — nada disso era pouco. A escolha de acrescentar o tráfico de meninas não torna Krem mais interessante; torna o filme mais pesado sem oferecer nada em troca narrativamente.

    Fica a pergunta que a análise do Screen Rant deixa no ar: se o protagonista fosse Superman, o roteiro teria feito a mesma mudança em Krem?

    O padrão que Supergirl repete e o que isso diz sobre o gênero de super-heróis

    Não há confirmação oficial sobre os motivos criativos por trás da escolha de Ana Nogueira. O que existe é um padrão identificável: filmes liderados por mulheres no gênero de super-heróis tendem a estruturar o conflito em torno de violência ou exploração direcionada a mulheres de uma forma que seus equivalentes masculinos raramente precisam enfrentar.

    Isso não torna Supergirl um desastre — as críticas são mistas, e a atuação de Alcock está acima do roteiro em vários momentos. Mas é uma oportunidade perdida. O DCU tinha em mãos uma história que funcionava sem essa camada. Escolheu não usá-la.

    Fonte: screenrant.com

    DC Studios filmes de super-herois Matthias Schoenaerts Milly Alcock Supergirl
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    Matheus Amorim
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    Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

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