A segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar na Netflix estreou em 25 de junho de 2026 com uma missão clara: fazer o que a primeira temporada não conseguiu. Equilibrar o lado lúdico da história com o peso real de tudo que aconteceu nesse mundo destruído pela guerra. E o quarto episódio entrega talvez o momento mais incômodo da série até agora — protagonizado pelo personagem que todo mundo adora.
O Tio Iroh de Paul Sun-Hyung Lee passa a temporada carregando algo que a versão animada deixava nas entrelinhas. A série live-action decidiu tornar isso visível, literal e difícil de ignorar.
As marcas que Iroh deixou em Ba Sing Se
No episódio 4, intitulado The Water Falls, the Stones Emerge, Iroh caminha pelas ruas da capital do Reino da Terra quando é interceptado por uma multidão em protesto. Uma mulher discursa pedindo que os mortos do Cerco de Ba Sing Se não sejam esquecidos — e cita diretamente as atrocidades cometidas pelo General Iroh, o Dragão do Oeste.
A cena não poupa o personagem. Enquanto a manifestante usa terra-dança para gravar os nomes das vítimas na muralha gigante que cerca a cidade, a câmera vai até o rosto de Iroh. Ele olha ao redor e percebe: boa parte das pessoas que passam por ali carrega marcas de queimadura no rosto. O resultado físico das suas “conquistas” como general.
É uma escolha de roteiro precisa. Não é narração, não é flashback — é o peso da história inscrito nos corpos de quem sobreviveu.
Jeong Jeong chama Iroh pelo que ele foi
Mais adiante na temporada, Iroh busca ajuda na Ordem do Lótus Branco e encontra Jeong Jeong, interpretado por Terry Chen. Ex-soldado da Nação do Fogo, Jeong não tem nenhuma deferência pelo passado glorioso de Iroh.
“Você ordenou a queimadura de civis que se recusaram a se curvar diante da glória da Nação do Fogo.”
Jeong Jeong para Iroh, em Avatar: O Último Mestre do Ar — 2ª temporada (em tradução livre)
Ele chama Iroh de monstro. Sem rodeios, sem espaço para a narrativa da redenção que o público já conhece. É o contraponto exato da imagem do sábio bem-humorado que a franquia construiu ao longo dos anos.

O que a versão live-action faz diferente do anime
No desenho original, o passado de Iroh em Ba Sing Se também aparece — mas como informação, não como confronto direto. A série menciona suas campanhas, o exército que comandou, o medo que causava no Reino da Terra. O público sabe que ele foi brutal. Só que raramente sente isso.
A produção live-action não tem as mesmas restrições de um desenho infantil da Nickelodeon. Não precisa calibrar o quanto de violência e culpa pode mostrar para uma audiência infantil. E esse espaço faz diferença no arco de Iroh.
Sabemos que algo mudou nele quando a guerra custou a vida do único filho. Mas ver a reação emocional do personagem diante das próprias vítimas — e não apenas ouvir sobre ela — transforma a redenção de algo que aceitamos em algo que entendemos de verdade.
É o tipo de escolha que justifica a existência de uma adaptação. Não repetir o original, mas explorar o que ele deixou implícito.
O arco de Iroh na 2ª temporada de Avatar é o ponto mais forte da série até agora
A segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar ainda está disponível na Netflix, com todos os episódios lançados de uma vez. Para quem acompanhou a primeira temporada com ressalvas, esse arco específico é o argumento mais forte de que a série encontrou um equilíbrio melhor entre os dois lados da história que precisa contar.
Fonte principal: slashfilm.com. Informações complementares: Netflix


