O quarto episódio da segunda temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar na Netflix coloca Katara e Zuko defendendo o mesmo acampamento de refugiados em Ba Sing Se — sem que nenhum dos dois saiba que o outro está lá. É a cena mais bem construída da temporada até agora, e o episódio ao redor dela sustenta o peso com uma consistência que a série ainda estava buscando nos episódios anteriores.
Resumo rápido
- A 2ª temporada de Avatar: O Último Mestre do Ar estreou na Netflix em 25 de junho de 2026.
- No episódio 4, Katara opera como a Painted Lady à noite; Zuko age como o Blue Spirit sem saber que ela está presente.
- Long Feng é revelado como chefe da Dai Li — ele controla o que o Rei da Terra sabe, e efetivamente domina a cidade.
- Azula captura Suki, toma os uniformes das Guerreiras Kyoshi e entra em Ba Sing Se disfarçada com Mai e Ty Lee.
- Nota do episódio: A-
O que acontece no episódio 4 da 2ª temporada
A abertura do episódio funciona como uma atualização de status para vários personagens ao mesmo tempo. Aang (Gordon Cormier) treina com Toph (Miya Cech) todas as manhãs — lições que empurram ele para a sutileza, sentir o mundo por vibração em vez de linha de visão. Ela o venda para forçar isso. O progresso é lento e deliberado, o que é exatamente o ponto.
Sokka (Ian Ousley) cruza com o Professor Zei e ouve, quase de passagem, que pessoas que fazem perguntas difíceis em Ba Sing Se costumam desaparecer — levadas pela Dai Li. As peças não são difíceis de juntar, e o episódio não força nenhuma revelação antes da hora.
Long Feng diz a Aang que Sai foi preso por ter conexões com espiões da Nação do Fogo em Omashu. É uma meia-verdade calculada para segurar Aang. A virada acontece quando a General Sung procura Aang diretamente e confirma o que o público já suspeitava: Long Feng é o chefe da Dai Li, controla o que o Rei da Terra sabe e, na prática, governa a cidade a partir das sombras.
Quando Aang confronta Long Feng, não há confissão. Só desvio. E então aparece uma Joo Dee diferente — idêntica em maneira e falas à primeira. A série não explica isso, e a ausência de explicação é, ela mesma, um sinal de quanto Ba Sing Se esconde.

Toph, Sokka e o que a cena de haiku está fazendo ali
Toph também sai à noite. Katara sabe, mas não pressiona. Sokka a segue e a encontra numa noite de haiku no Anel Inferior — um detalhe pequeno e muito bem escolhido: Toph gravita naturalmente para algo que recompensa ouvir em vez de ver.
Os dois trocam versos na frente de uma plateia animada. É a cena mais leve do episódio, e ela ganha o direito de existir porque não suaviza o que vem depois. No escuro do lado de fora, Toph revela que está sendo chantageada por um homem chamado Lau Wong, que tem documentos provando que a família Beifong vendeu materiais para uma fábrica de armas da Nação do Fogo. Ela comprou os documentos para encobrir o caso. Sokka promete guardar segredo.
É uma informação que muda o que sabemos sobre o passado de Toph — e sobre o peso que ela carrega sozinha desde antes de aparecer na série. O roteiro tem o bom senso de entregar isso numa conversa curta, sem drama excessivo.
A cena do Blue Spirit e da Painted Lady
O fio mais importante do episódio envolve a comunidade de refugiados da Nação do Fogo no Anel Inferior. Jet tenta recrutar Zuko (Dallas Liu) para atacar o acampamento, culpando os refugiados por um incêndio no bairro. Zuko recusa e vai avisar o líder da comunidade, um ex-oficial chamado Jeong Jeong que abandonou o exército para não continuar mandando homens para a morte.
À noite, quando Jet lidera uma turba até o acampamento, tanto Zuko quanto Katara (Kiawentiio) estão lá. Ele como o Blue Spirit. Ela como a Painted Lady. Nenhum dos dois sabe da presença do outro.
A série simplesmente deixa os dois ali juntos e confia que o espectador vai sentir a textura daquilo. Segundo a Netflix Tudum, os showrunners Christine Boylan e Jabbar Raisani descreveram o encontro como algo que se tornou necessário pela temática que os dois personagens compartilham — identidades secretas usadas para ajudar quem eles não têm nenhuma obrigação formal de proteger.
“Não era uma escolha óbvia, mas se tornou uma escolha necessária.”
Jabbar Raisani, em entrevista ao Netflix Tudum (em tradução livre)
Jeong Jeong tem uma cena e ela funciona. Um ex-oficial da Nação do Fogo que largou tudo e foi morar na cidade para a qual fugiu — é um personagem com história antes mesmo de abrir a boca.

Iroh e o aniversário de Lu Ten
Iroh carrega algo específico neste episódio: é o aniversário da morte de Lu Ten, e o peso disso aparece em todas as suas cenas sem precisar ser nomeado o tempo todo.
Quando ele encontra um homem no Anel Inferior que está perto de fazer algo irreversível, Iroh senta ao lado. Oferece chá. Menciona que há trabalho na loja. É um gesto pequeno e completamente certo. Paul Sun-Hyung Lee faz mais com uma xícara de chá do que muitos atores fariam com monólogos inteiros.
O episódio trata essa cena com a contenção que ela pede, sem inflar a emoção. É o acerto mais silencioso do episódio — e também o mais difícil de executar.
Azula entra em Ba Sing Se como Guerreira Kyoshi
Do lado de fora das muralhas, Suki está rastreando o acampamento do General Tran quando é capturada por Azula (Elizabeth Yu). O que acontece depois é o movimento mais confiante da temporada até agora.
Azula toma os uniformes e a maquiagem das Guerreiras Kyoshi, manda Tran para Ba Sing Se como prisioneiro — um presente para Long Feng e uma forma de coletar informação — e então simplesmente atravessa os portões da cidade com Mai e Ty Lee, as três disfarçadas de Guerreiras Kyoshi.
Não é uma infiltração de força bruta. É uma infiltração de paciência e cálculo, e é muito ela. A 2ª temporada de Avatar vinha construindo Azula com cuidado, e esse episódio entrega o payoff.
Vale a pena assistir o episódio 4?
Sim. É o episódio mais equilibrado da temporada até agora — consegue mover várias histórias ao mesmo tempo sem deixar nenhuma parecer apressada.
A revelação de Long Feng como chefe da Dai Li tem o peso que merece, porque a série construiu a desconfiança com calma. A cena de Iroh é pequena e perfeita. O encontro entre o Blue Spirit e a Painted Lady não depende de diálogo para funcionar — depende de posicionamento e de confiança do roteiro na inteligência do espectador.
O que ainda pesa contra o episódio é a velocidade com que algumas pontas são levantadas sem resolução imediata — a substituição de Joo Dee fica solta, a chantagem de Toph parece ter sido introduzida rapidamente. Mas são ressalvas menores dentro de um episódio que, na maior parte do tempo, sabe exatamente o que está fazendo.
Para quem acompanha a trajetória de Iroh em Ba Sing Se desde a primeira temporada, esse episódio entrega algo raro: um momento de cuidado com outro ser humano que parece completamente espontâneo, sem servir a nenhum plot.
O que o episódio 4 indica para o resto da 2ª temporada de Avatar
Com Azula dentro de Ba Sing Se, Long Feng controlando as informações do Rei da Terra e Aang agora ciente de parte da manipulação, a temporada se posiciona para apertar o cerco de todos os lados ao mesmo tempo.
Katara e Zuko compartilham um espaço sem saber. Toph carrega um segredo sobre sua família. Sokka sabe de algo que pode mudar alianças. A série ainda não revelou como esses fios se cruzam — mas o episódio 4 é o primeiro a fazer parecer que ela tem um plano claro para isso. E isso, por si só, já é um salto em relação ao que veio antes.
Se quiser entender a trajetória de Toph no live-action com mais contexto, o Salada tem uma análise separada sobre as mudanças feitas na personagem em relação à animação original.
Fonte principal: Netflix Tudum. Informações complementares: Ready Steady Cut, IMDb News e Winteriscoming.


