Ads

Supergirl, segundo filme do novo DCU após Superman, estreou nos cinemas brasileiros em 25 de junho de 2026 e chega com uma proposta clara: pegar a minissérie Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King, e consertar o que não funcionou. Na leitura do Salada de Cinema, o filme consegue isso em praticamente todas as frentes que importam.

Anúncios

Resumo rápido

  • Estreia nos cinemas brasileiros: 25 de junho de 2026 (Warner Bros. Pictures)
  • Direção: Craig Gillespie; Roteiro: Ana Nogueira
  • Elenco principal: Milly Alcock (Kara Zor-El), Jason Momoa (Lobo), Eve Ridley (Ruthye)
  • Baseado em: minissérie Supergirl: Woman of Tomorrow (2021), de Tom King
  • Nota: 8/10 — bom filme, com roteiro que melhora a HQ em ritmo, stakes e estrutura

O problema da HQ que o filme precisava resolver

A minissérie de Tom King tem uma premissa interessante: Kara Zor-El no papel de protagonista de uma história espacial com tom de faroeste, acompanhada por Ruthye, uma jovem em busca de vingança. O problema é que, na HQ, essa busca não tem urgência. Kara e Ruthye vagam pelo espaço por vários meses sem que nada pareça estar realmente em jogo.

O filme resolve isso de forma direta. O roteiro de Ana Nogueira estabelece um limite de três dias para que Kara salve Krypto, envenenado pelo vilão que também roubou sua nave. Três dias. É pouco, é concreto, e muda completamente a sensação de cada cena. O que na HQ parece passeio, no filme vira corrida.

Ruthye goes on quest for revenge in Supergirl Woman of Tomorrow
Ruthye goes on quest for revenge in Supergirl Woman of Tomorrow. (Reprodução / Warner Bros. Pictures)

Stakes maiores, personagens com mais a perder

Outro ajuste importante é o de Ruthye. Na HQ, ela busca vingar apenas a morte do pai — e a própria mãe reage ao anúncio da filha como se fosse um pedido banal. A indiferença familiar esvazia o peso emocional da missão.

Ads

No filme, Ruthye tenta vingar a família inteira. Isso tira a estranheza da HQ e dá à personagem uma razão que o espectador consegue sentir. Eve Ridley aproveita bem esse espaço: há uma tensão na relação dela com Kara que vai crescendo ao longo do filme sem virar melodrama.

E falando em Kara — Milly Alcock é a melhor coisa que o DCU poderia ter escalado para esse papel. Ela carrega a heroína com uma intensidade contida que faz sentido para uma Kara Zor-El que ainda não se vê como Supergirl. A abertura, com ela celebrando o aniversário de 23 anos em um mundo de sol vermelho, longe de qualquer expectativa de grandeza, funciona bem porque Alcock vende esse isolamento sem precisar de muito texto.

Milly Alcock como Kara Zor-El em Supergirl (2026
Supergirl Reviews All Agree on 1 Major Flaw in DCU Movie. (Reprodução / Warner Bros. Pictures)

A história que quase não existiu: Supergirl como coadjuvante

Um detalhe que vale mencionar: o projeto original de Tom King não colocava Kara no centro. A intenção era recriar True Grit no espaço, com Lobo no papel de Rooster Cogburn e Supergirl em papel secundário. A ideia foi rejeitada pelos editores da DC Brittany Holzherr e Jamie Rich. Segundo a fonte original, o conceito foi reformulado após King consultar o roteirista Steve Orlando — que, ao que tudo indica, explicou que Kara não é a prima idealista do Superman, mas uma personagem com dores e conflitos próprios.

Essa virada explica muito do que Ana Nogueira acertou no roteiro do filme. A Kara do DCU não está tentando ser heroína — ela está tentando sobreviver a uma situação que foi jogada no colo dela. E isso é dramaticamente mais interessante.

Jason Momoa como Lobo: mais do que participação especial

Jason Momoa é Lobo, e não é surpresa que ele se encaixe bem. O que o filme faz melhor do que apenas confirmá-lo no papel é usar o personagem de forma estruturada: Lobo não aparece só para dividir cena com Supergirl. Ele funciona como obstáculo real à proteção que Kara tenta oferecer a Ruthye.

O código de honra de Lobo está mais próximo da visão de mundo de Ruthye do que do de Kara, e isso cria um atrito interessante. Há uma subplot envolvendo os esforços de Ruthye para conquistar a ajuda do personagem que acrescenta camada sem tornar o segundo ato pesado.

Jason Momoa como Lobo em Supergirl (2026) - Filme DCU
Jason Momoa como Lobo em Supergirl (2026) – Filme DCU. (Reprodução / Warner Bros Pictures)

Direção, visual e onde o filme tropeça um pouco

Craig Gillespie organizou uma equipe técnica acima da média. A coreografia de luta funciona bem na maior parte do tempo — há alguns momentos em que os efeitos visuais entregam as costuras, mas são pontuais. O trabalho dos designers ao recriar em live-action os mundos e criaturas da artista Bilquis Evely (que ilustrou a HQ original) merece destaque.

Esteticamente, o filme tem uma identidade própria. O tom visual lembra mais Star Wars do que os filmes de James Gunn — o que faz sentido para uma história que se passa fora da Terra e precisa construir seu próprio senso de escala.

O filme tem 1h47min de duração e usa bem esse tempo. Não há subplots desnecessários e o ritmo raramente cai.

Vale a pena assistir?

Sim. Supergirl é um bom filme de super-herói que funciona porque tem um roteiro que se preocupou com os personagens antes de montar as cenas de ação. Ruthye e Kara formam uma dupla com química real, Lobo tem espaço para ser mais do que enfeite e o limite de tempo cria tensão genuína.

Para quem leu a HQ, o filme vai parecer uma versão mais enxuta e funcional — e provavelmente mais satisfatória. Para quem não leu, a história se sustenta bem sozinha.

Funciona melhor para quem curte ficção científica com tom de aventura do que para quem espera o espetáculo visual dos últimos filmes da Marvel. O DCU está construindo algo diferente aqui, e Supergirl é um passo sólido nessa direção.

⭐ Nota: 8.0/10

O que Supergirl (2026) revela sobre o futuro do DCU

Segundo informações já publicadas aqui no Salada, Kara deve ter papel central em Man of Tomorrow, próximo projeto do DCU, possivelmente em conflito com o próprio Superman. Se o filme mantiver o padrão de construção de personagem do que Milly Alcock entregou aqui, essa tensão tem tudo para funcionar.

O DCU parece apostar em Supergirl como âncora emocional da franquia — não como suporte da história de alguém, mas como o centro dela. A julgar pelo que Woman of Tomorrow virou nas mãos de Gillespie e Nogueira, a aposta faz sentido.

Fonte principal: superherohype.com. Informações complementares: Rotten Tomatoes, Ingresso.com, Telas Review.

Share.

Sou redator especializado em conteúdo de entretenimento para o mercado digital. Desde 2021, produzo análises, dicas e críticas sobre o mundo do entretenimento, com experiência como colunista em sites de referência.

Leave A Reply