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Há projetos que um cineasta simplesmente não consegue soltar. Para Brad Bird, esse projeto chama Ray Gunn — e ele passou mais de 30 anos carregando essa história antes de encontrar o caminho para realizá-la.

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O comprometimento chegou ao ponto de Bird abrir mão de dirigir Os Incríveis 3 para se dedicar ao filme. A animação, produzida pela Skydance Animation para a Netflix, ganhou data oficial durante o Festival Internacional de Animação de Annecy 2026: estreia em 18 de dezembro de 2026.

Ray Gunn
(Reprodução / Netflix)

Um detetive particular, alienígenas e uma estrela de mídia numa cidade do futuro imaginada em 1939

A sinopse de Ray Gunn apresenta Metropia, uma metrópole gigantesca situada num futuro alternativo visto pelos olhos de 1939. É lá que o detetive particular Raymond Gunn se vê enredado num caso envolvendo alienígenas, assassinato e uma celebridade chamada Venus Nova.

Bird já havia descrito o tom do filme como uma mistura de ficção científica com os filmes de detetive clássicos dos anos 40. A referência que ele usou diz tudo: “É Falcão Maltês encontrando Buck Rogers”. Essa fusão de noir e aventura espacial retrô é exatamente o tipo de aposta que os grandes estúdios raramente bancam — o que talvez explique os três décadas de espera.

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Sam Rockwell dá voz a Raymond Gunn, e Scarlett Johansson interpreta Venus Nova. O músico Tom Waits também integra o elenco, numa escolha que combina com o clima sombrio e excêntrico da história. As primeiras imagens divulgadas no festival mostram os dois personagens principais em conversas — uma dentro de um carro, outra num ambiente mais luxuoso.

O peso de deixar Os Incríveis 3 para trás

Bird tem dois Oscars de Melhor Animação — por Os Incríveis e por Ratatouille. Fora da Pixar, seu único longa animado anterior é O Gigante de Ferro, de 1999. Nos anos seguintes, dirigiu ainda Missão: Impossível — Protocolo Fantasma e Tomorrowland, mas nunca abandonou de vez Ray Gunn.

A decisão de ceder a direção de Os Incríveis 3 a Peter Sohn para se dedicar a este projeto deixa claro o quanto o filme significa para ele. Não é uma escolha comercial óbvia: Os Incríveis é uma franquia com bilheteria garantida e base de fãs consolidada. Ray Gunn é uma aposta nova, num gênero incomum, numa plataforma de streaming.

O roteiro é assinado por Bird em parceria com Matthew Robbins. A produção conta com John Lasseter e David Ellison entre os produtores.

Ray Gunn e a aposta da Netflix numa animação fora do padrão em dezembro de 2026

A data de 18 de dezembro coloca Ray Gunn numa janela estratégica — final de ano, temporada de prêmios, período de alto consumo de streaming. Para a Netflix, escalar um filme de um diretor com dois Oscars, com elenco de peso e três décadas de gestação, é uma aposta com argumento de prestígio.

Para Bird, é a chance de provar que o projeto que ele nunca conseguiu largar vale cada ano de espera.

Fonte principal: comingsoon.net. Informações complementares: Annecy International Animation Film Festival.

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Toni Morais Ferreira editor do Salada de Cinema, cobre cinemas, séries e streaming desde 2021. Especializado em análise de séries de plataformas como Netflix, Prime Video e Paramount+, acompanha estreias, finais e bastidores com foco em cobertura aprofundada para o público brasileiro. Já analisou produções de mais de 30 países e escreve críticas, finais explicados e coberturas semanais de séries em alta.

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