A segunda temporada de A Agência termina com Martian nu, ferido e preso numa cela da Valhalla — numa posição ainda mais desesperadora do que em qualquer outro momento da série. Danny, por sua vez, é resgatada do Irã pelo Mossad depois de uma fuga brutal pelo deserto. E Jim, o chefe do MI6 que usava Martian como fantoche, está morto pela mão do próprio espião que controlava. Os 10 episódios da temporada chegaram ao Paramount+ em 21 de junho de 2026, todos de uma vez, e o final levanta questões claras sobre o que pode vir na terceira temporada.
Resumo rápido
- Martian mata Jim e vai à República Centro-Africana para eliminar Viking, líder da Valhalla
- Viking morre na explosão, mas Martian é capturado pela organização e mantido vivo com um propósito ainda não revelado
- Danny foge do Irã após uma tentativa de troca que se transforma em armadilha, e é resgatada pelo Mossad
- Henry é inocentado das acusações de traição depois que Naomi encontra a pasta com as provas reunidas por ele
- A terceira temporada ainda não foi confirmada oficialmente pelo Paramount+
O que Martian fez antes de partir para a África
Boa parte do que o final entrega só faz sentido quando se entende o que Martian foi obrigado a engolir ao longo de toda a temporada. Jim, chefe do MI6, mantinha Samia como moeda de troca indireta — ela estava sob o controle de Saeed (SIA) e Osman (GIS) — e isso dava ao britânico alavancagem suficiente para transformar Martian num informante involuntário e forçar Danny a recrutar Hassan, filho de um conselheiro iraniano sênior chamado Majid.
O problema é que Jim não estava trabalhando pelo bem da aliança entre EUA e Reino Unido. Ele queria usar Majid para alimentar o MI6 e o MSS chinês, representado por Li Wenyin. Quando a Guarda Revolucionária Iraniana descobriu o esquema, Majid foi executado e a vida de Danny entrou em risco.
Henry, que conduzia uma investigação interna sobre Martian, estava prestes a expor toda essa trama quando Jim o acusou de trabalhar para a China e o mandou prender por traição. A jogada era clínica: neutralizar a ameaça mais próxima sem sacrificar Martian, que Jim ainda precisava.

Martian não aceitou ver Henry ser destruído pelos erros que eram seus. Antes de partir para a Bélgica — e depois para a África —, ele liberou Samia das mãos de Saeed (que matou) e converteu Osman num ativo da CIA. Instalou Samia em uma casa segura, mas ela não quis contato: tudo que ela sabia sobre ele era mentira, exceto, talvez, o amor. Mesmo assim, Martian passou na frente da casa para vê-la de longe, deixou uma carta para a filha Poppy e um tipo de confissão para Henry, registrada num diário.
Depois disso, matou Jim.
A fuga de Danny pelo deserto iraniano
A operação de resgate de Danny foi construída como uma troca diplomática: os britânicos devolveriam Arash Namdar, um contador secreto da Força Quds, aos iranianos em troca da agente americana. Naomi desconfiou desde o início que havia algo errado no acordo — e ela estava certa.
O coronel Yousefi recebeu ordens para simular a fuga de Danny e depois matá-la durante o percurso. Ela foi solta do veículo de transporte no meio do trajeto e orientada a correr. Danny percebeu a armadilha, tentou roubar o veículo vazio para voltar à cidade, capotou no terreno acidentado e passou a noite fugindo a pé pelo deserto gelado.
Quando chegou a uma loja de conveniência, pediu ajuda ao dono, que fingiu colaborar e chamou a polícia. Danny matou o homem, mas a polícia iraniana já estava a caminho. Encurralada, sem energia para correr e sem reforços à vista, ela se manteve na posição. Foi quando operativos do Mossad chegaram, eliminaram os policiais e a colocaram em segurança.
Craig repassou a informação para Naomi, e a reação dela — abraçar Craig na frente de toda a equipe, sem se importar com a política de relacionamentos no ambiente de trabalho — diz bastante sobre o quanto aquela missão pesou.
Como Martian chegou até Viking e o que aconteceu na mina
Após matar Jim e ser exposto como seu informante dentro da CIA, Martian sabia que tinha duas opções: prisão por traição ou execução silenciosa. Então ele se colocou no lugar de Nils, um ativo alemão que deveria acompanhar Mikkel, um comerciante belga de diamantes, até a República Centro-Africana para uma reunião com Viking — o líder da Valhalla que havia caçado operativos da CIA, incluindo Owen.
O plano original envolvia três relógios carregados com explosivos. Quando esse caminho ficou inviável, Martian improvisou: transformou um relógio de xadrez numa bomba. Ao chegar ao local de mineração, Viking — que claramente suspeitava de quem “Nils” realmente era — propôs uma partida de xadrez. Martian havia plantado antes a informação de que seu personagem adorava o jogo, então a situação não foi coincidência.
Durante o jogo, Viking disse em voz alta que sabia que Martian era da CIA. Mas antes que qualquer coisa pudesse acontecer, a bomba no relógio explodiu. Viking morreu na hora, absorvendo o impacto direto. Martian tentou sair atirando pela mina — numa sequência de ação que funciona bem dentro do tom da série — mas foi capturado.
A CIA classificou a situação como favorável: Viking estava morto e Martian, um fugitivo que havia assassinado o chefe do MI6, não era mais problema deles. Bosko registrou o agente como “morto, aguardando confirmação”. Na cena final do décimo episódio, um representante da Valhalla informa ao Martian preso, nu e machucado, que a organização o manteve vivo porque tem planos para ele.
Henry, Owen e os pontos que ficaram sem resposta
Henry foi inocentado depois que Naomi obteve a pasta com as investigações que ele havia conduzido sobre a relação entre Jim e Martian. Com isso, ele cancelou a demissão e voltou ao escritório para examinar o diário que Martian deixou para ele — uma confissão indireta que sugere que o espião sabia exatamente o que estava fazendo e por quê.
Owen retornou ao trabalho com a prótese nova e foi diretamente para a sala de controle, em tempo de acompanhar o desfecho da operação que começou como uma extensão de sua missão original contra a Valhalla. Numa conversa com Blake, Owen insinuou que o comportamento de Martian poderia ser parte de algum plano mais amplo arquitetado por Henry. Essa linha narrativa não tem resolução na segunda temporada — o que indica que pode ser o fio condutor de uma eventual continuação.
A série também deixa em aberto o que Naomi e Craig vão fazer com a tensão entre os dois, o futuro de Samia longe de Martian e o que Danny vai escolher depois de ser resgatada.
Especulações sobre a 3ª temporada de A Agência
Até a publicação desta matéria, o Paramount+ não confirmou oficialmente a renovação para uma terceira temporada. O que existe são dois finais de temporada que seguem um padrão claro: a cada ciclo, Martian termina numa posição ainda mais exposta do que quando começou.
Na primeira temporada, ele saiu de uma posição estável para virar o informante forçado de Jim. Na segunda, passou a temporada tentando se libertar de Jim e terminou nas mãos da Valhalla. Se esse ritmo se mantiver, a hipótese mais óbvia para a terceira temporada é Martian retornando à estação londrina da CIA como agente infiltrado da Valhalla — um espião que virou herói ao matar Jim e Viking, o que tornaria qualquer suspeita muito mais difícil de sustentar.
Danny, por outro lado, praticamente esgotou sua utilidade como agente no Irã. Sua identidade é conhecida por altos escalões do governo iraniano, o que inviabiliza qualquer retorno encoberto ao país. Se ela continuar na CIA, uma missão voltada para a China — nação que Jim usou como parceira e que Danny ajudou a expor indiretamente — seria um desdobramento coerente com o que a série construiu até aqui. Se quiser encerrar sua carreira, a série já plantou esse desejo nas conversas com Martian ao longo da temporada.
A primeira temporada se tornou a série mais assistida da história do Showtime no seu lançamento, com 5,1 milhões de espectadores globais na plataforma. Esse número foi o principal argumento para a renovação imediata que originou a segunda temporada. Com a segunda chegando com 10 episódios e um final deliberadamente aberto, a pressão comercial para uma continuação existe — mas decisão oficial ainda não saiu.
O ciclo de Martian e o que a Valhalla representa para o futuro de A Agência
O que o final da segunda temporada estabelece com clareza é que A Agência está construindo Martian como um personagem que nunca consegue sair realmente livre. Cada vitória tem um preço imediato: matar Jim custou sua liberdade; matar Viking custou sua segurança física. A Valhalla não o matou porque um agente vivo dentro da CIA vale mais do que qualquer dado que ele possa entregar numa sala de interrogatório.
Se os showrunners Jez e John-Henry Butterworth tiverem a chance de rodar uma terceira temporada, o personagem que eles entregaram nesse final — preso, sem aliados, sem cobertura institucional e com o passado todo exposto — é o ponto de partida mais arriscado e promissor que a série já teve.






