Matt Damon declarou à revista Parade que está aberto a retornar à franquia Jason Bourne e que há esforços contínuos para desenvolver uma nova história — mas nenhum projeto está oficialmente em desenvolvimento. Não há diretor, não há roteiro concluído e não há data de lançamento. O que existe é a disposição pública do ator e um cenário industrial que, pela primeira vez em anos, torna o retorno plausível.
Resumo rápido
- Matt Damon disse à Parade que está sempre tentando viabilizar mais um filme de Bourne
- A NBCUniversal adquiriu os direitos das propriedades Bourne e Treadstone de Robert Ludlum em 2025
- O último filme com Damon, Jason Bourne (2016), arrecadou US$ 415 milhões mundialmente
- A franquia completa soma mais de US$ 1,6 bilhão em bilheteria global ao longo de cinco filmes
- Nenhum diretor, elenco ou data foi confirmado para um eventual novo projeto
A declaração que reacende a conversa sem encerrar nenhuma dúvida
A fala de Damon à Parade é ao mesmo tempo animadora e cuidadosamente vaga. Reportada pelo Deadline, ela soa assim, em tradução livre: “Estamos sempre tentando fazer mais um desses porque nós amávamos, todos que trabalharam neles. Então há sempre alguma tentativa em curso de escrever, de criar uma nova história. Se você tiver alguma ideia, nos avise.” É o tipo de declaração que sinaliza boa vontade real — não é cortesia de tapete vermelho — mas que também deixa claro onde está o nó: na história.
Estamos sempre tentando fazer mais um desses porque nós amávamos, todos que trabalharam neles. Então há sempre alguma tentativa em curso de escrever, de criar uma nova história. Se você tiver alguma ideia, nos avise.
Matt Damon, em entrevista à revista Parade, conforme reportado pelo Deadline — em tradução livre
Isso importa porque distingue o problema real da franquia. Não é falta de interesse do ator. Não é disputa contratual. Não é ausência de demanda do público. O obstáculo é criativo: Jason Bourne (2016) encerrou a saga com o personagem recuperando sua identidade completa, e ninguém encontrou ainda uma justificativa narrativa convincente o suficiente para colocá-lo de volta em campo. Damon está dizendo, essencialmente, que está esperando alguém resolver esse problema.

A NBCUniversal tem os direitos, mas direitos não fazem roteiro
O contexto industrial mudou em favor de um retorno. A NBCUniversal adquiriu os direitos das propriedades Bourne e Treadstone do espólio de Robert Ludlum em 2025, consolidando o controle duradouro da marca sob um único teto — o mesmo estúdio que distribuiu todos os filmes anteriores. Isso elimina a incerteza jurídica que pairou sobre a franquia quando os direitos estavam sendo negociados, em março de 2025.
Segundo o Hollywood Outbreak, o produtor Frank Marshall, ligado à franquia desde o primeiro filme, permaneceria vinculado a qualquer projeto futuro, com representantes do espólio de Ludlum também envolvidos. Essa informação não foi confirmada por declaração oficial da Universal ou de Marshall, mas é consistente com o histórico de continuidade da produção na série.
O que a aquisição da NBCUniversal não resolve é o ponto que Damon levantou: um roteiro que valha a pena. Ter os direitos organizados é condição necessária, não suficiente. A franquia já esteve em situação parecida antes de Jason Bourne (2016) — o estúdio tinha os direitos, o ator estava disposto, mas levou quase uma década para o projeto ganhar forma depois de O Ultimato Bourne (2007).
O precedente de Jeremy Renner mostra o que está em jogo para a Universal
Na avaliação do Collider, um projeto Bourne sem Damon enfrentaria desafios de bilheteria consideravelmente maiores, como já ocorreu com The Bourne Legacy (2012), estrelado por Jeremy Renner. O filme substituiu Bourne por um novo agente do mesmo programa e recebeu críticas mistas — funcionou como entretenimento competente, mas nunca convenceu o público de que a franquia poderia existir sem o rosto que a definiu.
É um dado relevante para a NBCUniversal calcular sua estratégia. A franquia somou mais de US$ 1,6 bilhão em bilheteria global ao longo de cinco filmes — uma média que nenhum derivado sem Damon conseguiu repetir. Isso coloca o ator em posição de negociação sólida: ele não precisa voltar, mas o estúdio precisa muito mais dele do que o contrário.

A Odisseia como termômetro do momento de Damon
Há um fator externo que pode acelerar ou complicar qualquer conversa sobre Bourne: A Odisseia, de Christopher Nolan, estreia em 17 de julho de 2026 com Damon no papel central de Odisseu, Rei de Ítaca, num projeto com orçamento de US$ 250 milhões e um dos elencos mais vistosos do ano. É a primeira vez que Damon assume o protagonismo absoluto de um filme Nolan, depois de papéis de apoio em Interestelar (2014) e Oppenheimer (2023).
A lógica comercial é direta: se A Odisseia confirmar Damon como ancora de uma produção de escala máxima, seu valor de mercado para uma franquia de ação como Bourne só aumenta — e a janela de negociação com a NBCUniversal pode ficar mais cara. Se o desempenho decepcionar, o estúdio pode encarar a conversa com mais urgência para capitalizar o nome do ator enquanto o momento é favorável. De qualquer forma, A Odisseia funciona como uma prova real das apostas que o mercado está disposto a fazer em Damon como protagonista em 2026.
A pergunta que nenhuma fonte responde: Paul Greengrass volta também?
Nenhuma das fontes disponíveis menciona Paul Greengrass — diretor de A Supremacia Bourne (2004), O Ultimato Bourne (2007) e Jason Bourne (2016) — em relação a um possível retorno. Isso é significativo. Greengrass não é apenas o realizador dos filmes mais aclamados da franquia; é o arquiteto estético que transformou o subgênero de espionagem realista com a câmera na mão e a edição fragmentada que influenciou até a reformulação de James Bond com Daniel Craig.
Damon e Greengrass desenvolveram os últimos três filmes em parceria próxima. Se o obstáculo atual é encontrar uma história convincente, Greengrass é exatamente o tipo de colaborador cuja presença ou ausência muda a natureza do projeto. A declaração de Damon à Parade sugere que as tentativas de desenvolvimento de roteiro estão em curso, mas não especifica com quem — o que deixa em aberto se há ou não um diretor na conversa.
O que fica em aberto
A declaração de Damon fecha uma dúvida simples — o ator quer voltar — e abre outras mais complexas. A barreira narrativa é real: como criar um conflito novo para um personagem que passou quatro filmes tentando se livrar exatamente do tipo de missão que qualquer sequência precisaria impor a ele? A barreira criativa é frequentemente mais difícil de resolver do que a contratual, e a história da franquia sugere que quando esse problema não é resolvido bem, o resultado é The Bourne Legacy.
O cenário atual — estúdio com os direitos consolidados, ator publicamente disponível e buscando pitches, produtor histórico possivelmente ainda vinculado — é o mais favorável em anos. Mas favorável não significa iminente. Sem diretor, sem roteiro e sem data, qualquer prazo para um novo Jason Bourne é especulação. O que mudou em junho de 2026 é que Damon disse publicamente que a porta está aberta. Alguém ainda precisa aparecer com a chave certa.
Fonte principal: collider.com. Informações complementares: Deadline, Hollywood Outbreak, Wikipedia.









