As Cores do Mal: Preto estreia na Netflix em 10 de junho de 2026 como sequência direta do thriller polonês As Cores do Mal: Vermelho, com direção de Adrian Panek e o retorno de Jakub Gierszał no papel do promotor Leopold Bilski. O título original é Kolory zła. Czern.
Sair da zona de conforto é o verdadeiro ponto de partida do filme
O que distingue Preto de seu antecessor não é apenas a troca de cenário, mas o que essa troca significa para o personagem central. Bilski, que em Vermelho operava dentro de um ambiente urbano que ele dominava instintivamente, é transferido para a região da Kashubia, interior da Polônia — uma comunidade fechada, de clima frio e folclore próprio. Esse deslocamento territorial, segundo os dados divulgados, é deliberado na construção narrativa: o promotor precisa investigar o desaparecimento de uma criança, depois de outra, em um lugar onde as regras tácitas da cidade têm tanto peso quanto a lei.
Adrian Panek, que assina novamente direção e roteiro, já demonstrou em Vermelho que usa a paisagem como extensão da atmosfera, não como pano de fundo decorativo. A aposta agora é repetir esse movimento com o folclore kashubiano substituindo o litoral sombrio do primeiro filme. Isso pode indicar uma franquia com identidade geográfica rotativa — cada capítulo ancorando o crime em uma camada cultural diferente da Polônia.

Bilski amadurece porque o roteiro não o deixa confortável
Jakub Gierszał entrega em Vermelho um promotor ambicioso e intuitivo, mas ainda reconhecível dentro de seu próprio território. Preto sugere justamente o oposto: a investigação o força a operar sem o suporte institucional e social que ele conhecia. Esse tipo de pressão sobre o protagonista é o que separa uma sequência que existe por demanda comercial de uma que tem razão narrativa para existir.
Ao lado dele, Marianna Zydek interpreta Ania Górska, assessora de promotoria em sua primeira investigação de peso — justamente o desaparecimento que estrutura a trama. A dinâmica entre uma figura já testada pelo sistema e uma recém-chegada diante do caos tem potencial para criar tensão interna sem depender de reviravolta espetacular. O elenco se completa com Zdzisław Wardejn e outros nomes do cinema polonês, reforçando a aposta no drama psicológico acima do thriller de ação.

O folclore local não é enfeite, é o método narrativo do filme
O que os dados disponíveis sugerem sobre Preto é que lendas locais e sinais perturbadores não funcionam como tempero atmosférico, mas como camada de sentido paralela à investigação criminal. Esse recurso já aparece em produções escandinavas e centro-europeias que tratam o mito regional como espelho distorcido da violência real — e Vermelho já operava nessa lógica com a costa polonesa.
A diferença é que a Kashubia tem uma identidade cultural muito específica dentro da Polônia, com língua própria e tradições que marcam distância do restante do país. Usar esse território como cenário de um crime que a cidade preferia manter enterrado é uma escolha que vai além do pitoresco. Isso pode indicar que Preto quer falar sobre o que comunidades fechadas fazem com suas próprias feridas — uma leitura possível que só o filme completo vai confirmar ou refutar.
Ver Vermelho antes faz diferença, mas não é obrigatório
Os dois filmes apresentam casos distintos, e Preto foi construído com autonomia narrativa suficiente para funcionar sem o antecessor. Ainda assim, a evolução de Bilski como personagem — e o peso de certas decisões dele neste novo contexto — ganha outra camada para quem viu Vermelho. São escolhas de roteiro que dialogam com o passado do promotor sem depender de recapitulação explícita.
Para o espectador que ainda não conhece a franquia, a ordem cronológica continua sendo a mais recompensadora. As cores do título não são apenas estética — cada filme parece construir uma paleta emocional própria, e a progressão do vermelho ao preto já sugere algo sobre o tom que Adrian Panek quer estabelecer para este universo.









