Bob Odenkirk conquistou o público como o liso Saul Goodman, mas sua carreira no cinema oferece muito mais do que as armações legais vistas em Better Call Saul. Desde o início nos anos 1990, o ator de Chicago alterna pequenos papéis cômicos e personagens centrais em gêneros diversos.
A lista abaixo seleciona cinco produções que evidenciam essa versatilidade, sempre tocando em elementos familiares aos fãs do universo Breaking Bad: moral cinzenta, humor ácido e mergulhos no submundo criminal.
Versatilidade de Bob Odenkirk no cinema
No começo, Odenkirk era figura recorrente em esquetes televisivas. A virada dramática veio com Saul Goodman, papel que exigiu camadas emocionais inesperadas. Após o sucesso na TV, a porta do cinema se escancarou e o ator passou a receber personagens mais complexos.
Hoje, seu portfólio reúne desde thrillers de ação até dramas minimalistas. Essa amplitude faz com que cada novo projeto seja acompanhado de curiosidade, especialmente para quem acompanha Better Call Saul em maratonas tão apaixonadas quanto as de séries com 100% no Rotten Tomatoes apontadas pelo Salada de Cinema.
Conexões temáticas com Better Call Saul
Os cinco filmes a seguir dialogam diretamente com temas centrais da saga de Jimmy McGill: ambição, dilemas éticos e a linha tênue entre o certo e o errado. Em comum, todos exploram personagens obrigados a revelar lados sombrios quando pressionados pelo ambiente.
Em alguns casos, como Nobody, a semelhança é explícita na presença de cartéis e capangas; em outros, como Nebraska, o parentesco surge no humor agridoce que permeia cenas silenciosas e cheias de significado.
Imagem: Divulgação
Os 5 filmes indispensáveis
- Nobody (2021) – Dirigido por Ilya Naishuller, o longa apresenta Hutch Mansell, pai suburbano que deixa aflorar um passado violento ao ver a família em risco. A construção de Odenkirk troca o verbo afiado de Saul por socos coreografados, mas mantém a duplicidade: fachada pacata, coração carregado de sombras.
- O Pentágono: Bastidores da Guerra (The Post, 2017) – Com direção de Steven Spielberg, o ator surge como repórter que enfrenta pressões políticas para publicar os Papéis do Pentágono. A interpretação é discreta, reforçando a tensão moral que também permeia o escritório de advocacia de Saul.
- Normal (2026) – Exibido em festivais e com estreia comercial prevista para abril de 2026, acompanha um xerife recém-empossado investigando corrupção em sua pequena cidade. O roteiro parte de um crime simples e mergulha no submundo, espelhando a escalada de Jimmy McGill até o crime organizado.
- Nebraska (2013) – Filmado em preto e branco, traz Odenkirk como filho que acompanha o pai iludido por um falso prêmio. O humor esquisito e a melancolia silenciosa lembram os flashes futuristas de Better Call Saul ambientados justamente no estado de Nebraska.
- Nobody 2 (2025) – Continuação direta do sucesso de 2021, mostra Hutch em férias familiares enquanto velhos hábitos violentos voltam à tona. A narrativa reforça o arco descendente do protagonista, ecoando a transformação gradual de Jimmy em Saul Goodman.
Do humor ácido à violência bruta: o que esperar das interpretações
Mesmo variando de jornalista a matador de aluguel, Odenkirk preserva marcas pessoais: timing cômico refinado, olhar que alterna culpa e cinismo e capacidade de tornar empáticos personagens fadados a escolhas questionáveis.
Essa entrega faz diferença em roteiros que dependem de nuances. Em Nobody, por exemplo, o ator inicia cada cena quase inexpressivo, apenas para explodir em coreografias sangrentas. Já em The Post, a mesma neutralidade serve para absorver informação e tensionar o dilema ético sem recorrer a grandes gestos.
Vale a pena maratonar esses títulos?
Para quem busca reviver a montanha-russa emocional de Better Call Saul, os cinco filmes funcionam como rota alternativa. Eles oferecem diferentes doses de ação, drama e ironia, sempre centradas em protagonistas ambíguos que encontram em Bob Odenkirk o intérprete ideal para navegar nesses extremos.









