Encerrada na TV desde 2022, Peaky Blinders manteve a fama de uma das séries mais eletrizantes da Netflix graças ao carisma de Tommy Shelby e ao visual sombrio criado pelo roteirista Steven Knight. O lançamento do filme Peaky Blinders: The Immortal Man, em março de 2026, reacendeu o debate sobre qual temporada entregou o conjunto mais afiado de atuações, roteiro e direção.
Salada de Cinema mergulhou na maratona completa e, a seguir, apresenta um ranking que vai do ponto mais frágil ao momento de glória absoluta da família Shelby. Sem rodeios, analisamos o trabalho do elenco, a mão dos diretores convidados e os rumos que cada ano deu à narrativa.
Como este ranking foi construído
A ordem resultou de três critérios objetivos: desenvolvimento de personagens, coesão do roteiro e impacto dramático. Os índices do Rotten Tomatoes serviram como guia estatístico, mas o peso maior ficou mesmo na resposta emocional que cada arco provocou – afinal, um bom drama de gangues vive (e morre) pelas escolhas de seus protagonistas.
Também levamos em conta a forma como cada diretor – de Otto Bathurst, lá no piloto, a Anthony Byrne, responsável pelo desfecho – sustentou a estética de luz baixa, cenários enfumaçados e violência coreografada que transformou Birmingham num palco quase operístico.
Interpretações que marcaram época
Cillian Murphy conduz Tommy Shelby em camadas: traumas de guerra, ambição política e um magnetismo frio que mantém aliados e inimigos na órbita da boina com lâmina. Ao redor dele, Paul Anderson injeta brutalidade sincera em Arthur, enquanto Helen McCrory (a saudosa Polly) serviu de bússola moral torta até sua saída precoce no sexto ano.
A lista de participações especiais ilustra o prestígio que a série conquistou. Tom Hardy roubou cenas como Alfie Solomons, trafegando entre ameaça e farsa; Adrien Brody fez de Luca Changretta um predador elegante; e Paddy Considine entregou em Padre Hughes um dos vilões mais repulsivos da TV recente.
Imagem: Robert Viglasky
Com o pano de fundo definido, vamos ao veredito temporada por temporada.
Ranking temporada a temporada
- 6ª temporada (2022) – O peso do luto e a falta de antagonista
A expectativa por um encerramento grandioso acabou minada pela ausência de um inimigo à altura de Tommy. A morte de Polly logo na abertura cria um clima fúnebre, mas o roteiro se perde em dilemas internos, deixando Oswald Mosley de lado e transformando Michael em ameaça apenas nominal. Mesmo assim, Murphy domina cada quadro, provando que carrega a série nas costas. - 5ª temporada (2019) – Política x crime: a tensão que quase estagna
O crash da bolsa de 1929 atinge em cheio os negócios dos Shelby e acirra a rivalidade entre Tommy e Michael. A entrada definitiva de Mosley traz frescor, pois o fascista humilha o protagonista sem recorrer à violência. O problema? As tramas parlamentares carecem da adrenalina que a série exibe quando trata só de apostas e sangue. - 1ª temporada (2013) – Quando tudo era fumaça de carvão
Steven Knight apresenta a gangue roubando armas do governo e trombando com o inspetor Campbell, designado por Winston Churchill. Entre a paixão proibida por Grace e a guerra contra Billy Kimber, há episódios que testam caminhos narrativos demais, mas a ambientação – reforçada pela fotografia de George Steel – prende o espectador de imediato. - 3ª temporada (2016) – Tragédia em família como motor da trama
A lua de mel de Tommy dura um único episódio: Grace é assassinada e, a partir daí, o reverendo Hughes subjuga a família com ameaças cruéis. A volta de Alfie Solomons, indecifrável como sempre, adiciona caos. O clima de paranoia atinge o ápice no episódio final, quando aliados leais encaram o pelotão de fuzilamento graças aos esquemas do próprio chefe. - 2ª temporada (2014) – Alfie Solomons entra em cena
Com Michael finalmente ao lado da mãe, Polly ganha tempo de tela precioso. Tom Hardy, porém, monopoliza a atenção: seu Alfie fala frases antológicas e jamais revela se é sócio ou traidor. Cillian Murphy, diante do cadafalso no último capítulo, entrega a atuação mais visceral da série. - 4ª temporada (2017) – Changretta faz Birmingham tremer
Adrien Brody surge como Luca Changretta para vingar o pai e, logo de cara, mata John Shelby. O roteiro é direto: caçador contra presa. As cenas de tiroteio são filmadas por David Caffrey com precisão brutal, e o duelo mental entre Tommy e Luca segura a tensão até o último segundo. Alfie retorna para temperar o jogo de traições, garantindo ao quarto ano o trono de melhor da série.
Peaky Blinders: The Immortal Man amplia ou resolve?
Lançado em 6 de março de 2026, o longa encontra Tommy diante do próprio legado, enquanto seu filho Duke domina Small Heath com a mesma frieza paterna. A direção mantém a fotografia carregada e a trilha pulsante, mas o elenco sente a falta de figuras queridas, como Polly. Ainda assim, o filme oferece um adeus mais satisfatório que o final aberto da sexta temporada, consolidando a saga em escala cinematográfica e mostrando que, às vezes, produções enxutas encontram novo fôlego fora da TV.
Vale a pena maratonar Peaky Blinders hoje?
Mesmo com os altos e baixos apontados acima, Peaky Blinders continua sendo referencial quando o assunto é drama criminal de época. As seis temporadas somam pouco mais de trinta horas, tempo que passa voando graças às atuações magnéticas e à direção que mescla violência estilizada com comentários sobre classe e poder. Para quem busca algo intenso enquanto aguarda a nova leva de séries animadas que prometem dominar o streaming, a história dos Shelby segue imbatível.









