Family Movie (título original) desembarcou no Festival SXSW em 13 de março e, logo após a sessão, cravou a cobiçada marca de 100% no Rotten Tomatoes. A façanha partiu de apenas dez críticas, número suficiente para que o agregador liberasse uma nota oficial.
Dirigido e estrelado por Kevin Bacon e Kyra Sedgwick, o longa mistura humor ácido e ritual satânico para contar, de maneira metalinguística, a história de um cineasta de terror que convence a própria família a filmar sobre um culto demoníaco. O resultado, ao menos para a crítica especializada, foi unanimemente positivo – ainda que as pontuações individuais oscilem entre 5 e 7 de 10.
A estreia de Family Movie e a recepção crítica
Com apenas 81 minutos, Family Movie conquistou elogios pela agilidade de trama e pela troca de farpas entre seus intérpretes. Entre os dez textos publicados, o consenso é de que o filme diverte sem pretensões grandiosas. Na prática, isso garantiu o selo “Fresh” máximo, feito inédito para Kevin Bacon como diretor.
O histórico do ator no Tomatometer já era sólido – 95% pelo especial natalino de Guardiões da Galáxia – mas nunca havia alcançado a perfeição. O mesmo vale para Sosie Bacon, que havia batido 90% com Hazard, e para Travis Bacon, cujo pico era 56% em Space Oddity. Todos superados pelo novo projeto familiar.
Como a dinâmica familiar impacta a atuação
Ver pai, mãe e filhos em cena cria curiosidade imediata. Aqui, a intimidade real vira combustível de conflito dramático: o diretor vivido por Kevin Bacon explora inseguranças e egos de cada parente, algo que transparece nas reações genuínas de Travis e Sosie.
Sedgwick, que divide a direção, também surge diante das câmeras com timing cômico calibrado, equilibrando a tensão sobrenatural com comentários irônicos sobre bastidores de cinema. Críticos apontam que a química do grupo sustenta a experiência, mesmo quando o roteiro aposta em piadas internas.
Direção compartilhada: quando casal divide a claquete
Bacon e Sedgwick conduzem a narrativa em regime de co-direção, prática cada vez mais comum em Hollywood. A divisão de tarefas parece ter funcionado: ele foca na encenação de terror, ela nas nuances de humor. O resultado mantém ritmo constante, sem sacrificar atmosfera.
Imagem: Dave Starbuck
Essa parceria de bastidor dialoga com outros projetos recentes comandados por duplas, como The Cackling of the Dodos, que marca o retorno de Jason Bateman à direção em seu próximo longa. No caso de Family Movie, a colaboração familiar reforça o tom meta, já que os diretores vivem personagens que, dentro da trama, também tentam filmar em conjunto.
Roteiro meta e humor satânico
Assinado por Dan Beers, o texto brinca com a própria lógica de filmes de possessão. Ao colocar um diretor filmando sobre cultos e envolvendo a família nesse processo, o longa aponta a câmera para si mesmo e faz piada com métodos de atuação e crises de vaidade.
Embora parte da crítica tenha considerado a ideia mais divertida do que profunda, a maioria concorda que o roteiro entrega o bastante para manter o interesse. O festival também evidenciou um elenco de apoio de peso — Jackie Earle Haley, John Carroll Lynch, Andrea Savage, Scoot McNairy e a criadora de conteúdo Liza Koshy —, todos com participação breve, porém eficaz.
Vale a pena assistir Family Movie?
Se o espectador procura terror leve, reviravoltas autoconscientes e a curiosidade de ver a família Bacon atuando lado a lado, a resposta tende a ser sim. O filme ainda não tem distribuidora confirmada após o SXSW, mas a nota perfeita no Rotten Tomatoes deve acelerar negociações para cinema ou streaming. Enquanto isso, Salada de Cinema segue de olho nos próximos passos desse projeto que, por ora, transformou o jantar de domingo dos Bacon no terror-comédia mais bem avaliado do ano.



