Três anos depois de concluído, The Room Returns continua preso na gaveta. Bob Odenkirk, que vive Johnny na nova versão, contou no SXSW que ainda não há previsão de estreia para o longa.
O ator revelou que a produção, pensada como projeto beneficente, enfrenta entraves jurídicos ligados aos direitos do filme original. Enquanto isso, fãs de Tommy Wiseau aguardam para saber se a paródia reverente chegará ao público em algum momento.
Bastidores da nova versão e elenco
Anunciado no início de 2023, The Room Returns reúne nomes curiosos diante da tela verde. A direção é de Brando Crawford, que também produz e atua. Bob Odenkirk lidera o elenco como Johnny, papel eternizado por Wiseau em 2003. Ele contracena com Bella Heathcote, Kate Siegel, o cineasta Mike Flanagan e, claro, Greg Sestero, único integrante do elenco original que topou voltar.
O reencontro de Sestero com o universo que o consagrou promete nostalgia, enquanto Odenkirk traz a bagagem de dois prêmios Emmy para tentar dar verossimilhança a falas conhecidas pela falta de lógica. Segundo o ator, a missão foi reproduzir “três quartos” do roteiro original, ajustando apenas o suficiente para que as cenas façam sentido dramático.
Proposta beneficente e desafios legais
O remake nasceu como iniciativa de caridade: toda a renda seria revertida à amfAR, que financia pesquisas sobre HIV/AIDS, e ao Actors Fund. O trabalho foi concluído em tempo recorde graças ao uso intensivo de chroma key, tecnologia que barateou a produção e permitiu gravar cenas inteiras sem locações físicas.
Apesar da boa causa, Odenkirk reconhece não saber “quais são as limitações” que impedem a estreia. Ele suspeita que Crawford não detinha “direitos legais plenos” para refilmar The Room, o que pode ter travado negociações com Wiseau. A situação lembra outros impasses recentes envolvendo propriedades conhecidas, como o futuro filme inspirado no jogo The Game of Life, cujos acordos de licenciamento também exigiram longas conversas de bastidor.
O olhar de Bob Odenkirk sobre o roteiro original
No encontro com a imprensa, o astro de Better Call Saul citou o vídeo “Can a Great Actor Save Any Line?” para explicar seu processo. A pergunta orientou sua atuação: seria possível transformar diálogos “truncados” em momentos que façam sentido emocional? Para Odenkirk, o charme do The Room original reside justamente na clara intenção dramática de Wiseau, ainda que o resultado fique aquém dessa ambição.
Imagem: Divulgação
Ele destaca que o remake precisou abraçar “vários saltos de lógica, inclusive emocional”. Um exemplo é a cena em que Johnny entrega flores a Lisa. Ao rever um trecho já editado, Odenkirk se disse satisfeito ao perceber o elenco “tentando fazer funcionar” um momento famoso pela estranheza. A declaração reforça o tom quase acadêmico do experimento: testar, na prática, se atores experientes conseguem lapidar diálogos considerados “ruins”.
Por que a distribuição ainda não aconteceu
A ideia inicial era lançar The Room Returns em formato digital em 2023, mas a data foi adiada indefinidamente. Em conversas anteriores, Odenkirk sugeriu que Tommy Wiseau teme que o remake zombe de sua obra, mesmo com garantias do contrário. O criador do cult, no entanto, nunca assistiu à nova versão.
Wiseau controla rigidamente a exibição de The Room há duas décadas. Ele já recusou propostas de streaming, removeu o filme do próprio canal no YouTube após um dia no ar e só libera cópias para sessões de meia-noite ou eventos especiais, como a reexibição de 20 anos pela Fathom Events. Diante desse histórico, não surpreende que ainda não exista acordo satisfatório para liberar a paródia beneficente.
A falta de consenso não impede futuros entendimentos, mas cria um impasse: Wiseau pode querer negociar primeiro a distribuição digital do The Room original antes de permitir que outra produção derivada chegue ao mercado. Enquanto isso, a equipe de The Room Returns aguarda uma sinalização positiva para avançar.
Vale a pena ficar de olho?
The Room Returns chama atenção pelo elenco inusitado, pela curiosidade de ver Bob Odenkirk reencenando falas icônicas e pelo caráter filantrópico. Se e quando o filme ganhar data de estreia, deve atrair fãs do cult de 2003 e interessados em estudos sobre atuação. Para o Salada de Cinema, resta acompanhar os próximos capítulos dessa novela de bastidores e torcer para que o público possa conferir, enfim, o resultado desse experimento cinematográfico.









