Arrakis volta a ser palco de intrigas, agora com uma atmosfera muito mais sombria. A Warner Bros. divulgou o primeiro trailer de Duna: Parte Três, e o material não economiza no sangue nem na tensão política.
Durante o lançamento, o diretor Denis Villeneuve subiu ao palco ao lado de parte do elenco para detalhar a nova fase da saga. O filme adapta “Messias de Duna” e se passa 17 anos depois dos eventos de Parte Dois, acompanhando o reinado de Paul Atreides sobre o universo conhecido.
Uma nova fase 17 anos depois
O maior choque logo de saída é o salto temporal. Villeneuve confirmou que Duna: Parte Três mostra Paul lidando com o peso de ser imperador após uma guerra que ceifou bilhões de vidas. O trailer, no entanto, promete esclarecer o que ocorreu nesse intervalo, evitando deixar o público no escuro.
Visualmente, o deserto continua presente, mas o cineasta destaca mudanças climáticas em Arrakis, sinalizando que o planeta sofreu transformações que refletem o desequilíbrio político instaurado. Além disso, novas locações fora do mundo arenoso serão exploradas, ampliando a sensação de escala galáctica.
Mudanças de tom sob a lente de Denis Villeneuve
Villeneuve definiu o novo capítulo como um “thriller muscular”. Para ele, o primeiro filme soava contemplativo, o segundo era essencialmente bélico, e agora a proposta é mergulhar em paranoia, conspiração e ritmo acelerado. Essa guinada de gênero se reflete em batalhas cheias de sangue e cenários que lembram interiores alienígenas labirínticos, onde a diplomacia pode ferir mais que uma crysknife.
A troca de diretor de fotografia reforça essa identidade. Linus Sandgren assume o posto de Greig Fraser e, em parceria com Villeneuve, decidiu registrar a maior parte do longa em película 65 mm e em IMAX. A exceção fica por conta das cenas no deserto, captadas em IMAX digital para preservar o aspecto “brutal” sugerido pelo cineasta. O resultado, segundo ele, foi pensado para salas gigantes — algo que já virou marca do diretor em suas colaborações com Hans Zimmer, compositor que retorna com uma trilha igualmente “diferente”, embora ainda enraizada no universo criado nos dois primeiros filmes.
Elenco retorna com energia renovada
Paul e Chani permanecem no centro da história, mas agora o casal lida com cicatrizes emocionais profundas. Timothée Chalamet, que não participou do painel presencialmente, enviou um vídeo reforçando o peso dramático de seu personagem, descrito por Villeneuve como “quase invencível” pela presciência — embora a trama trate de mostrar que isso não o isenta de grandes ameaças.
Zendaya, presente no evento, evitou entregar detalhes sobre o estado do relacionamento entre Chani e Paul, mas reforçou que o vínculo dos dois continua sendo o “coração pulsante” da narrativa. Javier Bardem, cuja presença vigorosa como Stilgar motivou os Fremen a saírem do planeta, volta disposto a intensificar a devoção religiosa em torno de Paul, algo que promete atritos espetaculares entre fé, política e família.
Imagem: Divulgação
Novos aliados e ameaças em Duna: Parte Três
A chegada de Alia e Scytale, interpretados por Anya Taylor-Joy e Robert Pattinson, adiciona camadas ao jogo de poder. Alia surge como adulta e carrega múltiplas gerações de memórias — “uma bênção e maldição”, nas palavras de Taylor-Joy. A atriz contou que a personagem existe em conversas simultâneas dentro de sua mente, algo que se traduz em gestos e olhares inquietantes, anunciando um desempenho visceral.
Pattinson, por sua vez, descreveu Scytale como “difícil de rotular”. O trailer reforça a aura camaleônica do personagem, sugerindo que suas lealdades mudam conforme o vento político. Essa zona cinzenta dá ao ator terreno fértil para explorar ambiguidades, lembrando a irreverência que ele já demonstrou em outros papéis fora do eixo de super-heróis, como sua futura participação em Protecting Jared, comédia de ação da Netflix.
Vale lembrar que Jason Momoa, ausente fisicamente na apresentação, colocou lenha na fogueira ao perguntar em vídeo como Duncan Idaho retornaria — provocação que arrancou sorrisos do público e a resposta lacônica de Villeneuve: “culpa do gênio de Frank Herbert”. A piada remete às pistas já dadas em outros materiais promocionais, como os primeiros vislumbres divulgados pelo Salada de Cinema.
Vale a pena assistir a Duna: Parte Três?
Pelo que o trailer mostra, Duna: Parte Três se distancia do tom contemplativo do início da saga para abraçar o suspense político. A combinação de película 65 mm, sequências em IMAX e cenografia inédita promete uma experiência visual ainda mais imersiva.
No campo das atuações, o trio Chalamet, Zendaya e Bardem ganha companhia de nomes que trazem energia fresca. Anya Taylor-Joy parece posicionada para entregar uma Alia inquietante, enquanto Robert Pattinson oferece um antagonista que desafia definições fáceis, adicionando imprevisibilidade ao enredo.
Com estreia marcada para 18 de dezembro de 2026, o longa chega com a missão de concluir a trilogia iniciada em 2021. Se Villeneuve cumprir a promessa de um thriller “muscular” sem sacrificar a complexidade dos personagens, o público terá um desfecho épico à altura da ambição de Frank Herbert — e, claro, um excelente motivo para voltar à sala de cinema mais próxima.




