O 98º Oscar foi palco de um momento histórico para Ryan Coogler. O cineasta subiu ao púlpito do Dolby Theatre, em Los Angeles, para receber a estatueta de Melhor Roteiro Original por Sinners e, antes mesmo de falar, confessou o coração acelerado. “Por favor, sentem-se, estou muito nervoso”, brincou, arrancando risos da plateia que ainda aplaudia de pé.
Além de roteirista, Coogler dirige o longa que reúne Michael B. Jordan, Miles Caton, Wunmi Mosaku, Hailee Steinfeld e Delroy Lindo em 138 minutos de terror, ação e suspense. O reconhecimento da Academia veio quase um ano após a estreia, coroando um projeto que já acumula 16 indicações – recorde absoluto da premiação.
Discurso marcado pelo nervosismo
Assim que o nome de Coogler foi anunciado, a reação vibrante do público tomou conta do salão. Paciente, o diretor esperou os aplausos diminuírem para admitir que o microfone lhe causava calafrios. Crescido em Oakland, ele disse se considerar falador, mas temeu que a orquestra o interrompesse antes de concluir os agradecimentos.
No breve discurso, o roteirista saudou a Academia “por lembrar de um filme lançado há quase doze meses” e elogiou os concorrentes na mesma categoria. Dividiu a nomeação com Robert Kaplow (Blue Moon), Jafar Panahi e equipe (It Was Just an Accident), Ronald Bronstein e Josh Safdie (Marty Supreme), além de Eskil Vogt e Joachim Trier (Sentimental Value).
Roteiro de Sinners: camadas de horror e ação
Sinners mistura elementos de horror, thriller e ação, mantendo ritmo de blockbuster por mais de duas horas. O roteiro assinado por Coogler, segundo a própria Academia, equilibra tensão e construção de personagens ao longo da narrativa. Embora o longa só chegue aos cinemas brasileiros em 18 de abril de 2025, a atenção obtida nas premiações sinaliza força dramática suficiente para dialogar com fãs de diferentes gêneros.
O piloto que deu origem ao texto foi desenvolvido em parceria com os produtores Sev Ohanian e Zinzi Coogler. A abordagem, ancorada em temas sombrios, marca mais um passo na filmografia do diretor depois de sucessos como Creed e Pantera Negra. Ainda que detalhes da trama permaneçam guardados, o roteiro já demonstrou apelo crítico ao conquistar a estatueta e contribuir para outra vitória da noite, o Oscar de Melhor Trilha para Ludwig Göransson.
Elenco de peso impulsiona a trama
Para dar vida às páginas escritas por Coogler, o diretor escalou um grupo de intérpretes acostumados a papéis intensos. Michael B. Jordan, por exemplo, volta a trabalhar com o cineasta após Creed e, de quebra, virou notícia ao conquistar o Oscar de Melhor Ator pela mesma produção — como registrado pelo Salada de Cinema.
Imagem: Divulgação
O elenco ainda inclui Hailee Steinfeld e Delroy Lindo, nomes experientes em equilibrar ação e drama, além de Wunmi Mosaku e Miles Caton. A combinação de talentos diversificados reforça a proposta de um filme que transita entre gêneros sem perder a coesão narrativa. O resultado desse encontro de vozes artísticas, ao que tudo indica, sustentou a campanha de prêmios desde a estreia.
Produção e direção: a assinatura de Ryan Coogler
No comando da câmera, Coogler novamente imprime estilo dinâmico e foco em personagens. O realizador agradeceu em especial à equipe técnica e à distribuidora Warner Bros., destacando que “todo mundo neste projeto é vencedor” – frase que encerrou a primeira parte do discurso antes dos agradecimentos pessoais.
Os últimos segundos no palco foram reservados para a família: o diretor endereçou palavras carinhosas à esposa, Zinzi, aos pais presentes na plateia e aos três filhos que assistiam pela televisão. A honestidade familiar contrastou com o semblante confiante que Coogler exibe atrás das câmeras, reforçando a dualidade entre a segurança do set e o nervosismo de frente para milhões de espectadores.
Vale a pena assistir Sinners?
Com 16 indicações e duas estatuetas já garantidas, Sinners desponta como um dos títulos mais comentados da temporada. O roteiro premiado, aliado ao elenco estelar, promete uma experiência cinematográfica que combina tensão e espetáculo visual. Para quem acompanha o trabalho de Ryan Coogler ou se interessa por produções que unem horror e ação, a estreia em abril deve entrar direto na lista de prioridades.









