Anne Hathaway volta a calçar os saltos de Andy Sachs em O Diabo Veste Prada 2, programado para chegar aos cinemas em 1.º de maio. Porém, uma ausência chama mais atenção que qualquer look de passarela: Nate Cooper, o ex-namorado que tantos amaram odiar no primeiro filme, não retorna.
Duas décadas após o longa original somar mais de US$ 320 milhões e render indicação ao Oscar para Meryl Streep, a sequência promete revisitar temas de moda e ambição no ambiente corporativo. Com direção novamente de David Frankel e roteiro de Aline Brosh McKenna, a produção manteve o núcleo principal, mas decidiu seguir sem Adrian Grenier, intérprete de Nate.
Regresso à passarela: o que mudou em O Diabo Veste Prada 2
O novo capítulo retoma a jornada profissional de Andy, agora consolidada na indústria editorial. Frankel, que dirigiu o primeiro filme, aposta em ritmo ágil e humor ácido para atualizar as tensões entre assistente e chefia – especialmente com o retorno da temida Miranda Priestly, de Meryl Streep, em grande forma.
Aline Brosh McKenna revisita diálogos cortantes e o universo fashionista que transformou o original em cult. Ao lado de Anne Hathaway, nomes como Emily Blunt e Stanley Tucci também reprisam papéis, garantindo química já testada. A grande diferença está na ausência de um arco romântico tradicional, o que abre espaço para camadas profissionais e conflitos internos mais acentuados.
A ausência de Nate Cooper e a recepção do público
Adrian Grenier admitiu, em entrevista ao Page Six, ter ficado desapontado por não receber convite para a continuação. Segundo o ator, a recepção negativa de Nate entre os fãs pode ter pesado na decisão de deixar o personagem fora da trama. Muitos espectadores consideravam Nate imaturo e pouco solidário quando Andy priorizava a carreira na revista Runway.
O próprio Grenier reconheceu, anos depois, que o personagem refletia egoísmo e falta de visão, o que alimentou memes e discussões sobre relacionamentos tóxicos. Ao retirar Nate de cena, o roteiro evita ruídos do passado e oferece à protagonista liberdade para crescer sem interseções românticas. A manobra também mantém a narrativa focada no embate entre Andy e Miranda, ponto alto do primeiro longa.
Impacto na dinâmica dos personagens femininos
Sem o antigo namorado, O Diabo Veste Prada 2 intensifica a troca de poder entre mulheres fortes. Andy retorna mais experiente, enquanto Miranda continua no topo de uma indústria em permanente mutação. Essa configuração potencializa debates sobre sororidade, competitividade e autossabotagem, temas que o filme original apenas pincelou.
A ausência de um par amoroso masculino lembra estratégias recentes de produções que sublinham trajetórias femininas independentes. O público que acompanhou hits que superaram expectativas de bilheteria sem depender de subtramas românticas deve reconhecer o movimento. A sequência, portanto, desloca energia dramática para dilemas profissionais e para a relação quase maternal – e ao mesmo tempo predatória – que Miranda mantém com Andy.
Imagem: Divulgação
O peso das performances: Hathaway, Streep e companhia
Anne Hathaway revisita Andy com segurança; a atriz transita entre a vulnerabilidade da assistente e a confiança de quem dominou o ofício. Já Meryl Streep, indicada ao Oscar em 2007 por Miranda, intensifica nuances da editora-chefe: o olhar gelado, os silêncios calculados e o sarcasmo continuam inabaláveis.
Emily Blunt, como a competitiva Emily Charlton, aprofunda camadas de ambição e insegurança, enquanto Stanley Tucci retoma o estilista Nigel Kipling com timing cômico impecável. A ausência de Grenier libera tempo de tela para que esses coadjuvantes brilhem, enriquecendo a dinâmica coletiva. Para o Salada de Cinema, essa redistribuição de foco reforça o frescor da continuação, mesmo sem surpresas revolucionárias.
Vale a pena assistir?
O Diabo Veste Prada 2 mantém o charme do original, reforçado por atuações afiadas e pela direção elegante de David Frankel. A ausência de Nate não prejudica a narrativa; ao contrário, oferece respiro para que Andy e Miranda se enfrentem com mais profundidade.
Quem busca romance poderá estranhar o vazio deixado pelo ex-namorado, mas a escolha torna a história mais coerente com discussões atuais sobre carreira e autonomia feminina. Nesse contexto, Hathaway e Streep entregam um duelo de alto nível que sustenta o interesse até o final.
Se você acompanha franquias que equilibram comédia e drama de bastidores, a sequência merece um lugar na agenda. Além de celebrar o aniversário de 20 anos do fenômeno original, o filme prova que, às vezes, menos é mais – sobretudo quando o que sobra em cena são performances em estado de graça.









