Isekai nunca saem de moda. Enquanto novos títulos estreiam todo trimestre, poucos mantêm fôlego suficiente para figurar em um ranking anual. Nesta seleção trazemos as posições 45 a 36 da lista oficial de 2026, focando em direção, roteiro e, claro, no trabalho do elenco de voz.
Do humor de Cautious Hero à ousadia estrutural de Ishura, a variedade prova que o gênero ainda tem espaço para inovação. E, sim, todos eles estarão de volta à conversa na primavera japonesa. Vamos ao detalhe.
O charme dos mundos paralelos
Desde 2015, a temática de reencarnação ou transporte para universos místicos virou sinônimo de entretenimento rápido. Ainda assim, roteiros acomodados saturaram o mercado. Quando surge algo que foge ao padrão, imediatamente chama atenção do público e da crítica.
Em 2025, por exemplo, séries com clima sombrio ou pegada de comédia autorreferencial ganharam espaço e mostraram que há mais do que espadas mágicas e status de RPG. É essa evolução constante que mantém portais virtuais abertos — e o leitor do Salada de Cinema bem informado.
Critérios do ranking
O recorte das posições 45 a 36 considera impacto cultural, longevidade, influência no boom moderno de isekai e consistência técnica. Entram na conta animação, design de som, texto original e adaptação para TV.
Ainda que popularidade no lançamento pese, peso maior recai sobre permanência na memória coletiva. Afinal, um sucesso de rede social se apaga mais rápido que um anime que emociona de verdade.
Imagem: Divulgação
Os 10 isekai nas posições 45 a 36
- I’m in Love with the Villainess (2023) – Dirigido pelo estúdio Platinum Vision, adapta o romance de Inori. Destaque para a química vocal de Yū Serizawa (Rae) e Karin Nanami (Claire), que segura a comédia romântica mesmo quando piadas se repetem.
- Cautious Hero: The Hero Is Overpowered but Overly Cautious (2019) – A White Fox equilibra ação exagerada e humor pastelão. Na direção, Masayuki Sakoi imprime ritmo ágil, enquanto o dublador Yūichirō Umehara entrega um Seiya metódico e hilário.
- Ishura (2024-2025) – Passione e Sanzigen apostam em estrutura fragmentada. Yuki Ogawa e Takeo Takahashi alternam pontos de vista e privilegiam batalhas coreografadas. Elenco extenso, mas Jun Fukuyama brilha como Hoshihikari.
- KamiKatsu: Trabalhando para Deus num Mundo Sem Deuses (2023) – A direção de Yuji Kuroda abraça o caos tonal. O roteiro de Aoi Akashiro alterna piadas juvenis e crítica social sem pedir desculpas. Junya Enoki (Yukito) navega bem entre horror e deboche.
- From Bureaucrat to Villainess: Dad’s Been Reincarnated! (2025) – Produção da Ajia-do traz Kenzaburou, um pai de meia-idade vivido por Toshiyuki Morikawa, em interpretação afetuosa. O roteiro de Michiro Ueyama usa flashbacks na Terra para reforçar laços familiares.
- .hack//Sign (2002) – O “ancestral” de Sword Art Online segue relevante graças ao texto contemplativo de Kazunori Itô. Koichi Mashimo mantém ritmo lento, convidando o espectador a decifrar Tsukasa, dublado de forma enigmática por Mitsuki Saiga.
- So I’m a Spider, So What? (2021) – Millepensee entrega animação irregular, mas Aoi Yūki compensa com uma Kumoko carismática. Metade humana, metade aranha, a narrativa paralela é o ponto que divide opiniões.
- Minha Vida de Vilã: Todos os Caminhos Levam à Desgraça! (2020-2021) – Sob comando da Silver Link, Megumi Shimizu adapta com leveza o texto de Satoru Yamaguchi. Maaya Uchida torna Catarina uma heroína impossível de odiar.
- Por Que Raeliana Foi Parar na Mansão do Duque (2023) – Typhoon Graphics garante traços limpos enquanto o roteiro do manhwa de Milcha foca suspense de etiqueta. Yume Miyamoto dá voz a uma protagonista sagaz.
- The Wrong Way to Use Healing Magic (2024) – Animação modesta, mas direção de direção de redação ritmada. Tomori Kusunoki (Rose) rouba a cena com autoridade intimidadora, equilibrando humor e tensão bélica iminente.
Tendências que moldam a próxima safra
Observando estes dez títulos, duas linhas se destacam: o subgênero vilã de otome game e produções que brincam com protagonistas superpoderosos. Studios perceberam que explorar vulnerabilidades — seja por humor, seja por drama — fideliza audiência.
Para 2026, o retorno de várias franquias indica continuidade dessa aposta. E com a pausa estratégica de gigantes shonen, abre-se espaço para isekai ganharem ainda mais vitrine, tal qual ocorreu com adaptações live-action de mangás longos.
Vale a pena assistir?
Seja para maratonar uma comédia leve ou encarar batalhas colossais, cada título do ranking 45 – 36 oferece algo único: elencos de voz afinados, diretores que arriscam linguagem e roteiros que fogem do “mais do mesmo”. Portanto, quem quer entender por que isekai continua dominante encontrará nestes dez animes um panorama certeiro da criatividade que ainda habita mundos paralelos.









