Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette chegou à tela do FX carregando romance, glamour político e, agora, uma polêmica de grandes proporções. Logo depois da estreia, a atriz Daryl Hannah publicou um artigo no The New York Times denunciando “misoginia clássica” na forma como a série a retrata.
Hannah, interpretada pela atriz Dree Hemingway, afirma que o roteiro a transforma na antagonista do casal sem qualquer consulta prévia. A repercussão foi suficiente para lhe render uma enxurrada de mensagens hostis — inclusive ameaças — enviadas por espectadores que compraram a narrativa proposta pela minissérie.
Protagonistas e atuações em Love Story
No centro da produção estão Sarah Pidgeon como Carolyn Bessette e Alessandro Nivola dando vida a John F. Kennedy Jr. O relacionamento público do par é explorado desde o primeiro encontro até o trágico acidente aéreo de 1999. Pidgeon adota um tom contido, buscando humanizar a figura de Carolyn sem cair em idolatria. Já Nivola trabalha nuances entre o ícone político e o homem privado, equilibrando charme e vulnerabilidade.
Embora elogiada por parte da crítica — a série exibe 80% de aprovação no Rotten Tomatoes —, a performance de Hemingway como Daryl Hannah virou um ponto sensível. Segundo a própria homenageada, o texto entrega falas que jamais disse e comportamentos que nunca teve, como suposto uso de cocaína ou piadas sobre a morte de Jacqueline Kennedy Onassis.
Acusações de misoginia e ameaças
Em sua coluna, Hannah revela ter sido chamada de “adversária” por um produtor de Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette. A atriz considera o termo ofensivo e típico de uma visão que opõe mulheres para valorizar uma delas. “É misógino derrubar uma mulher para exaltar outra”, escreveu.
Desde a estreia, ela afirma receber “muitas mensagens hostis e até ameaçadoras”. A ex-namorada de JFK Jr. também reforça que nunca plantou notas na imprensa nem agiu para sabotar o romance do ex-companheiro com Carolyn. A polêmica reacende o debate sobre responsabilidade na dramaturgia baseada em fatos reais, algo que já pairava sobre outras obras de Ryan Murphy, produtor executivo da série.
Direção e roteiro sob debate
Love Story conta com episódios dirigidos por Max Winkler, Anthony Hemingway, Crystle Roberson Dorsey, Gillian Robespierre e Jesse Peretz. À frente dos roteiros, Connor Hines assina a criação ao lado de D.V. DeVincentis, Juli Weiner e Kim Rosenstock. Em entrevistas, Hines declarou preferir “manter distância” da família Kennedy para se sentir mais livre na escrita, abordagem que agora é questionada pela quantidade de fatos contestados.
A estratégia de dramatizar eventos íntimos, potencializando conflitos, lembra a de produções recentes de Murphy. O público que acompanha Salada de Cinema já viu dinâmicas parecidas discutidas em títulos como Monster — criticado pelo mesmo viés de sensacionalismo. A repetição do recurso levanta dúvidas sobre o limite entre licença poética e distorção histórica.
Imagem: Divulgação
Recepção do público e continuidade da série
Mesmo sob fogo cruzado, Love Story segue com notas respeitáveis: 76% de aprovação do público no Rotten Tomatoes. Há quem enxergue exagero dramático, mas os comentários positivos destacam ritmo envolvente e reconstituição de época cuidadosa. Jack Schlossberg, sobrinho de JFK Jr., porém, já classificou o projeto como “grotesco”.
Faltam apenas três episódios para o desfecho, e a emissora não sinaliza mudanças ou edições de conteúdo. Novos capítulos vão ao ar às quintas-feiras pelo FX e pelo FX on Hulu, mantendo a curiosidade de espectadores que querem saber como a minissérie lidará com os momentos finais do casal mais midiático dos anos 1990.
Vale a pena acompanhar Love Story?
Para quem aprecia tramas biográficas carregadas de emoção, Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette oferece atuações sólidas e direção elegante, ainda que tropece na fidelidade histórica — ponto central da queixa de Daryl Hannah. O espectador deve entrar consciente de que o romance real foi filtrado por escolhas criativas, por vezes mais próximas do melodrama do que do registro documental.
Se a discussão sobre representatividade feminina e ética na ficção histórica lhe interessa, a minissérie rende material de sobra para análise. Porém, quem busca apenas um retrato fiel dos fatos talvez termine a sessão com perguntas sem resposta.
Controvérsias à parte, títulos que deformam biografias não são novidade no universo televisivo; basta lembrar a recente crítica de Rooster, que também discute a linha tênue entre comédia e drama baseado em experiências reais. Com Love Story, o FX acrescenta mais um capítulo a esse debate sobre o quanto a ficção pode, ou deve, reinventar a vida alheia.









