O prelúdio de Onze Homens e um Segredo, produzido pela Warner Bros. em parceria com a LuckyChap de Margot Robbie, acaba de sofrer uma baixa de peso. O cineasta Lee Isaac Chung, indicado ao Oscar por Minari, deixou a direção alegando divergências criativas.
A despedida, anunciada oficialmente, ocorre poucos meses antes do início previsto das filmagens e força o estúdio a acelerar a busca por um novo nome capaz de comandar a releitura da popular franquia.
Indicado ao Oscar, Lee Isaac Chung se afasta do projeto
Chung, celebrado pela sensibilidade com que retratou questões familiares em Minari, havia sido contratado para injetar frescor na saga de Danny Ocean. Segundo a Warner, porém, “as visões artísticas seguiram caminhos diferentes”, levando a uma saída que, apesar de repentina, foi descrita como cordial.
Fontes internas relatam que a decisão foi tomada em comum acordo, sem crises públicas ou trocas de farpas. Para um filme centrado em charme, astúcia e ritmo, a escolha de um diretor com assinatura própria era vista como trunfo; agora, a lacuna precisa ser preenchida rapidamente para manter o cronograma.
Clima amistoso marca a saída e mantém pontes abertas
O porta-voz do estúdio reforçou que não há ressentimentos. “Foi uma separação amigável por diferenças criativas”, declarou, destacando o respeito mútuo entre as equipes da Warner e da LuckyChap. A valorização pública de Chung indica que portas permanecem abertas, cenário parecido ao ocorrido recentemente em produções como A Noiva!, que também precisou se reorganizar após reações internas.
No Salada de Cinema acompanhamos movimentos assim com frequência: quando o tom do roteiro não conversa plenamente com a visão de direção, a troca se torna o caminho menos doloroso. Aqui não foi diferente. Apesar do contratempo, o prelúdio continua listado como prioridade, inclusive enquanto a Warner conclui seu acordo corporativo com a Paramount.
Roteiro de Carrie Solomon promete fidelidade ao original
Com a cadeira de direção vaga, o roteiro assinado por Carrie Solomon permanece intacto. A escritora, revelada em comédias de caráter leve, foi encarregada de revisitar os personagens criados por George Clayton Johnson e Jack Golden Russell no longa de 1960. A ideia central é mostrar os primeiros golpes que definiram Danny Ocean e companhia, antes mesmo das versões estreladas por Frank Sinatra e, décadas depois, George Clooney.
Imagem: Divulgação
O compromisso de Solomon, de acordo com fontes próximas, é manter o charme de Las Vegas e a dinâmica de um grupo que alia camaradagem a ambição. Esse equilíbrio foi o que transformou Onze Homens e um Segredo em clássico do subgênero “heist movie”. Caso a busca por um novo cineasta respeite essa atmosfera, a expectativa é que o prelúdio encontre o mesmo tom descontraído, mas sofisticado, que permeia a franquia.
Legado do elenco clássico influencia o prelúdio
O filme original, lançado em 1960 sob direção de Lewis Milestone, reuniu a santíssima trindade do Rat Pack — Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr. — em papéis que definiram a essência “cool” da cultura pop da época. O veterano Sinatra era Danny Ocean; Martin, Sam Harmon; e Davis Jr., Josh Howard. Ainda integravam o time nomes como Peter Lawford, Angie Dickinson e Cesar Romero.
Ao revisitar esse universo, o prelúdio carrega a responsabilidade de honrar interpretações que se tornaram referência para narrativas de assalto cinematográfico. A combinação de humor, música e audácia, reforçada pela ambientação na virada de ano em Las Vegas, estabeleceu um padrão que Hollywood volta e meia tenta replicar. Assim, qualquer elenco contemporâneo inevitavelmente será comparado a esses ícones, o que exige do futuro diretor uma condução que equilibre nostalgia e frescor.
Ainda não existem detalhes sobre quais personagens retornarão ou ganharão novas versões. Porém, a permanência do texto de Solomon indica que a linha narrativa continuará próxima ao material de origem, algo que fãs valorizam e que costuma criar pontes emocionais entre gerações de espectadores.
Vale a pena ficar de olho no prelúdio de Onze Homens e um Segredo?
Mesmo sem diretor definido e sem data de estreia, o projeto segue no radar por reunir a influência cultural do original, o prestígio de Margot Robbie na produção e a aposta em um roteiro que promete respeitar a essência de Danny Ocean. Para quem acompanha bastidores e admira filmes de assalto charmosos, a próxima escolha de comandante criativo será decisiva. Enquanto isso, o público permanece atento às cartas que a Warner ainda tem na manga.









