O universo de Naruto sempre foi celebrado pela construção de mundo minuciosa de Masashi Kishimoto. Elementos como chakra, selos de mão e naturezas elementares tornaram-se referência para outros mangás de ação.
Com a reta final de Boruto: Naruto Next Generations, porém, surgiu o shinjutsu. O conceito, apresentado no capítulo 75 do mangá, mexeu nas engrenagens que sustentavam a escala de força da franquia e abriu um debate intenso entre os fãs.
A base tradicional de poder: do chakra ao controle absoluto
Desde o início de Naruto, a regra era clara: quem domina melhor o chakra vence. Existiam diferenças de reservas, é verdade, mas o treinamento de controle decidia confrontos. Não por acaso, personagens com menor quantidade de energia – como Sakura ou Kakashi – alcançavam feito notável graças à eficiência de uso.
Ao longo da série, essa lógica só foi expandida. Novos tipos de chakra apareceram – Senjutsu, Seis Caminhos, Bestas com Cauda – sem derrubar a estrutura original. Até mesmo as cinco transformações elementares (Fogo, Vento, Relâmpago, Terra e Água) funcionavam como camadas extras, não como substitutas da fundação.
Três pilares de técnica: ninjutsu, genjutsu e taijutsu
Com chakra em mãos, shinobi executavam jutsu por meio de selos. O taijutsu dependia quase só de força física, o genjutsu criava ilusões ao manipular o sistema sensorial do oponente, e o ninjutsu abrangia todo o resto. Mesmo técnicas sem selos, como o Rasengan, continuavam classificadas como ninjutsu, apenas exigindo maior controle.
Dentro desse modelo, a série manteve equilíbrio entre inteligência estratégica, capacidade física e volume de chakra. Personagens de clãs distintos – Hyuga, Uchiha, Uzumaki – podiam se enfrentar sem que a luta parecesse injusta.
Chega o shinjutsu: técnica “divina” dos Otsutsuki
Boruto introduz o termo shinjutsu para designar habilidades que, segundo Amado Sanzu, representam a forma “pura” que o ninjutsu tenta imitar. Essas técnicas não dependem de selos de mão e surgem apenas em membros do clã Otsutsuki ou em quem recebeu seu DNA, caso de Kawaki e, potencialmente, do próprio Boruto.
Omnipotence, Senrigan, Kama e Sukunahikona são exemplos mostrados até agora. O impacto é brutal: enquanto um shinobi comum precisa treinar anos para dominar a Liberação de Fogo, um usuário de shinjutsu altera memórias coletivas ou encolhe objetos ao nível subatômico com um estalar de dedos.
Imagem: Divulgação
A comparação lembra a escalada de transformações em Dragon Ball, cujos povos mais poderosos já foram ranqueados nesta lista. A sensação de “deus ex machina” ronda cada nova aparição de um Otsutsuki alimentado por Frutos de Chakra.
Consequências para a narrativa e o elenco criativo
Do ponto de vista dramático, a distância entre “mortais” e “deuses” afeta a tensão dos combates. Se Sarada ou Mitsuki jamais alcançarão feitos de Omnipotence, o envolvimento emocional do público com lutas paralelas pode cair. Kishimoto, agora roteirista principal após assumir o mangá em 2020, terá de equilibrar estes níveis para evitar que a jornada de crescimento de Boruto perca sentido.
No anime, o desafio recai sobre o time de diretores rotativos do estúdio Pierrot, que inclui Yusuke Onoda e Tazumi Mukaiyama, além do roteirista-chefe Masaya Honda. A tradução desse poder quase ilimitado em cenas dinâmicas, mas compreensíveis, exigirá criatividade semelhante à vista no episódio 11 de No Tail To Tell, onde a direção apostou em ritmo ágil para lidar com revelações fortes.
Vale a pena assistir?
Para quem acompanha a franquia desde Naruto Clássico, Boruto: Naruto Next Generations continua essencial, pois amplia a mitologia criada por Kishimoto e coloca novos dilemas em jogo. Ainda que o shinjutsu crie um fosso entre camadas de poder, a curiosidade de ver como Kawaki e Boruto lidarão com técnicas “divinas” mantém a chama acessa.
Além disso, o acesso fácil aos 293 episódios na Crunchyroll oferece material suficiente para novos fãs entenderem cada peça do tabuleiro. Em um cenário onde genin já exibiam força digna de Hokage – caso de exemplos comentados aqui –, descobrir que há níveis ainda mais altos pode ser justamente o tempero que faltava ao Salada de Cinema.









