Chegou ao fim a primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos (A Knight of the Seven Kingdoms), adaptação da HBO para as novelas “Contos de Dunk & Egg”, de George R.R. Martin. Em seis capítulos, a produção apostou em escala menor, heróis imperfeitos e muito coração, escapando do tom épico e lúgubre que consagrou Game of Thrones.
Com a poeira da arena baixando, reunimos neste ranking — direto e sem rodeios — tudo que funcionou (ou nem tanto) em cada episódio. A ordem respeita a recepção geral e o impacto narrativo, mas, verdade seja dita, todos entregam algo de valor para quem ama Westeros.
Diferentes rumos dentro do mesmo universo
O showrunner Ira Parker, ao lado de George R.R. Martin no roteiro, traduziu para a TV uma aventura intimista, quase agridoce. Os diretores, liderados por Owen Harris, enxugaram explosões e dragões para privilegiar duelos justos, conversas à sombra de tendas e pequenos gestos de honra. Foi uma lufada de ar fresco depois de tanta traição e fogo-vivo.
Nesse cenário, o elenco carrega o fardo dramático. Peter Claffey convence como Dunk, cavaleiro alto, desajeitado e dono de um código moral que já nasce fora de época. Dexter Sol Ansell faz de Egg o escudeiro mais travesso de toda a linhagem Targaryen, enquanto Bertie Carvel (Baelor) e Sam Spruell (Maekar) completam a realeza com camadas inesperadas.
Como chegamos ao ranking
A lista considera ritmo, relevância para a trama, construção de personagens e, claro, o espetáculo visual. Também pesamos o trabalho de direção de arte e a química entre Dunk & Egg, eixo emocional da série. O resultado é uma escadinha que vai do “muito bom” ao “imperdível”.
Importante lembrar: mesmo o último colocado oferece ótima TV, só não atinge o mesmo brilho dos demais. Caso busque algo mais sombrio depois da maratona, vale conferir algumas séries de terror que você vai querer rever, dica que combina bem com o clima medieval.
Ranking dos episódios de O Cavaleiro dos Sete Reinos
- In the Name of the Mother (episódio 5) – O julgamento dos sete domina a tela com coreografia afiada, mas são os flashbacks sobre a infância de Dunk e sua amizade com Rafe que roubam a cena. O roteiro expõe o ideal de cavalaria do protagonista sem soar piegas, enquanto a direção dosa ação e melancolia na medida.
- The Squire (episódio 3) – Começa com o cotidiano descontraído de Dunk e Egg, avança para justas eletrizantes e termina num choque brutal quando Aerion quebra os dedos de Tanselle. A revelação da identidade de Egg surge leve, quase cômica, graças ao timing dos atores e à música esperta.
- Seven (episódio 4) – Prende o público ao transformar um veredito inevitável em espetáculo: o duelo de sete contra sete. A caça a aliados para Dunk lembra filme esportivo, coroado por um campeão surpresa e pela trilha de Game of Thrones que arrepia.
- The Morrow (episódio 6) – O dia seguinte nunca foi tão bem retratado. Vitória, luto e compromissos políticos se misturam enquanto Maekar e Dunk decidem o destino de Egg. Sam Spruell entrega momentos sutis que escancaram o peso do sangue Targaryen.
- The Hedge Knight (episódio 1) – Pilot divertido, ainda que tropece em exposição. A quebra abrupta do tema clássico por humor de latrina anuncia o tom mais leve. Destaque para Daniel Ings, que transforma Lyonel Baratheon em rei da pista num baile medieval.
- Hard Salt Beef (episódio 2) – Fica na lanterna por continuar a ambientação sem o frescor da estreia. O flashback de Ser Arlan parece deslocado, mas o episódio brilha nas justas e na expressão de pavor que Claffey estampa sob o elmo ao encarar o que significa ser cavaleiro.
Destaques de atuações, direção e roteiro
A maior virtude da temporada é o entrosamento entre Claffey e Ansell. A relação de mestre e escudeiro cresce em cena, embalada por diálogos simples que revelam a vulnerabilidade de ambos. Finn Bennett, como Aerion, injeta arrogância venenosa, garantindo antagonismo sem precisar de batalhas grandiosas.
Imagem: Divulgação
Na direção, Owen Harris sabe quando inverter expectativas. Em vez de épicos campais, ele enquadra close-ups que capturam suor, poeira e tremor nos olhos dos combatentes. Assim, cada golpe de lança parece pessoal. O roteiro de Parker e Martin mantém a narrativa enxuta, mas recheada de pequenos símbolos – a flor dada a Tanselle, o escudo lascado de Dunk – que pesam mais que coroas.
A fotografia opta por tons quentes durante o dia, ressaltando a alegria quase rural do torneio, e escurece quando a honra é posta à prova. Já o desenho de produção recicla escudos, lonas e armaduras para acentuar a vida itinerante de um hedge knight, detalhe que reforça a coerência visual.
Para quem gosta de rankings, o Salada de Cinema mantém outra lista curiosa: episódios de Seinfeld que ainda superam qualquer sitcom atual. O formato de seleções é ótimo para revisitar clássicos ou descobrir joias escondidas.
Vale a pena assistir?
O Cavaleiro dos Sete Reinos encerra seu primeiro ano provando que ainda há espaço em Westeros para histórias de bondade teimosa. Se você procura diálogos afiados, duelos íntimos e personagens que escolhem a honra mesmo sabendo que ela cobra caro, esta minissérie entrega tudo isso em seis capítulos enxutos e vibrantes.









