O futuro de The Last of Us na HBO voltou a ficar nebuloso. Depois de uma segunda temporada que dividiu fãs e crítica, surgem sinais de que a série pode se despedir já no terceiro ano. A principal razão está fora do mundo pós-apocalíptico: Craig Mazin, cérebro criativo da adaptação, foi escalado para comandar outra superprodução.
O roteirista e showrunner assumiu o desafio de levar Baldur’s Gate para a TV. O projeto, baseado no lendário RPG, promete longa pesquisa de mitologia, equipes gigantes e agenda apertada. Com isso, a permanência de Mazin além da terceira temporada de The Last of Us parece cada vez menos viável.
Craig Mazin abraça Baldur’s Gate e acende alerta nos bastidores de The Last of Us
Desde Chernobyl, Mazin se consolidou como um dos nomes mais requisitados da televisão premium. Ao aceitar desenvolver Baldur’s Gate, o roteirista adiciona horas de sala de roteiro, consultas a lore de Dungeons & Dragons e provável temporada de filmagens complexas. Fontes internas apontam que a HBO quer o showrunner à frente de cada detalhe, repetindo o modelo de controle criativo que deu certo em The Last of Us.
Essa sobrecarga torna improvável que ele tenha fôlego para supervisionar uma hipotética quarta temporada. Casey Bloys, diretor de conteúdo da emissora, já admitiu publicamente que a decisão final costuma partir dos criadores. Nas entrelinhas, Bloys afirmou que “parece” que a série fechará a história no terceiro ano — indício forte de alinhamento entre chefia e showrunner.
Elenco mantém a chama acesa: análise das atuações de Pedro Pascal e Bella Ramsey
Ainda que o bastidor sinalize despedida, a força de The Last of Us segue no elenco. Pedro Pascal interpreta Joel com um cansaço melancólico que sublinha cada decisão moral do personagem. O ator alterna silêncios carregados e explosões de violência, garantindo nuances que evitam o risco de transformar o sobrevivente apenas em anti-herói padrão.
Bella Ramsey, por sua vez, ganhou liberdade na segunda temporada para explorar a vulnerabilidade de Ellie. A atriz transita entre a ferocidade juvenil e a culpa crescente, criando camadas que mantêm o público investido. Mesmo as polêmicas em torno do arco de Abby não ofuscaram a química da dupla principal, que sustenta a carga emocional da série. Registro semelhante foi visto quando Andor transformou Star Wars em drama político, provando como performances sólidas podem segurar um roteiro arriscado.
Roteiro dividido: desafios de condensar The Last of Us Part II em uma só temporada
A Parte II do game sempre foi campo minado para adaptação. O material original alterna pontos de vista, salta no tempo e introduz novos protagonistas. Até aqui, Mazin e Neil Druckmann optaram por sete episódios para a segunda temporada, dedicados basicamente à trajetória de Abby, vivida por Kaitlyn Dever. A recepção mista deixou lição clara: a série precisa equilibrar novidade com o apego do público a Joel e Ellie.
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Para a terceira temporada, já em pré-produção, a equipe promete o ano mais longo da série. A ideia é intercalar a jornada de Abby com flashbacks de Dina, Jessie e, claro, de Joel. A aposta lembra o que a produção fez com Bill e Frank: episódios autônomos que ampliam o universo sem quebrar a linha central. A dúvida é se haverá tempo suficiente para alcançar o clímax em Santa Bárbara sem parecer apressado.
Estrategicamente, a HBO pode optar por encerrar no auge
Com audiências ainda positivas — embora inferiores às do primeiro ano — a sensação de desgaste paira sobre o drama zumbi. Alongar a história exigiria ou dividir novamente a narrativa, ou inventar arcos inéditos, risco de diluir a intensidade que marcou a estreia. Terminar forte, em uma terceira temporada robusta, pode preservar a reputação que Salada de Cinema costuma apontar como decisiva no atual mercado de streaming.
Além disso, a sincronia entre produção e mercado favorece o encerramento. Mazin migra para Baldur’s Gate, Pascal tem agenda cheia no cinema e Ramsey já negocia novos projetos. Substituir parte desse time seria custoso e, sobretudo, inseguro em termos criativos. O próprio histórico da HBO mostra exemplos de saídas traumáticas quando showrunners trocam de série no meio do caminho.
Vale a pena continuar de olho em The Last of Us?
Mesmo com a perspectiva de adeus, The Last of Us ainda reúne elenco afiado, direção consistente e ambientação que transformou cenários devastados em espetáculo visual. Se a terceira temporada conseguir alinhar os fios soltos, a série tem chance de fechar como adaptação referencial de videogame. Para quem acompanha a jornada de Joel e Ellie desde 2023, restam grandes emoções antes de o controle passar definitivamente para Baldur’s Gate.



