Caleb McLaughlin e David Harbour trocaram o sobrenatural de Hawkins por um estádio lotado de animais antropomórficos em GOAT, longa animado que já conquistou a crítica especializada antes mesmo de chegar às salas brasileiras em 13 de fevereiro de 2026.
Com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme confirma o bom momento da Sony Pictures Animation e coloca a performance do elenco de voz no centro dos elogios. A seguir, o Salada de Cinema destrincha como cada peça — dos atores ao visual — colaborou para esse início promissor.
Elenco se reencontra após Stranger Things
Em GOAT, Caleb McLaughlin empresta carisma ao jovem bode Will Harris, um atleta novato que recebe chance única de disputar o feroz “roarball”. Ao lado dele, David Harbour dá voz ao treinador Archie Everhardt, figura paternal que mistura dureza e humor na medida, recriando parte da química que conquistou o público em Stranger Things.
O elenco ainda reúne nomes de peso: Gabrielle Union interpreta a comentarista Jett Fillmore, Jenifer Lewis assume a experiente Florence Everson, enquanto Nicola Coughlan, destaque de Bridgerton, colore o elenco de apoio. A participação do astro da NBA Stephen Curry, aqui como produtor e dublador de um craque das quadras, acrescenta autenticidade ao universo esportivo.
Críticos apontam que McLaughlin sustenta boa parte da narrativa na voz, equilibrando ingenuidade e coragem. Harbour, por sua vez, entrega camadas de afeto no treinador sisudo, lembrando que seu tempo cômico em projetos adultos também funciona na animação familiar.
Quem acompanha debates sobre dublagem — como ocorreu recentemente com The Garfield Movie e a escalação de Chris Pratt — encontra em GOAT um exemplo de casting que evita polêmicas: as vozes casam com os tipos, reforçando emocionalidade sem soar artificiais.
Direção e roteiro apostam em fórmula esportiva
Tyree Dillihay, vindo da televisão, faz sua estreia em longas comandando uma história que abraça pilares clássicos de filmes de esporte: protagonista subestimado, treinamento árduo, grande final. O trio de roteiristas Aaron Buchsbaum, Teddy Riley e Nicolas Curcio não disfarça referências, mas utiliza essas convenções como atalho para desenvolver conflitos diretos e acessíveis.
O resultado, segundo primeiras análises, é um ritmo que raramente desacelera nos 93 minutos de duração. Mesmo diante de clichês, GOAT encontra frescor ao inserir humor físico, gírias modernas e pequenos comentários sobre desigualdade no esporte. Nada soa panfletário; o texto prefere leveza, mantendo o foco na jornada do jovem bode rumo ao autoconhecimento.
A estratégia ecoa acertos de produções que revisitam gêneros conhecidos sem medo de abraçar sua própria fórmula. Caso semelhante ocorreu com a nova adaptação de Wuthering Heights, que também soube equilibrar tradição e inovação para agradar crítica e público.
Animação mantém padrão visual da Sony
Desde Homem-Aranha no Aranhaverso, a Sony Pictures Animation acostumou os fãs a estilos gráficos arrojados. GOAT segue a linhagem: texturas que lembram rabiscos de mesa de escola, cores vibrantes e transições que simulam painéis de quadrinhos são usadas para injetar energia nas partidas de roarball.
Imagem: Divulgação
Os movimentos dos jogadores, inspirados tanto em basquete quanto em futebol americano, contam com câmera dinâmica e profundidade de campo generosa, criando sensação de velocidade. Essa identidade visual levou alguns críticos a traçarem paralelos com KPop Demon Hunters, outra produção do estúdio que viralizou no streaming.
Importante notar que, apesar de compartilhar a base “animais falantes” com Zootopia 2, a direção de arte de GOAT aposta em fisionomias mais caricatas e proporções exageradas para diferenciar cada espécie. Assim, o bode protagonista contrasta fortemente com felinos musculosos ou rinocerontes massivos, algo que favorece leituras visuais rápidas sobre hierarquia e tensão em campo.
Recepção inicial no Rotten Tomatoes e expectativas comerciais
Com 20 críticas computadas, a taxa de 80% no Rotten Tomatoes sugere vantagem inicial, mas especialistas enfatizam que o caminho financeiro costuma ser mais complexo para animações originais. A projeção de estreia em torno de US$ 30 milhões coloca GOAT entre apostas medianas, distantes dos recordes bilionários alcançados por IPs já estabelecidas.
O orçamento permanece em sigilo, porém comparações internas indicam algo entre os US$ 90 e 120 milhões — patamar similar a outros projetos da Sony. Se repetir a estratégia utilizada no lançamento de Spider-Man: Across the Spider-Verse, o estúdio deve investir em campanhas de marketing focadas em redes sociais e parcerias esportivas.
Vale lembrar que decisões de distribuição podem alterar rumos comerciais. KPop Demon Hunters, por exemplo, ganhou força ao chegar direto ao streaming. Já o corte integral de Kill Bill, anunciado recentemente com data para VOD após 19 anos de espera, mostra que a janela correta impacta alcance e receita.
Vale a pena assistir GOAT?
O consenso inicial da crítica observa que GOAT entrega humor acessível, cenas de ação surpreendentemente intensas para uma animação e um elenco de voz em sintonia. As performances de Caleb McLaughlin e David Harbour aparecem como principal ponto de atração, reforçando o reencontro dois anos depois do encerramento de Stranger Things.
Somam-se a isso a direção segura de Tyree Dillihay e um roteiro que, mesmo familiar, utiliza a fórmula de superação esportiva a favor de ritmo constante. A atmosfera visual vibrante coaduna com a reputação da Sony em animações inovadoras, agradando a espectadores exigentes por novidades gráficas.
Quem busca entretenimento leve, inspirado e com diálogos afiados tem bons motivos para incluir GOAT na lista de estreias de 2026. A recepção positiva sugere que o longa pode crescer no boca a boca, especialmente junto a famílias e fãs de esportes, consolidando outra vitória para a divisão animada da Sony.









