Depois de surpreender o público com um humor escancarado e faturar mais de US$ 100 milhões nas bilheterias globais, The Naked Gun (2025) tornou-se um dos títulos mais comentados da comédia recente. Mesmo assim, o astro Liam Neeson confessou que ainda não recebeu qualquer ligação do estúdio sobre uma continuação.
Em entrevista concedida enquanto divulgava o thriller Cold Storage, o ator declarou que toparia vestir novamente o distintivo de Frank Drebin Jr., desde que o roteiro mantenha o nível e os colegas Pamela Anderson e Danny Huston também retornem. A ausência de movimentos da Paramount, porém, coloca um ponto de interrogação no horizonte da franquia.
A atuação de Liam Neeson: da ação ao pastelão sem perder a elegância
Conhecido por dramas como A Lista de Schindler e por thrillers de ação como Busca Implacável, Liam Neeson aterrissou em The Naked Gun com uma tarefa ingrata: suceder o lendário Leslie Nielsen no comando do caos. Surpreendentemente, o irlandês encontrou equilíbrio entre o carisma austero que o consagrou e a veia cômica necessária para o papel.
No longa dirigido por Akiva Schaffer, Neeson interpreta o desastrado detetive que, apesar da total falta de noção, sempre chega a conclusões brilhantemente equivocadas. A graça surge exatamente desse contraste: a voz grave e postura firme do ator convivem com gags físicas, frases sem noção e situações absurdas. O resultado foi elogiado pela crítica, refletindo-se nos 87% de aprovação do Rotten Tomatoes.
Química com o elenco de apoio sustenta o ritmo de piadas
Pamela Anderson assume o papel de Beth Davenport, interesse romântico e parceira involuntária das atrapalhadas de Drebin. A atriz, famosa por Baywatch, entrega timing cômico afiado, especialmente em cenas que brincam com sua persona pública. Já Danny Huston, na pele do antagonista de fala mansa e intenções nada nobres, acrescenta uma pitada de sofisticação ao humor nonsense.
A dinâmica entre o trio garante combustível para o roteiro concebido por Schaffer, Doug Mand e Dan Gregor, com contribuição dos veteranos Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker — criadores do original. Huston, em especial, funciona como contraponto cínico ao otimismo ingênuo de Drebin Jr., enquanto Anderson demonstra que sabe rir de si mesma. Essa mistura de estilos dispara piadas a cada poucos segundos, uma marca registrada da série.
Direção de Akiva Schaffer mira na nostalgia sem sacrificar frescor
Uma das principais discussões em torno de The Naked Gun era como revitalizar o humor físico e as paródias de 1988 sem parecer datado. Akiva Schaffer, nome por trás de esquetes clássicas do Saturday Night Live, optou por preservar a estrutura de tira desastrado investigando um complô improvável, mas temperou a narrativa com referências contemporâneas e ritmo mais enxuto — o filme tem ágeis 85 minutos.
O diretor também priorizou cenários práticos e coreografias de humor visual, evitando o excesso de tela verde que poderia engessar o timing. Esse cuidado, aliado à montagem pontual, faz com que a produção converse tanto com fãs antigos quanto com quem descobriu a franquia agora. A estratégia lembra o que outros cineastas têm feito para revisitar mitos, como o anunciado The Death of Robin Hood, de Hugh Jackman, que promete equilibrar legado e reinvenção.
Imagem: Divulgação
Roteiristas veteranos garantem a essência da piada infinita
Jim Abrahams e os irmãos Zucker, responsáveis pelo clássico Apertem os Cintos… e pelo trio original de Naked Gun, atuaram como consultores e coautores. Ao lado deles, Doug Mand e Dan Gregor trouxeram frescor de comédias recentes. O encontro de gerações se reflete nos trocadilhos infames que convivem com comentários sobre redes sociais, aplicativos e a cultura de celebridades.
A presença desses roteiristas ajuda a explicar o bom desempenho do longa: são US$ 52 milhões arrecadados apenas nos EUA, ultrapassando a barreira dos US$ 101 milhões mundialmente. O valor é expressivo para uma comédia de orçamento modesto e reforçou discussões sobre sequência. Ainda assim, a compra recente da Paramount por novos investidores esfriou decisões de médio prazo, segundo o próprio Schaffer.
Vale a pena assistir a The Naked Gun?
Para quem aprecia humor físico temperado com trocadilhos, The Naked Gun surge como retorno divertido a uma era em que piadas visuais dominavam o cinema. Liam Neeson mostra versatilidade ao brincar com a própria imagem de durão, e Pamela Anderson confirma que entende o timing cômico necessário para paródias.
O roteiro frenético não dá espaço para tédio. Embora algumas gags possam parecer familiares, o diálogo constante entre nostalgia e referências atuais mantém o filme leve. A direção segura de Akiva Schaffer evita excessos e faz a história avançar sem atropelos, mantendo viva a essência de Frank Drebin.
Mesmo sem confirmação de The Naked Gun 2, o capítulo de 2025 se sustenta sozinho como homenagem respeitosa a Leslie Nielsen e como prova de que a comédia pastelão ainda encontra público. No Salada de Cinema, a repercussão positiva indica que, caso a Paramount dê sinal verde, há terreno fértil para que Neeson, Anderson e Huston retornem a esse universo de trapalhadas investigativas.









