A aguardada – e desde cedo polêmica – produção Melania chegou às salas norte-americanas em 30 de janeiro de 2026. O documentário de 104 minutos, dirigido por Brett Ratner e orçado em US$ 75 milhões, pretendia mostrar a rotina de Donald e Melania Trump nos bastidores do possível retorno à Casa Branca. O resultado, porém, foi um consenso negativo entre críticos, que derrubaram a nota do filme para escassos 8% no Rotten Tomatoes.
Salada de Cinema acompanhou a repercussão inicial e reúne, a seguir, os principais pontos levantados pela imprensa especializada: das escolhas estéticas às atuações do casal protagonista, passando pelo impacto da direção assinada por Ratner.
Direção de Brett Ratner divide opiniões desde o anúncio
Anunciado em plena corrida eleitoral, o documentário Melania atraiu olhares desconfiados assim que Brett Ratner – afastado dos grandes estúdios desde 2017 – foi confirmado na cadeira de diretor. Os críticos destacam que o cineasta, conhecido por sucessos comerciais como Hora do Rush, buscou aqui uma abordagem híbrida: parte making of, parte reality show. O registro alterna imagens de arquivo, entrevistas coreografadas e bastidores de campanhas, mas peca pela ausência de uma linha narrativa clara.
No corte final, a montagem se estende por longos blocos de diálogos aparentemente improvisados. Há quem enxergue paralelos com projetos recentes que também apostaram em edições extensas; o caso de The Equalizer, que saiu do streaming gratuito, chegou a ser citado por analistas como exemplo de ritmo melhor resolvido. Em Melania, a sensação predominante é de dispersão, o que torna o convite ao espectador uma tarefa árdua.
Performance do casal Trump: presença forte, mas sem profundidade
Por ser um documentário guiado por imagem real, não há interpretações ficcionais, e sim a versão que Donald e Melania Trump autorizam mostrar de si mesmos. Críticos apontam que a ex-primeira-dama, foco do projeto, surge impecavelmente produzida em quase todas as cenas, reforçando a ideia de controle estético sobre cada quadro. A aparência “impecável”, elogiada pelo London Evening Standard, contrasta com a ausência de momentos de vulnerabilidade, o que poderia humanizar a protagonista.
Donald Trump, por sua vez, assume um papel coadjuvante, aparecendo em reuniões estratégicas e encontros familiares. Embora carismático para sua base, o ex-presidente raramente é questionado no filme. A falta de confrontos diretos faz a narrativa soar como propaganda, rótulo repetido em resenhas do The Atlantic e do The Guardian, que classificaram a obra como “desesperada” e “lixo”.
Roteiro e montagem: quando a narrativa não encontra seu eixo
Com roteiro assinado pelo próprio Ratner em parceria com Fernando Sulichin e Marc Beckman, Melania tenta levar o espectador a compreender as pressões de ocupar de novo o papel de primeira-dama. A ideia de “retorno à política após quatro anos de hiato” aparece, mas não se aprofunda. Entrevistas com assessores, estilistas e familiares surgem, muitas vezes, sem contextualização, deixando lacunas sobre decisões importantes – como a escolha do staff ou o planejamento de campanhas sociais.
A ausência de vozes dissidentes também pesa. Não há analistas, membros da imprensa ou opositores políticos que ofereçam contrapontos. Em tempos de busca por narrativas plurais, essa lacuna joga contra o engajamento do público e explica parte da recepção fria. Vale lembrar que mesmo produções de época, como o thriller The Weight, conseguem equilibrar pontos de vista antagônicos para sustentar tensão dramática. Aqui, a decisão de manter tudo “dentro de casa” resulta em pouco conflito.
Imagem: Divulgação
Reação da crítica: notas baixas e relatos de frustração
O primeiro sinal de que Melania enfrentaria maré contrária surgiu antes mesmo da estreia comercial. A Amazon, distribuidora, vetou a entrada de veículos tradicionais na sessão do Kennedy Center, gerando especulação sobre a qualidade do material. Quando, enfim, a imprensa teve acesso ao longa, as notas despencaram rapidamente: 8% de aprovação no Rotten Tomatoes e 1/10 no IMDb.
Os comentários mais duros vieram dos jornais britânicos. O Guardian chamou o filme de “endless hell”, enquanto The Atlantic o rotulou como “disgrace”. Já o London Evening Standard adotou tom mais contido, atribuindo 3 de 5 estrelas e destacando a “beleza estonteante” de Melania aos 55 anos. Mesmo assim, o elogio não foi suficiente para equilibrar a balança.
Vale a pena assistir a Melania?
A resposta, segundo a crítica especializada, dependerá do grau de interesse do espectador no universo Trump. Para analistas que buscam profundidade política, a produção deixa lacunas e evita temas espinhosos. Quem aprecia trabalhos centrados em bastidores poderá encontrar curiosidades sobre figurinos, cerimoniais e pequenas rotinas familiares.
Em termos técnicos, a direção de Brett Ratner apresenta boa fotografia e acesso privilegiado, mas esbarra na montagem dispersa e na falta de voz autoral. O casal protagonista performa com naturalidade calculada, reforçando a imagem pública que já domina as redes.
Melania segue em cartaz em circuito limitado, e a expectativa é de que o debate em torno de sua nota no Rotten Tomatoes continue influenciando a bilheteria nas próximas semanas. A distribuidora ainda não divulgou data de lançamento em streaming.



