Wonder Man desembarca no Disney+ mirando dois públicos ao mesmo tempo: fãs de super-heróis e apaixonados por bastidores de Hollywood. Em oito episódios, a série conduz o espectador por audições desastrosas, referências cinéfilas e participações especiais que pontuam cada capítulo.
O centro dessa jornada é a parceria improvável entre Simon Williams, vivido por Yahya Abdul-Mateen II, e Trevor Slattery, retornando ao MCU com o carisma peculiar de Sir Ben Kingsley. A produção, comandada por Destin Daniel Cretton e roteirizada por Andrew Guest, aposta nessa dupla para comentar o próprio processo de criação de mitos na indústria.
A força do elenco principal impulsiona a narrativa
Yahya Abdul-Mateen II interpreta Simon Williams como um aspirante a astro que equilibra vaidade profissional e um senso de ética que o coloca em conflito permanente com produtores. A performance ganha camadas cada vez que o roteiro recorda o passado familiar de Simon, sobretudo nos confrontos com a mãe Martha e o irmão Eric, apresentados pela primeira vez em live-action.
Ben Kingsley, por sua vez, retoma Trevor Slattery com o mesmo entusiasmo exibido em Homem de Ferro 3, mas, agora, o personagem ganha espaço para refletir sobre as consequências de ter incorporado o “Mandarim” em rede mundial. Cada aparição de Trevor gera comentários metalinguísticos — como quando ele nega envolvimento em teorias conspiratórias — e reforça a veia satírica que permeia Wonder Man.
Participações especiais e referências tecem o pano de fundo
Ao longo dos episódios, Wonder Man transforma Hollywood em um tabuleiro de easter eggs: Ashley Greene surge como ela mesma antes de uma cena ser cancelada; Joe Pantoliano vira antagonista de ocasião ao “roubar” um papel médico; e a produção exibe pôsteres de Kingo, Zaniac e até Young Frankenstein no lobby de um cinema local. Há ainda menções diretas a Dustin Hoffman, Julia Roberts, Leonardo DiCaprio e Christopher Nolan, compondo um mosaico de realidade e ficção.
Essa estratégia articula a série ao restante do MCU. O Departamento de Controle de Danos (DODC), visto em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e Ms. Marvel, torna-se peça-chave quando agentes começam a investigar os poderes iônicos de Simon. Até os Ten Rings, organização central em Shang-Chi, aparecem no vídeo improvisado por Trevor para desviar suspeitas.
Direção de Destin Daniel Cretton explora humor e ação em igual medida
Responsável por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, Cretton encontra em Wonder Man uma oportunidade de experimentar. Sequências de ação se alternam com ensaios de interpretação, como a montagem em que Simon e Trevor recitam monólogos de Rei Lear, As Vinhas da Ira e Amadeus. O contraste garante ritmo e destaca a proposta da série: discutir o ato de atuar enquanto entrega entretenimento de super-herói.
Imagem: Divulgação
A fotografia reforça essa dualidade. Nas cenas externas, Los Angeles surge com luz natural e cores saturadas, refletindo o glamour de audições e premières. Dentro dos estúdios, a iluminação fria lembra depósitos industriais, sublinhando a origem artificial de muitos sonhos hollywoodianos. Essa escolha visual ecoa análises que o Salada de Cinema já apresentou em artigos sobre produções que investigam o próprio meio, como Andor.
Roteiro de Andrew Guest equilibra sátira, ação e construção de universo
Responsável por séries como Brooklyn Nine-Nine, Guest aposta em diálogos rápidos. A referência atravessa a trama com naturalidade: Simon menciona “fazer acrobacias à la Tom Cruise” enquanto DeMarr Doorman Davis surge em comerciais que parodiam propagandas de laxantes. Esse humor contrasta com a tensão crescente quando o DODC detecta “energia iônica” no estúdio destruído.
O fato de Guest inserir a lista de celebridades reais sem quebrar a diegese reforça a proposta de Wonder Man. A série retrata Hollywood como parte integrante do MCU, não apenas como cenário. Assim, quando Simon debate se o Capitão América “é só um cara que joga o escudo”, o roteiro conecta o cotidiano dos estúdios ao panteão de heróis que o público já conhece.
Vale a pena assistir Wonder Man?
Wonder Man entrega oito capítulos que funcionam como vitrine para Yahya Abdul-Mateen II e Ben Kingsley, oferece olhar curioso sobre a máquina de fazer fama e incorpora easter eggs para deleite dos fãs do MCU. Quem acompanha séries que brincam com metalinguagem, como as listadas em outros artigos do Salada de Cinema, encontrará em Wonder Man uma nova peça nesse quebra-cabeça.




