Chi Lewis-Parry volta a encarnar o ameaçador Samson em 28 Years Later: The Bone Temple, sequência direta do longa de 2025 que ressuscitou a franquia de zumbis criada por Danny Boyle. Desta vez, o antagonista ganhou um visual completamente repaginado sob o comando da diretora Nia DaCosta, que assumiu a cadeira de direção e injetou sua própria assinatura estética no universo pós-apocalíptico.
Programado para chegar aos cinemas em 16 de janeiro de 2026, com 109 minutos de duração, o filme reúne novamente Jodie Comer, Alfie Williams, Jack O’Connell e Ralph Fiennes, além de apresentar Aaron Taylor-Johnson ao elenco. Tudo isso acontece enquanto o roteiro assinado por Alex Garland aprofunda a busca por uma possível cura para o Rage Virus, elemento que coloca Samson no centro da narrativa.
Uma transformação que parte do roteiro e ganha força na maquiagem
De acordo com Nia DaCosta, o ponto de partida para a mudança visual de Samson em 28 Years Later: The Bone Temple surgiu ainda no papel. Garland descreveu o personagem como uma peça fundamental para o confronto entre ciência e caos, o que exigia um design que refletisse evolução — ou, no mínimo, degeneração controlada. A cineasta, conhecida por seu trabalho em A Lenda de Candyman, recebeu carta branca para reinterpretar a criatura.
Na prática, as próteses foram redesenhadas para destacar não apenas a brutalidade física, mas também nuances que pudessem sugerir resquícios de humanidade. O Samson nu e coberto de pele necrosada do filme anterior cede lugar a um infectado que esconde parte do corpo com um pano rudimentar. Olhos avermelhados agora ganham profundidade com lentes que evidenciam o declínio biológico, e o cabelo desgrenhado foi parcialmente aparado para expor melhor as expressões de Lewis-Parry.
Chi Lewis-Parry: presença física e sutileza diante das câmeras
Conhecido pelo porte de lutador de MMA, Lewis-Parry já se destacava em 28 Years Later pela imponência. No novo título, ele precisou refinar essa energia bruta. Para isso, DaCosta trabalhou em ensaios de movimentação, orientando o ator a alternar explosões de violência com momentos quase contemplativos, como se Samson, mesmo dominado pela infecção, guardasse lampejos de curiosidade diante do mundo em ruínas.
O resultado coloca o personagem em uma zona híbrida: ainda é a encarnação física do perigo, mas revela microexpressões que justificam o interesse do Dr. Ian Kelson, vivido por Ralph Fiennes. A química entre os dois chama atenção. Fiennes entrega um cientista obcecado, combinando frieza clínica com um traço de esperança. Essa dinâmica confere peso dramático à possível descoberta de uma cura e mantém o espectador preso à tela.
Direção de Nia DaCosta: estilo próprio dentro da franquia
Danny Boyle permanece como produtor, mas deixou claro que DaCosta teria liberdade total para imprimir identidade visual distinta. Assim, 28 Years Later: The Bone Temple exibe cores menos saturadas, fotografia que privilegia contraluzes e planos-sequência que acompanham a ação de perto. A cineasta troca as câmeras agitadas do longa anterior por movimentos mais calculados, o que aumenta a tensão e permite que o design de produção respire.
Imagem: Divulgação
Essa escolha também impacta a forma como a plateia enxerga o templo de ossos, estrutura central erguida pelo Dr. Kelson. Cenários repletos de colunas formadas por esqueletos ganham destaque nas lentes de DaCosta, que usa profundidade de campo para mergulhar o público em um ambiente quase religioso. A diretora consegue, assim, entregar terror e contemplação na mesma tomada, sem comprometer o ritmo.
Roteiro de Alex Garland e atuações de apoio reforçam o frescor
Alex Garland, colaborador frequente da franquia, aposta em diálogos enxutos e aponta o foco para a sobrevivência psicológica. Enquanto Spike (Alfie Williams) tenta entender seu papel no grupo de Jimmy Crystal (Jack O’Connell), a figura de Samson funciona como espelho: ele é o lembrete de que a linha entre humano e infectado se tornou tênue.
Comer, por sua vez, utiliza o olhar para sugerir trauma acumulado. Ela não precisa de grandes discursos; basta um silêncio calculado para revelar o quão frágil Isla se sente. Já Aaron Taylor-Johnson aparece em cena como Jamie, personagem que injeta dose extra de ceticismo. O elenco secundário, ainda que em tempo reduzido, ajuda a estabelecer o debate ético que atravessa todo o filme: até onde vale ir para achar a cura?
Vale a pena assistir 28 Years Later: The Bone Temple?
Para quem acompanha a franquia desde o início e para leitores do Salada de Cinema em busca de boas novidades de terror, 28 Years Later: The Bone Temple se destaca pela reinvenção visual de Samson, pela direção segura de Nia DaCosta e pelo elenco afinado. A combinação de atmosfera opressiva, questionamentos morais e atuações vigorosas confirma que a saga ainda tem fôlego — e deixa o terreno pronto para o capítulo final já anunciado.









