O que você faria se soubesse que só lhe resta pouco tempo de vida? Viver, a aclamada adaptação do clássico japonês Ikiru (1952), nos força a encarar essa pergunta. O drama de época chega amanhã, 29/11 ao catálogo da Netflix.
Eu senti que a premissa é universal. Viver pega um funcionário público reservado e, com a morte batendo à porta, o obriga a encontrar significado. Eu vi a obra transcender seu cenário de época, entregando uma reflexão oportuna sobre as compulsões que nos impedem de viver.
A emocionante e inspiradora história de Viver
Williams é um viúvo, um funcionário público veterano em uma repartição burocrática na Londres pós-Segunda Guerra Mundial. Sua vida é uma rotina monótona de empurrar papelada.
Mas o mundo dele desmorona quando ele é diagnosticado com uma doença fatal. Escondendo a condição do seu filho adulto, Williams tenta, inicialmente, uma noite de devassidão na companhia de um escritor boêmio, e estranhamente, evita voltar ao escritório.
Mas o vazio não se preenche. Uma ex-colega de trabalho animada, Margaret (Aimee Lou Wood), o inspira. Vendo a vitalidade da jovem, Williams tenta salvar um projeto modesto de reconfiguração de um parque infantil do purgatório burocrático, dando a si mesmo um propósito nos seus dias finais.
Análise do filme
Aqui no TaNoStreaming, já assistimos e podemos dizer que Viver é um triunfo da adaptação. Kazuo Ishiguro, o roteirista e Nobel de Literatura, consegue transpor a profunda sensibilidade da história original de Akira Kurosawa para a Londres reprimida dos anos 50.
A direção de Oliver Hermanus foca nos silêncios. O drama está na contenção de Williams, que, ao invés de gritar, expressa sua dor e sua nova determinação através de um leve sorriso ou um tique nervoso.
Elenco e produção
A direção é de Oliver Hermanus. O filme é sustentado pela força literária do seu roteirista, Kazuo Ishiguro, que tem a habilidade de tratar grandes temas com delicadeza e ironia.
Viver é a performance de Bill Nighy (Williams). O ator, que o público adora por seu timing cômico (visto em Simplesmente Amor) e sua elegância, aqui entrega um trabalho de sutileza e melancolia.
Sua atuação é construída no corpo: o chapéu, o terno, a maneira como ele carrega os ombros. Vemos a vida de um homem sendo lentamente devolvida.

Aimee Lou Wood (Margaret), conhecida por Sex Education, é o contraponto perfeito. Ela é a personificação da juventude e da vitalidade que Williams tenta imitar. Alex Sharp e Oliver Chris completam o núcleo que testemunha a transformação silenciosa.
Vale a pena assistir?
Eu te digo que sim. Viver é uma obra obrigatória para quem aprecia dramas humanos de altíssima qualidade. O filme te prenderá com sua melancolia e falta de pressa em contar a história. Ele usa a simplicidade da história para entregar uma profundidade emocional raramente vista.
Eu recomendo fortemente, principalmente se você busca um cinema reflexivo e tocante. O filme está disponível na Netflix.
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