The Expanse tornou-se sinônimo de realismo na ficção científica televisiva ao fundir noir, política e ciência dura em aventuras espaciais. Não por acaso, a produção foi celebrada até por astrofísicos, que elogiaram o cuidado com leis da física e cenários palpáveis.
A boa notícia é que existem outras séries que entregam essa mesma qualidade. A seguir, o Salada de Cinema apresenta nove títulos que, cada um a seu modo, rivalizam com o épico estrelado pela tripulação da Rocinante.
Por que The Expanse virou referência no gênero
Com comparações frequentes a “Game of Thrones no espaço”, a série surpreende ao colocar personagens moralmente complexos numa guerra galáctica impulsionada por uma arma alienígena. O elenco encabeçado por Steven Strait, Dominique Tipper e Wes Chatham sustenta o drama humano enquanto os roteiristas Daniel Abraham e Ty Franck mantêm a trama ancorada em conflitos socioeconômicos.
Essa combinação de performances sólidas, ciência verossímil e direção que valoriza cenas claustrofóbicas foi o ponto de partida para avaliar outras produções que seguem premissas parecidas.
Como escolhemos as séries que entram na lista
Os nove títulos abaixo compartilham, em maior ou menor grau, três critérios: comprometimento com personagens bem desenvolvidos, comentários sociais que ressoam fora da tela e uso consciente de efeitos visuais para contar a história. Além disso, consideramos a contribuição de diretores, showrunners e roteiristas, bem como atuações de destaque que ajudam a vender mundos futuristas com problemas muito atuais.
É o mesmo raciocínio empregado por quem procura narrativas slow burn que recompensam o investimento emocional do público.
As 9 séries que rivalizam com The Expanse
- Altered Carbon (2018-2020) – Showrunner: Laeta Kalogridis
Joel Kinnaman e Anthony Mackie dividem o papel de Takeshi Kovacs, entregando atuações físicas que combinam com o cenário cyberpunk. A fotografia sombria, herdada da direção de nomes como Miguel Sapochnik, reforça o clima noir. O texto de Brian Nelson e Steve Blackman costura, tal qual The Expanse, uma conspiração que expõe desigualdade extrema – neste caso, bilionários virtualmente imortais.
- Firefly (2002-2003) – Criador: Joss Whedon
Mesmo com apenas uma temporada, o elenco liderado por Nathan Fillion e Gina Torres constrói química instantânea. A pegada western espacial antecipa o senso de “família encontrada” visto entre os belters da série de Ty Franck, e o roteiro mistura humor e tensão política que ainda soa atual.
- Foundation (2021-) – Showrunner: David S. Goyer
Lou Llobell e Lee Pace assumem papéis centrais numa saga que cobre séculos. A escala é gigantesca, mas o texto mantém foco em escolhas individuais que alteram o curso da história, lembrando a influência das decisões dos tripulantes da Rocinante. A direção de Alex Graves equilibra grandiosidade e intimidade, reforçando a narrativa.
- For All Mankind (2019-) – Criadores: Ronald D. Moore, Matt Wolpert, Ben Nedivi
A atuação contida de Joel Kinnaman aparece novamente, desta vez como astronauta em uma linha do tempo alternativa. A série usa ciência real para construir tensão geopolítica, e, apesar de recorrer a espetáculo em temporadas mais recentes, preserva o debate sobre custos humanos da exploração, ecoando temas de The Expanse.
Imagem: Divulgação
- Battlestar Galactica (2003) – Showrunner: Ronald D. Moore
Edward James Olmos e Mary McDonnell lideram um elenco que mergulha na ambiguidade moral. A direção crua e quase documental, somada ao roteiro que debate escassez de recursos, cria batalhas espaciais visceralmente realistas, tanto quanto os perigos que cercam Holden e companhia.
- Farscape (1999-2003) – Criadores: Rockne S. O’Bannon, Brian Henson
Ben Browder e Claudia Black entregam carisma e humor em meio a criaturas criadas pelo estúdio Henson. Em contraste ao tom sério de The Expanse, a série explora identidade e família escolhida com leveza, mas mantém dilemas que lembram os arcos dos belters.
- Star Trek (1966-) – Criador: Gene Roddenberry
De William Shatner a Patrick Stewart, a franquia transformou ficção científica em laboratório de reflexões sociais. Embora mais otimista, a saga inspira a ambição de The Expanse ao mostrar como diferentes culturas podem cooperar – ou colidir – no espaço.
- Babylon 5 (1993-1998) – Criador: J. Michael Straczynski
Claudia Christian e Bruce Boxleitner conduzem diálogos intensos em um posto diplomático orbital. A série é elogiada pela escrita circular, cheia de pistas plantadas com temporadas de antecedência, recurso que The Expanse adotou para amarrar sua mitologia da protomolécula.
- Andor (2022-) – Criador: Tony Gilroy
Diego Luna oferece uma interpretação contida e verdadeiramente política de Cassian Andor. A fotografia de Adriano Goldman e o roteiro antiautoritário ecoam a luta dos belters por justiça, comprovando que o universo Star Wars também pode abraçar tons realistas sem abrir mão de emoção.
O impacto destas produções na TV contemporânea
A diversidade de estilos – do cyberpunk ao faroeste espacial – prova que a ficção científica televisiva amadureceu. Diretoras como Salli Richardson-Whitfield em Altered Carbon ou roteiristas como Alison Schapker em Foundation reforçam a presença feminina nos bastidores, ampliando vozes e perspectivas.
Além disso, a maioria desses títulos rejeita a dicotomia herói/vilão e prefere pintar cenários onde escolhas pessoais têm peso histórico. Esse olhar humano, sustentado por elencos afiados, ajuda a explicar por que tantas dessas séries mantêm notas acima de 8 em rankings de usuários.
Vale a pena assistir?
Para quem admirou a precisão científica, o elenco carismático e o comentário social de The Expanse, cada uma das nove séries listadas oferece um espelho – ora mais leve, ora mais sombrio – desse conjunto de qualidades. Ao alternar entre elas, o espectador percebe como diferentes equipes de roteiristas e diretores conseguem, sem abrir mão de identidade própria, dialogar com os mesmos dilemas que tornam a obra de James S. A. Corey tão especial.



