Depois de uma estreia morna, o terror zumbi We Bury the Dead sofreu um baque gigantesco na bilheteria norte-americana. O longa, comandado por Zak Hilditch e protagonizado por Daisy Ridley, fechou seu segundo fim de semana com números tão baixos que entrou para o ranking das piores quedas da história recente.
A projeção divulgada no domingo aponta arrecadação de apenas US$ 371.885 em 851 salas — retração de 85,1% em relação ao lançamento. Com isso, a produção australiana passou da 11ª posição na estreia para figurar fora do top 15 geral, acendendo o alerta de fracasso comercial.
Segundo fim de semana de We Bury the Dead despenca 85,1%
No primeiro sábado, We Bury the Dead faturou US$ 2,5 milhões em 1.172 cinemas, registrando média de US$ 2.134 por tela. Já no período seguinte, além de perder 321 salas, o filme viu sua média despencar para US$ 436, fator decisivo para o tombo.
Com esse desempenho, a obra lançada em 2 de janeiro de 2026 figura agora ao lado de títulos como For King + Country: A Drummer Boy Christmas – Live e Boy Kills World, empatando na sétima colocação entre as maiores quedas na semana 2 para estreias inéditas. Confira a parte inferior da lista:
Top 10 piores quedas na semana 2 (filmes inéditos)
#1 Christy (2025): -91,7%
#2 Collide (2017): -88,5%
#3 National Champions (2021): -88,4%
#4 Undiscovered (2005): -86,4%
#5 The Chosen: Last Supper Part 2 (2025): -86,2%
#6 Overlord: The Sacred Kingdom (2024): -86,1%
#7 We Bury the Dead (2026): -85,1%
#7 For King + Country: A Drummer Boy Christmas (2024): -85,1%
#7 Boy Kills World (2024): -85,1%
#10 Slow Burn (2007): -84,7%
Recepção crítica x público
Embora detentora de 85% no selo Certified Fresh da Rotten Tomatoes, a produção não empolgou o público pagante: o Popcorn Meter marca 47% a partir de mais de 250 avaliações verificadas. A discrepância sugere boca a boca morno, vital para a sobrevida de obras de médio porte.
Concorrência pesada no terror
Além da recepção divisiva, We Bury the Dead encarou a estreia do blockbuster de criatura Primate na mesma data. Nos próximos dias, o gênero recebe ainda 28 Years Later: The Bone Temple, Return to Silent Hill, The Strangers: Chapter 3 e Scream 7, todos com apelo maior de marketing. A agenda congestionada dilui a atenção e o número de sessões destinadas ao filme de Ridley.
Ausência de “meio-termo” nas bilheterias atuais
Mais da metade das maiores quedas registradas ocorreram nos últimos cinco anos, reflexo de um cenário em que sucessos estrondosos — como Top Gun: Maverick e Avatar: The Way of Water — dividem espaço com longas que simplesmente desaparecem após a primeira semana. A volatilidade evidencia o risco enfrentado por produções de orçamento médio, categoria em que We Bury the Dead se encaixa.
Razões para o tombo inesperado
Especialistas apontam três fatores principais para a derrocada: reviews do público abaixo da expectativa, competição agressiva no gênero horror e redução drástica de salas logo no segundo fim de semana. A menor oferta de sessões, por si só, não explicaria a média por tela tão baixa, indicando queda real no interesse do espectador.
Imagem: Starpix
Outro ponto citado é o posicionamento de marketing. Em um mercado dominado por franquias conhecidas, um thriller original precisa de campanha robusta para se sustentar. O buzz inicial de Daisy Ridley não foi suficiente para manter o fôlego, ainda que a atriz viva um drama intenso ao procurar o marido durante um apocalipse zumbi em território australiano.
Possível respiro no digital
A distribuidora aposta agora no consumo doméstico. Quando chegar ao VOD e, posteriormente, ao streaming, We Bury the Dead poderá atingir público que evitou as salas de cinema. Casos recentes mostram que terror tem longa vida nas plataformas, o que pode mitigar o prejuízo.
Importância para a carreira de Daisy Ridley
A intérprete da heroína Ava volta a encabeçar um projeto fora do universo Star Wars. Apesar do revés comercial, a recepção crítica positiva fortalece o currículo da atriz, que busca diversificar seu portfólio em produções independentes. Se o longa encontrar audiência no streaming, Ridley pode sair ilesa do fiasco de bilheteria.
A visão do Salada de Cinema
Para o Salada de Cinema, a situação ilustra o abismo entre crítica e público, além da dificuldade de novos títulos se destacarem em um calendário lotado. Ainda assim, a curiosidade sobre zumbis e o nome de Daisy Ridley despertam interesse suficiente para justificar a atenção ao desempenho nas próximas janelas.
Tendência aponta volatilidade crescente
O histórico recente indica que quedas acima de 80% tendem a se tornar mais frequentes, especialmente com janelas teatrais mais curtas e maior oferta simultânea de conteúdo. Para produtores, o desafio passa a ser calibrar investimento promocional e planejamento de lançamento multiplataforma.
Próximos passos
Com a bilheteria doméstica praticamente estagnada, o foco se desloca para mercados internacionais menores e para acordos de licenciamento digital. Caso o terror alcance status cult nas plataformas, existe chance de equilibrar as contas e, quem sabe, impulsionar produtos derivados.
FICHA TÉCNICA
Título original: We Bury the Dead
Gêneros: Horror, Thriller, Ficção científica
Direção e roteiro: Zak Hilditch
Elenco principal: Daisy Ridley, Brenton Thwaites, Matt Whelan
Data de estreia: 2 de janeiro de 2026
Duração: 95 minutos
Bilheteria estreia EUA: US$ 2,5 mi
Bilheteria 2ª semana EUA: US$ 371.885
Queda percentual: 85,1%
Classificação indicativa: R



