O burburinho causado pelo final controverso de Game of Thrones ainda ecoa entre fãs da HBO. No entanto, outra produção do canal conseguiu um destino considerado ainda pior: Westworld, encerrada em 2022 sem ter a chance de concluir sua história.
Ao contrário da epopeia de Westeros, que ao menos teve oito temporadas completas, o faroeste futurista foi abruptamente cancelado após quatro anos, deixando atores, roteiristas e espectadores diante de um enorme ponto de interrogação.
A queda de Westworld após a estreia recorde
Lançada em 2016, Westworld debutou batendo recordes de audiência na HBO e era vista pela própria empresa como sucessora natural de Game of Thrones. A combinação de orçamento robusto, efeitos especiais de ponta e reflexões filosóficas sobre consciência humana atraiu curiosos logo de cara.
O problema surgiu já no segundo ano. Tramas paralelas se multiplicaram, a linha temporal virou um labirinto e a recepção da crítica despencou. Mesmo assim, a terceira temporada foi autorizada, mas o engajamento continuou caindo, culminando na decisão de cancelar tudo após a quarta leva de episódios.
Elenco afiado, mas roteiros cada vez mais confusos
Parte do fascínio inicial veio de um elenco recheado de nomes fortes. Anthony Hopkins dominou a primeira temporada como o criador do parque, enquanto Evan Rachel Wood e Thandiwe Newton roubaram a cena ao interpretar anfitriãs que despertam para a própria consciência.
Jeffrey Wright, Ed Harris e Tessa Thompson se somaram para ampliar o peso dramático, mas nem mesmo interpretações consistentes contiveram a narrativa considerada excessivamente enigmática. A partir do segundo ano, diálogos longos sobre livre-arbítrio se sobrepuseram à ação, gerando a sensação de que os roteiristas — liderados por Jonathan Nolan e Lisa Joy — perdiam o controle da própria criação.
Curiosamente, a quarta temporada recuperou parte da tensão, graças a reviravoltas que lembraram o impacto de séries como Attack on Titan, mas já era tarde. O anúncio de cancelamento veio antes que qualquer desfecho fosse filmado.
Como Jonathan Nolan e Lisa Joy planejavam encerrar a trama
Nolan e Joy declararam publicamente ter um esboço completo para o quinto e último ano. O plano incluía devolver a ação ao parque original, fechando o ciclo iniciado em 2016 e explicando o destino da humanidade depois que alguns anfitriões conquistaram o mundo real.
Imagem: Divulgação
Apesar de ter elenco e equipe prontos para retornar, a HBO julgou inviável manter o alto custo de produção sem garantia de audiência. Dessa forma, o roteiro final permanece apenas nas gavetas dos showrunners, alimentando especulações sobre o que poderia ter sido.
Game of Thrones x Westworld: finais que desapontam de formas diferentes
Game of Thrones concluiu sua saga em 2019 com escolhas de roteiro que dividiram opiniões, mas ao menos entregou um capítulo final. Já Westworld sequer recebeu oportunidade de encerrar pontas soltas, revelando uma frustração distinta: a de não saber como a história realmente termina.
Para a HBO, a situação marca contraste curioso. Enquanto investiu pesado para que Westeros chegasse ao fim, a emissora preferiu cortar perdas no parque temático futurista. O resultado gerou discussões sobre o desafio de manter séries de alto orçamento até a linha de chegada, tema que também permeia estreias recentes de suspense como Scarpetta, do Prime Video.
Vale a pena maratonar Westworld hoje?
Mesmo inacabada, a série exibe atuações magnéticas, direção refinada e episódios iniciais que funcionam quase como um thriller fechado. Para quem aprecia ficção científica cerebral e visuais de cinema, os 36 capítulos disponíveis ainda oferecem experiência densa, mas é preciso aceitar que o grande enigma central ficará sem resposta.
No fim das contas, Westworld torna-se caso de estudo sobre como performances excelentes podem não ser suficientes quando a narrativa perde rumo — uma história que o Salada de Cinema certamente continuará acompanhando em futuras análises.



