Quem assistiu ao trailer de Unabomber esperando ver logo de cara a cabana isolada em Montana e a caçada do FBI vai se surpreender com a escolha do diretor Janus Metz Pedersen: o filme começa dentro de uma sala de aula em Harvard.
É ali, nos experimentos psicológicos conduzidos pelo professor Henry Murray, que a produção decide buscar a origem de Ted Kaczynski, e não no manifesto ou nas bombas que aterrorizaram o país por quase duas décadas.
Unabomber chega ao catálogo da Netflix em 25 de setembro de 2026, com Jacob Tremblay no papel do jovem Kaczynski e Russell Crowe como Murray, o psicólogo que colocou o futuro criminoso em uma série de estudos controversos ainda como aluno de graduação.
O elenco reúne também Shailene Woodley, como a personagem Joanne Miller, e Annabelle Wallis. A direção é de Metz Pedersen, com roteiro de Sam Chalsen e Nelson Greaves, e a Netflix classifica o longa como inspirado em fatos reais, não em um livro publicado.
Por que o filme decide começar em Harvard, não na cabana
A maioria das versões já contadas sobre o caso Unabomber segue uma lógica parecida: abre na cabana isolada, avança pelo manifesto e termina na prisão.
Ao colocar o professor Henry Murray no centro da narrativa logo nos primeiros minutos, Unabomber inverte essa ordem e sugere que a resposta para o que Kaczynski se tornou pode estar num laboratório de Harvard, não numa floresta de Montana.
Segundo o site especializado Martin Cid, essa escolha narrativa “é o argumento inteiro do filme”: ao repetir o “gênio matemático que virou terrorista”, o filme aposta que o público já sabe o desfecho, então tenta explicar o começo.
Os experimentos psicológicos conduzidos por Murray com Kaczynski ainda estudante aparecem no trailer oficial como o fio condutor da trama, um ângulo que raramente ganhou destaque em outras versões da história.
Quem interpreta quem em Unabomber?
Jacob Tremblay vive o jovem Ted Kaczynski, o garoto prodígio que entrou em Harvard aos 16 anos com bolsa de estudos. Russell Crowe assume Henry Murray, o professor que recrutou Kaczynski para o estudo psicológico que o filme trata como ponto de virada emocional do personagem.
Shailene Woodley aparece como Joanne Miller, enquanto Annabelle Wallis completa o time principal. Segundo divulgação oficial da própria Netflix, o elenco de apoio inclui ainda Alexander Ludwig, Steven Ogg e Marc Menchaca. A produção é assinada por Sophie Cassidy, pela 2.0 Entertainment em parceria com a MRC.
A história real que inspirou o filme
Por trás da dramatização está um caso que paralisou os Estados Unidos por 17 anos. Cartas-bomba enviadas a universidades e companhias aéreas mataram três pessoas e feriram outras 23, sem que o FBI conseguisse identificar o autor. O apelido Unabomber nasceu justamente desses primeiros alvos: universidades (UN) e companhias aéreas (A) de bombas (bomber).
A virada só aconteceu em 1995, quando Kaczynski enviou aos jornais um manifesto de 35 mil palavras criticando a tecnologia moderna, prometendo parar os ataques se o texto fosse publicado. Foi o irmão dele, David Kaczynski, quem reconheceu o estilo de escrita e denunciou Ted às autoridades, levando à prisão em 1996. Kaczynski cumpriu prisão perpétua até morrer em 2023.
Unabomber não é a primeira adaptação do caso
Antes do filme da Netflix, o caso já havia inspirado a série Manhunt: Unabomber, exibida pelo Discovery e hoje disponível no Lionsgate+, com Paul Bettany no papel do criminoso. Aquela produção seguia justamente o caminho mais tradicional, apostando na tensão da investigação como eixo central.
A própria Netflix mantém no catálogo a série documental Em Suas Próprias Palavras: Unabomber, que reúne uma entrevista rara concedida pelo próprio Kaczynski. Quem assistir ao filme e quiser comparar a dramatização com o relato em primeira pessoa encontra ali um contraponto direto, algo que a ficção de Metz Pedersen não se propõe a entregar.

A recepção crítica de Unabomber na Netflix
A crítica especializada já reagiu ao recorte escolhido pelo diretor. Em resenha publicada na Vulture, a avaliação aponta que existe uma história complicada e perturbadora a ser contada, mas que o filme evita justamente os aspectos mais espinhosos da vida de Kaczynski.
Há uma história ali, complicada e perturbadora, mas o novo filme da Netflix, Unabomber, não vai ser aquele que vai nos entregar essa história.
Vulture, em tradução livre
A publicação nota que o roteiro concentra boa parte do tempo nos anos de Kaczynski como universitário em Harvard, intercalando essas cenas com o avanço da investigação do FBI, que levou cerca de 18 anos até a prisão do criminoso em 1996.
Com a estreia marcada para 25 de setembro de 2026, o próximo indicador a observar é como o público recebe essa escolha de começar pela sala de aula de Harvard em vez da cabana. Ainda não há dados de audiência divulgados pela plataforma para o longa.
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