A aventura arqueológica mais famosa dos videogames volta à ação pelas mãos da Prime Video, e a produção já começa a exibir movimentos dignos de uma escalada de penhasco. Depois da divulgação da primeira foto de Sophie Turner caracterizada como Lara Croft, outra imagem de bastidores revelou a presença de Keeley Hawes, voz clássica da heroína nos jogos dos anos 2000. O encontro de duas intérpretes da mesma personagem animou fãs e levantou novas teorias sobre o roteiro.
Mesmo sem confirmação oficial do estúdio sobre o papel de Hawes, a simples aparição da atriz no set indica que a série deve brincar com a própria mitologia de Tomb Raider. A produção, criada por Phoebe Waller-Bridge e comandada lado a lado com o showrunner Chad Hodge, começou a ser filmada em 15 de janeiro e ainda não tem previsão de estreia, mas as câmeras já capturam um elenco de peso sob a direção de Jonathan Van Tulleken. E muitos fãs da franquia de games, não vê a hora de ver essa e outras séries online, no mesmo estilo.
Primeiras impressões do elenco: Sophie Turner assume o protagonismo
Na imagem de divulgação liberada pela plataforma, Sophie Turner surge coberta de poeira, ferimentos e o icônico rabo de cavalo de Lara Croft. A fisicalidade da atriz, conhecida mundialmente como Sansa Stark, sugere uma abordagem mais realista da aventureira, afastando-se do glamour cartunesco dos primeiros filmes. Turner parece investir em olhar concentrado, gestual econômico e postura tensa, compondo uma Lara menos super-heroica e mais humana — linha que a franquia de jogos também abraçou nos reboots recentes.
A escolha faz sentido quando lembramos que Turner buscou trabalhos que exigissem mergulho dramático após Game of Thrones. Ao lado de nomes como Sigourney Weaver, Jason Isaacs e Paterson Joseph, a britânica tem espaço para explorar nuances emocionais, além da ação. Vale notar que, na mesma imagem, o figurino apresenta tons terrosos e tecido gasto, indicando preocupação da equipe de arte em transmitir experiência de campo. Esse realismo visual ecoa a atmosfera tensa que Skyscraper Live, elogiado pela autenticidade, alcançou na Netflix.
Keeley Hawes: da voz icônica dos jogos ao mistério materno
Fotografada vestindo sobretudo e carregando uma sacola de compras, Keeley Hawes gerou a suspeita de que interpretaria Lady Amelia Croft, mãe de Lara. A atriz, que dublou a arqueóloga em seis títulos da franquia, tem histórico sólido em dramas de época e personagens aristocráticas, o que reforça a teoria. Caso a ideia se confirme, a série ganhará um elo metalinguístico: a voz que apresentou Lara a milhões de jogadores agora seria figura orientadora da nova heroína.
O movimento dialoga com a tendência de franquias que homenageiam versões passadas sem presos à nostalgia, algo parecido com o que a Marvel fez ao reconhecer a sombra de Ultron, tema analisado em artigo sobre Era de Ultron. Hawes, por sua vez, traz bagagem de séries elogiadas como Line of Duty e Doctor Who, garantindo um contraponto experiente ao frescor de Turner. A química entre elas pode ser o trunfo afetivo do projeto.
Direção e roteiro: visão de Phoebe Waller-Bridge e Jonathan Van Tulleken
Phoebe Waller-Bridge, vencedora do Emmy por Fleabag, assina a criação e o roteiro inicial, além de dividir a função de showrunner com Chad Hodge. Conhecida por diálogos ácidos e protagonistas imperfeitas, a roteirista deve imprimir humor sarcástico e autocrítica na jornada de Lara, sem perder o ritmo aventuresco. O cuidado em equilibrar drama íntimo e set pieces pode ser o diferencial que transformará a série em algo mais do que uma simples adaptação de jogo.
Na direção, Jonathan Van Tulleken (Top Boy) já demonstrou habilidade em construir tensão urbana e sequências de ação próximas e viscerais. Transportar essa linguagem para selvas, tumbas e vilarejos exóticos promete cenas de adrenalina sem excessos de CGI. A parceria com Waller-Bridge pode resultar em episódios onde cada escavação simboliza dilemas pessoais, aproximando o tom de thrillers como Dead Set, que combina crítica social e terror.
Imagem: Divulgação
Expectativas do público e cronograma de produção
Com gravações iniciadas em pleno inverno europeu, a Prime Video já avisou que a série não deve chegar antes de 2027. O prazo extenso se justifica: a equipe deve percorrer múltiplos cenários internacionais, além de dar tempo para pós-produção detalhada. Em paralelo, os fãs mais ansiosos acompanham vazamentos de set, enquanto newsletters especializadas alimentam especulações sobre vilões, relíquias e a conexão de Lara com o passado familiar.
Além disso, o serviço de streaming aposta no potencial de Tomb Raider para ampliar seu portfólio de franquias nerds, repetindo o sucesso de Fallout, cuja qualidade narrativa foi destacada no Salada de Cinema. Se a estratégia funcionar, Turner pode se tornar o rosto fixo de uma série multimídia que navegue entre TV, cinema e jogos — formato que a Amazon explora com entusiasmo.
Vale a pena ficar de olho na nova Tomb Raider?
O encontro de Sophie Turner e Keeley Hawes, somado ao texto afiado de Phoebe Waller-Bridge, aponta para uma adaptação que respeita a essência da heroína sem abrir mão de identidade própria. Enquanto a protagonista promete vigor físico e camadas emocionais, Hawes adiciona legitimidade histórica ao universo, uma jogada que agrada veteranos e novatos.
A direção de Jonathan Van Tulleken deve garantir ritmo e tensão, atributos indispensáveis a qualquer aventura de Lara Croft. A presença de um elenco coadjuvante robusto, liderado por Sigourney Weaver e Jason Isaacs, amplia as possibilidades dramáticas e indica uma produção que não economizará em personagens complexos.
Diante desses fatores, Tomb Raider desponta como uma das apostas mais ambiciosas do streaming para os próximos anos. Resta acompanhar as notícias de bastidores e aguardar os primeiros trailers para confirmar se essa expedição realmente encontrará tesouros narrativos dignos da lenda Croft.



