Aviso de spoilers: este texto revela detalhes do episódio 7 de ‘VisionQuest’, ‘Immolation’.
Quem acompanha ‘VisionQuest’ no Disney+ já desconfiava de que o penúltimo episódio guardava algo grande, e a desconfiança se confirmou. O Tocha Humana original, um dos dois primeiros heróis da Marvel, finalmente aparece em live-action, rebatizado no MCU como o Homem Sintético.
E não é uma participação de fachada. O personagem entra para mexer na origem do próprio Visão.
Confira a seguir tudo que ocorreu nesse penúltimo episódio de VisionQuest aos olhos do Salada!
O que acontece no episódio 7 de ‘VisionQuest’?
O capítulo abre em 1939, quando Phineas Horton, também vivido por Paul Bettany, vende a propriedade da família para financiar a construção de J.I.M. Ele ignora os apelos da esposa e da filha, abaladas pela morte do filho, James.
No presente, em Madripoor, Visão e Tommy tentam reprogramar o nanorrobô de Jocasta que domina o corpo de Lisa. É aí que o misterioso Cliente aparece, prometendo respostas no código-fonte do androide.
O sintozóide aceita, e Paladino fornece a energia para a descida: a lâmina de Corvus Glaive, roubada de Wakanda, a mesma arma que o atravessou em ‘Vingadores: Guerra Infinita’.
Dentro da própria mente, Visão encontra J.I.M. em chamas e com o mesmo rosto. A conversa o obriga a aceitar Tommy como filho e a admitir que perdeu Wanda. Restaurado, ele cura Lisa e grava uma mensagem para o garoto antes de se entregar a Paladin.
O episódio fecha com o rosto do Cliente, que, segundo o ComicBookMovie, é idêntico ao do avatar humano de Ultron. Quem ele é de fato fica para o final da temporada. Já o Den of Geek notou que a hora troca as lutas por debate filosófico, algo que Vision sempre fez bem.
Quem é o Tocha Humana original?
Criado por Carl Burgos, o personagem estreou na edição de estreia de ‘Marvel Comics’, em outubro de 1939, pela Timely Comics, editora que mais tarde viraria a Marvel.
Estava na capa, ao lado de Namor, que aparece na mesma edição. Na prática, os dois são os primeiros super-heróis do universo Marvel, como destaca a MovieWeb.
Nos quadrinhos, ele é um android criado pelo cientista Phineas Horton e pega fogo ao entrar em contato com o oxigênio. Aprende a controlar o poder e passa a trabalhar na polícia de Nova York como Jim Hammond.
Nos anos 1940, formava com o Capitão América e Namor o trio principal da Timely, e os três integraram os Invasores. O duelo dele com Namor, na edição 9 de ‘Marvel Mystery Comics’, de julho de 1940, é apontado como o primeiro crossover dos quadrinhos.
Do esquecimento ao Quarteto Fantástico
Os super-heróis perderam fôlego nos anos 1950, e a editora, já chamada Atlas Comics, passou a apostar em ficção científica, monstros e romance.
Quando Stan Lee e Jack Kirby criaram o Quarteto Fantástico, em homenagem ao Tocha original, o codinome foi parar com Johnny Storm. A primeira edição de ‘Fantastic Four’ marcou a virada da Atlas para a Marvel Comics, e o android só voltou à continuidade no Annual 4, de novembro de 1966, já como figura de canto.
Mesmo assim, a MovieWeb o trata como peça fundadora do DNA da Marvel. Um herói de poderes perigosos, visto como ameaça, foi o molde para nomes como Homem-Aranha, Hulk e os X-Men.
E onde entra o Visão nessa história?
Por meio de retcons, os quadrinhos estabeleceram que o corpo do Visão foi feito com réplicas de peças de Jim Hammond, combinadas aos padrões cerebrais de Simon Williams, o Wonder Man.
‘VisionQuest’ pega esse novelo complicado e puxa um fio só: o código criado por Horton para J.I.M. serve de base para o Visão e para as outras IAs do MCU. Como Bettany também interpreta J.I.M. e Horton, o rosto e a voz do Visão vêm da criação original. A lógica lembra a de J.A.R.V.I.S., que nasceu de Edwin Jarvis, o mordomo de Howard Stark.
A MovieWeb ainda monta uma linha do tempo em que Tony Stark compra, em 2008, a Markridge Biotech e o código-base de IA que levaria ao J.A.R.V.I.S.
O Easter egg que levou 15 anos para se pagar
Em ‘Capitão América: O Primeiro Vingador’, de 2011, Steve Rogers e Bucky Barnes passam pela Stark Expo de 1943, então chamada Exposição do Amanhã.
Num pavilhão, uma vitrine exibe o Tocha Humana original, ou melhor, um manequim com o uniforme clássico. Era só uma piscadela para os quadrinhos dos anos 1940.
Ninguém imaginava que aquilo teria desdobramento. Quinze anos depois, em ‘VisionQuest’, tem.
Kang no meio do caminho? A teoria
Aqui o terreno é de especulação, e vale deixar isso claro. Nos quadrinhos, outro retcon revelou que Victor Timely, variante de Kang, o Conquistador, contratou Horton para criar o Tocha android e embutiu um protocolo para controlá-lo.
No MCU, Victor Timely apareceu na segunda temporada de ‘Loki’, vivido por Jonathan Majors, e estava ativo em 1893. São 46 anos até a abertura do episódio 7 e 50 até a Stark Expo.
A MovieWeb sugere que a série poderia ter ligado J.I.M., Visão e a Senhorita Minutos, da AVT, numa mesma linhagem tecnológica. O contexto reforça a hipótese: ‘VisionQuest’ começou a ser desenvolvida no início de 2022, quando Kang era o grande vilão da Saga do Multiverso.
Com a demissão de Majors, em dezembro de 2023, a Marvel abandonou o personagem e colocou o Doutor Destino no centro de ‘Vingadores: Doomsday’, no lugar de ‘A Dinastia Kang’. Nada disso foi confirmado, e a série, que não aparece na lista ‘Road to Doomsday’ do Disney+, não parece levar diretamente ao filme.
O que ‘VisionQuest’ deixa para o final?
O último episódio chega na semana que vem, e ainda há perguntas no ar, a começar por quem é o homem de rosto emprestado de Ultron. ‘Vingadores: Doomsday’ está previsto para 18 de dezembro, e ‘VisionQuest’, mesmo sem ponte direta, já cumpre outro papel: honrar 18 anos de MCU e quase nove décadas de Marvel nos quadrinhos.
E você, o que achou de J.I.M. surgir em chamas dentro da mente de Vision? Conta nos comentários.




