Os dois primeiros episódios de VisionQuest já estão disponíveis no Disney+, e a série resolve logo de cara abrir uma porta que ninguém esperava ver reaberta no MCU. Paul Bettany volta como Visão, carregando todas as memórias de sua vida ao lado dos Vingadores, mas sem sentir nada em relação a elas.
Para lidar com esse vazio, o sintezóide recorre a uma figura que, em teoria, deveria ser seu maior adversário. A série transforma esse encontro em um dos eixos centrais da trama, e é aí que VisionQuest começa a se diferenciar de qualquer coisa que o MCU já tinha feito com o personagem.
Ultron vira mentor do próprio Visão
James Spader está de volta como Ultron, o vilão de Vingadores: Era de Ultron (2015), mas agora numa função que inverte completamente sua lógica original. Em vez de tentar destruir o Visão ou os Vingadores, ele atua como uma espécie de guia para o protagonista entender quem é.
Faz sentido dramático: o Visão nasceu justamente das ações de Ultron, que tentou criar um corpo para si mesmo antes de Tony Stark e os heróis intervirem. VisionQuest usa essa origem para colocar criador e criação frente a frente outra vez, só que sem a violência que marcou o primeiro encontro dos dois.
Spader, conhecido do público também por The Blacklist, traz de volta um Ultron que soa mais calculista do que ameaçador, o que reforça a ideia de que a série está menos interessada em ação e mais em explorar identidade e memória.
O reencontro com Tommy Maximoff reabre a ferida de Westview
Outro fio que VisionQuest puxa é o do filho que sobreviveu à destruição do Hex criado por Wanda Maximoff. Tommy Maximoff reencarna em um novo personagem interpretado por Ruaridh Mollica, de A Franquia, e cruza o caminho do Visão em algum ponto da trama.
O encontro ganha peso porque o Visão, mesmo com acesso a todas as lembranças de seu relacionamento com Wanda, não carrega o afeto que construiu aquela família. Como o Salada já mostrou quando o trailer de VisionQuest confirmou a volta de Bettany e a data de estreia, a série trata esse descompasso emocional como o verdadeiro conflito do protagonista, mais do que qualquer ameaça externa.

Memórias de Wanda sem vínculo emocional
VisionQuest também transforma em personagens de carne e osso as IAs que, até então, só existiam como vozes no MCU. James D’Arcy, que interpretou o mordomo Edwin Jarvis em Agente Carter, dá vida à versão humana de J.A.R.V.I.S., a primeira inteligência artificial de Tony Stark e origem direta do próprio Visão.
Orla Brady assume F.R.I.D.A.Y., a assistente que substituiu J.A.R.V.I.S. ao lado do Homem de Ferro, enquanto Emily Hampshire, conhecida de Schitt’s Creek, encarna E.D.I.T.H., a IA criada por Stark para auxiliar o Homem-Aranha. Como o Salada já mostrou em imagens da própria produção, a transformação de Edith em forma humana é um dos elementos visuais mais estranhos e interessantes da série.
Essa escolha de humanizar sistemas que sempre foram só vozes de apoio levanta uma pergunta que atravessa toda a trama: o que define quem alguém é quando a consciência vem de um código? A própria narrativa já tinha sinalizado esse caminho antes da estreia, quando o Salada apontou a conexão de VisionQuest com Loki na forma como o protagonista revisita sua própria vida sem reconhecer o que viveu.
Com apenas os dois primeiros episódios disponíveis, o próximo passo de VisionQuest é mostrar até onde a mentoria de Ultron pode levar o Visão, e se esse convívio vai se sustentar conforme a série avança.
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