O suspense The Housemaid continua a surpreender o mercado. Com direção de Paul Feig e protagonismo de Sydney Sweeney, o longa acaba de ultrapassar US$ 350 milhões em receita global, feito raro para uma produção classificada para maiores de 17 anos.
A marca, confirmada pela Lionsgate, reforça a ascensão meteórica de Sweeney depois de um 2025 turbulento. O desempenho já coloca o filme como a obra mais lucrativa liderada pela atriz e abre caminho para que ela quebre um recorde de sete anos na bilheteria.
Atuações que sustentam o suspense
Sydney Sweeney vive Millie Calloway, jovem contratada para ser governanta em uma mansão onde nada é o que parece. A atriz entrega uma composição centrada na vulnerabilidade, alternando inocência e astúcia à medida que o roteiro revela camadas de tensão psicológica. O público acompanha cada olhar desconfiado, cada hesitação nos gestos, elementos que funcionam como gatilhos para o desconforto crescente.
Amanda Seyfried, no papel de Nina Winchester, faz o contraponto perfeito. Ela surge sofisticada, mas logo deixa transparecer fissuras na fachada de esposa intocável. A química entre as duas impulsiona as reviravoltas, e os diálogos carregados de subtexto mantêm a plateia presa à cadeira. Brandon Sklenar e Michele Morrone, embora com menos tempo de tela, complementam os desdobramentos dramáticos sem tirar o foco da dupla principal.
Direção de Paul Feig redefine o gênero no mainstream
Conhecido por comédias como “Missão Madrinha de Casamento”, Paul Feig explora aqui um registro mais sombrio. O cineasta aposta em enquadramentos fechados para intensificar a sensação de claustrofobia e usa a trilha minimalista para pontuar momentos de virada. Esse ajuste de tom revela um diretor confortável em trafegar por territórios menos leves, sem abandonar a fluidez narrativa que marca sua filmografia.
Não passam despercebidas as escolhas de montagem: cenas de cotidiano aparentemente banais ganham novos sentidos quando ressignificadas por cortes secos para eventos perturbadores. O resultado é um ritmo que evita o susto fácil e investe na ansiedade gradual, recurso que conversa com thrillers recentes como Iron Lung, citado por críticos como exemplo de construção de tensão sem pirotecnia.
Roteiro afiado e adaptação respeitosa à obra original
Rebecca Sonnenshine e Freida McFadden assinam o texto que adapta o best-seller homônimo. A dupla opta por fidelidade aos pontos-chave do livro, mas enxuga subtramas para valorizar o embate psicológico. Os diálogos evitam explicações mastigadas, convidando o espectador a preencher lacunas — movimento que amplia o alcance comercial sem comprometer o suspense.
O roteiro ainda destaca temas contemporâneos, como desigualdade de gênero e abuso de poder, sem soar panfletário. Esse equilíbrio foi elogiado pela crítica, refletido nos 74% de aprovação no Rotten Tomatoes. Já o público concede 92%, índice que ajuda a explicar a impressionante retenção de espectadores mesmo após o lançamento digital nos Estados Unidos.
Imagem: Divulgação
Bilheteria global desafia recorde de sete anos
The Housemaid soma US$ 354,7 milhões, sendo US$ 231 milhões fora da América do Norte. O desempenho internacional tem destaque especial no Reino Unido, França, Alemanha e Áustria. No Brasil, o longa ocupa o topo do ranking pela sexta semana consecutiva, registrando crescimento de 17% em relação ao fim de semana anterior — dado raro após mais de um mês de exibição.
Se mantiver o ritmo, o filme pode ultrapassar os US$ 393 milhões de “Era uma Vez em… Hollywood”, onde Sweeney fez participação coadjuvante em 2019. A meta de US$ 400 milhões, projetada por analistas, está cada vez mais palpável e solidificaria o título como maior sucesso da atriz. Vale lembrar que a sequência, baseada no livro “The Housemaid’s Secret”, já está em desenvolvimento com Feig confirmado na direção.
Vale a pena assistir?
Para quem busca um thriller adulto que dispense sustos fáceis e invista na inquietação psicológica, The Housemaid é escolha certeira. O longa se apoia em atuações de alto nível, conduzidas por uma direção que sabe valorizar silêncios e insinuações. Não à toa, o buzz de bilheteria se converte em lotação constante nas salas e em forte engajamento nas redes sociais.
Sydney Sweeney consolida sua versatilidade, provando que o carisma visto em “Euphoria” pode migrar com sucesso para o cinema. Amanda Seyfried, por sua vez, ratifica talento para personagens dúbios. A soma desses elementos cria um suspense que diverte e incomoda na mesma medida — combinação que costuma gerar boca a boca positivo.
Do ponto de vista técnico, o filme mantém ritmo coeso, fotografia elegante e roteiro sem gorduras. Se o objetivo é conferir a produção antes que ela atinja o streaming, ainda há tempo: o longa segue em cartaz, alimentando a expectativa pela continuação. Para o Salada de Cinema, trata-se de uma experiência que vale o ingresso, sobretudo para quem aprecia histórias onde cada detalhe pode virar peça-chave do quebra-cabeça.



