O retorno de School Spirits ao catálogo da Paramount+ reformula o tabuleiro de Split River e coloca antigos e novos fantasmas para dançar no mesmo salão. A série, que desde 2023 combina drama adolescente e suspense sobrenatural, investe agora em cenários para além do colégio, como o hospital da cidade, e faz do elenco o principal motor de uma narrativa mais ambiciosa.
Com direção dividida entre Hannah Macpherson, Brian Dannelly, Max Winkler e Oran Zegman, o terceiro ano mantém o texto de Nate e Megan Trinrud, Oliver Goldstick e Nandita Seshadri. A troca de foco proposta pelos roteiristas alimenta tramas paralelas, mas não perde de vista o carisma que transformou Maddie Nears em ícone teen moderno.
Maddie, Simon e o coração do enredo
Peyton List, veterana de Jessie, continua como âmago emocional da aventura. A atriz equilibra vulnerabilidade e ironia ao abordar a confusão de uma protagonista que descobriu não estar exatamente morta. A performance acentua nuances de luto e identidade, graças a um olhar que alterna fragilidade e tomada de controle, especialmente nas cenas em que Maddie encara novos recantos do Além.
O contraponto surge na figura de Simon Elroy, interpretado por Kristian Ventura. Promovido a “fantasma novato”, o personagem amplia o leque de possibilidades visuais, já que agora perambula pelos mesmos corredores etéreos que antes apenas vislumbrava. Ventura evolui o melhor amigo de confidente aflito a agente de ação, algo que injeta energia em sequências investigativas e sustenta a química com List.
Fantasma não envelhece: Wally, Rhonda e Charley
A atmosfera oitentista de Wally Clark, mantida por Milo Manheim, traz leveza ao drama. O ator, conhecido por Zombies, segue explorando o choque cultural de um atleta preso no tempo. Seu humor pontual serve como respiro para tensões mais sombrias e reforça a importância do personagem no triângulo amoroso que ganha contornos inesperados.
Sarah Yarkin e Nick Pugliese, respectivamente Rhonda Rosen e Charley, expandem a discussão sobre trauma e pertencimento no pós-vida. Yarkin sustenta um sarcasmo ácido que jamais resvala em caricatura, enquanto Pugliese oferece a delicadeza necessária para humanizar linhas expositivas sobre regras do limbo. Juntos, compõem um duo que auxilia a protagonista sem eclipsar o próprio arco.
Xavier, Nicole e Claire: dilemas dos vivos
Spencer MacPherson retorna como Xavier Baxter com a missão de restaurar a confiança junto ao grupo. O ator aposta em gestos contidos para evidenciar culpa e insegurança, evitando o melodrama típico do gênero. Esse tom mais sóbrio dialoga com a direção de fotografia, que abandona a luz fria do colégio para cenas externas na floresta de Split River.
Imagem: Ed Araquel
Kiara Pichardo, como Nicole Herrera, recebe espaço maior para investigar pistas enquanto mantém o pé no terreno realista. A atriz, vista em CODA, confirma domínio do timing dramático ao equilibrar cenas de amizade e tensão policial. Já Rainbow Wedell, na pele de Claire Zomer, intensifica a ambiguidade moral que marcou os episódios iniciais. A revelação sobre seu envolvimento com Xavier ainda ecoa, e Wedell dosa remorso e pragmatismo sem recorrer a vilania grandiosa.
Figuras de autoridade e novos nomes
No corpo docente fantasmagórico, Josh Zuckerman aprofunda o ambíguo Sr. Martin. O personagem ganha flashbacks que questionam sua postura de guia espiritual, e o ator navega bem entre afeto e possível manipulação. Quem também impacta o roteiro é Jess Gabor, cuja Janet Hamilton permanece peça-chave ao manter a posse do corpo de Maddie como gatilho das investigações.
Entre as novas adições destacam-se Jennifer Tilly como a enigmática Dra. Deborah Hunter-Price e Maria Dizzia no papel de Sandra Nears. Tilly injeta humor macabro, enquanto Dizzia aprofunda a dor familiar, lembrando que o drama não pertence apenas ao Além. Esses movimentos de elenco reforçam a observação publicada no Salada de Cinema, onde se menciona que a terceira temporada de School Spirits aposta em atuações afiadas para sustentar o ritmo ágil.
Vale a pena assistir?
O terceiro ano de School Spirits mantém o suspense em alta, aprofunda personagens e apresenta novos cenários sem perder a identidade adolescente. A combinação de direção segura, roteiro que amplia horizontes e um elenco em sintonia conserva o frescor da série.



