Em Supergirl (2026), a origem de Kara Zor-El foi reescrita de forma significativa em relação aos quadrinhos. Ela não nasceu em Krypton, e sim em Argo City, uma cidade separada protegida por um campo de força inventado por seu pai, Zor-El. O filme em cartaz desde 26 de junho de 2026 usa essa mudança para responder uma pergunta que o DCU criou, mas a solução deixa rastros complicados.
O problema começa em Superman (2025), quando o filme revela que Jor-El e Lara Lor-Van enviaram Kal-El à Terra não como ato de amor ou esperança, mas com uma missão de conquista. A reviravolta muda tudo que o personagem acreditava sobre os próprios pais, e cria uma pergunta inevitável: se Kara conhecia aquela família em Krypton, por que nunca avisou o primo sobre isso?
A solução de Argo City e as perguntas que ela abre

A resposta que Supergirl oferece é simples na intenção: Kara nunca viveu em Krypton de verdade, então não teria como saber das intenções de Jor-El e Lara. Argo City sobreviveu à destruição do planeta como uma espécie de satélite, até que o envenenamento por kryptonita forçou Zor-El a mandar a filha para a Terra, seguindo os passos do irmão.
O raciocínio funciona no papel. Na tela, levanta mais dúvidas do que fecha. O filme menciona que Kara é mais velha que Kal-El, como ocorre nos quadrinhos, mas a cronologia da origem apresentada não sustenta isso com clareza. Há também uma inconsistência que chama atenção: toda Argo City morre envenenada por kryptonita, mas Kara não é afetada, sem que o roteiro explique por quê.
E tem ainda a questão de Zor-El. O personagem, ao longo do filme, faz questão de deixar claro que considera o irmão Jor-El um lunático perigoso. Mesmo assim, teria mandado a filha para a Terra sem ao menos alertá-la sobre as intenções de Jor-El em relação a Superman? A lógica emocional não fecha.
O custo real para o personagem
A mudança de origem não é só um problema de coerência interna. Ela elimina algo que poderia ter sido o núcleo dramático mais rico do filme: uma Kara que cresceu em Krypton, que conhecia os pais de Kal-El de perto, e que teria escolhas morais muito mais pesadas para fazer ao se encontrar com o primo na Terra.
Com a versão de Argo City, a relação entre os dois personagens perde aquela tensão potencial. As diferenças entre eles ficam mais superficiais, e as conversas que teriam sobre Krypton acabam mais planas do que o material pedia.
Milly Alcock e David Corenswet entregam boas atuações nos seus respectivos papéis. O problema não está no elenco. Está numa arquitetura de origem que parece construída para proteger a reviravolta de Superman antes de se preocupar com o que Supergirl precisaria ser como personagem.
A análise do winteriscoming.net coloca bem: a impressão é que muito esforço foi investido em adaptar a origem de Kara às demandas narrativas do DCU em expansão, e esse custo aparece tanto no filme quanto na personagem.
O que a origem reescrita de Kara revela sobre o DCU de James Gunn
Sem uma declaração oficial de James Gunn sobre a intenção por trás dessas mudanças, fica no campo da interpretação dizer que ele fez isso exclusivamente para preservar o twist de Superman. Pode ser. Mas o efeito prático é que Supergirl (2026) chega aos cinemas com uma origem que exige muito da audiência para funcionar e entrega pouco em troca.
O DCU ainda está construindo sua base, e decisões como essa sugerem que manter a continuidade entre filmes pode estar pesando mais do que o desenvolvimento individual de cada personagem. Se isso vai mudar com os próximos projetos do universo, ainda não há resposta.
Fonte principal: DC. Informações complementares: IGN e Winteriscoming.



