Sam Raimi voltou ao topo. O diretor, que já havia conquistado a crítica com a trilogia do Homem-Aranha e com Drag Me to Hell, viu seu novo longa, Send Help, abrir com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes. O resultado desbanca o antigo campeão da filmografia do cineasta, Spider-Man 2, que mantém 93%.
Produzido por um orçamento enxuto de US$ 40 milhões, o thriller psicológico estreia oficialmente nos cinemas em 30 de janeiro de 2026. Até aqui, 85 análises já foram computadas pelo agregador, sinalizando um consenso raro para uma obra de terror de classificação indicativa R.
Dinâmica entre Rachel McAdams e Dylan O’Brien domina a tela
Boa parte do entusiasmo crítico gira em torno do embate dramático entre Rachel McAdams e Dylan O’Brien. Ela interpreta Linda, funcionária retraída que sofre abuso sistemático do chefe Bradley até que um acidente aéreo coloca os dois isolados em uma ilha. Sem recursos e sem a hierarquia corporativa por perto, a relação inverte.
McAdams explora camadas de fragilidade e fúria contida, entregando uma virada de personalidade que muitos críticos citaram como “catarse pura”. O’Brien, por sua vez, alterna arrogância, desespero e humor macabro de modo convincente, lembrando o público de seu alcance além de projetos como Teen Wolf. A química tóxica da dupla, com diálogos afiados de Damian Shannon e Mark Swift, sustenta o filme mesmo em passagens de pura tensão silenciosa.
Direção de Sam Raimi resgata o horror visceral dos anos 1980
Há mais de duas décadas Raimi não assinava um terror R-rated. Em Send Help, o cineasta retoma a câmera nervosa e o humor negro que marcaram a franquia Evil Dead, porém refinados por efeitos práticos modernos e uma fotografia que valoriza o cenário paradisíaco transformado em pesadelo.
Planos inclinados, travellings súbitos e o uso inventivo do som reforçam a sensação de desorientação dos personagens. A crítica do Seattle Times descreveu o longa como “estudo fascinante de poder em mutação”, enquanto jornais australianos destacaram o “mix engenhoso de sangue, gore e humor fúnebre”. Esse retorno à forma rende ao diretor agradecimentos de fãs que, como nós no Salada de Cinema, acompanham sua carreira desde Ash e a serra elétrica.
Roteiro equilibra crítica social e espetáculo de sobrevivência
Shannon e Swift estruturam a narrativa em três atos enxutos que mesclam comentário sobre ambientes de trabalho abusivos e suspense de sobrevivência. O primeiro ato, ainda na cidade, apresenta rápido a toxicidade corporativa; o segundo se passa integralmente na ilha, onde o terror corporal e psicológico impera; o terceiro ato mergulha em reviravoltas brutais sem perder coerência temática.
Esse equilíbrio tem sido elogiado por evitar o mero choque gratuito. A união entre desenvolvimento de personagem e violência gráfica faz com que cada gota de sangue intensifique o discurso sobre dominação e dependência. A estratégia lembra o modo como Ryan Coogler tece comentários sociais em seus roteiros, recurso analisado recentemente quando Sinners explorou o passado trágico de Smoke e Stack.
Imagem: Divulgação
Expectativas de bilheteria e impacto no calendário de janeiro
Projeções da Variety apontam abertura doméstica entre US$ 14 e 17 milhões e receita internacional de até US$ 12 milhões. Para atingir o ponto de equilíbrio, Send Help precisará aproximar-se dos US$ 100 milhões globais. Janeiro costuma ser um mês morno para lançamentos, e o longa surge como potencial “quebra-gelo”, competindo com Mercy, sci-fi estrelado por Chris Pratt.
Se o boca a boca acompanhar os elogios iniciais, o filme pode repetir a trajetória de sucessos recentes de terror de orçamento contido. A Universal aposta justamente nesse fator para sustentar a produção em cartaz além da estreia, prática que funcionou em títulos como Fale Comigo e M3GAN.
Vale a pena assistir Send Help?
Para fãs de narrativa claustrofóbica e reviravoltas morais, Send Help se revela obrigatório. A combinação entre a performance transformadora de Rachel McAdams e a direção inventiva de Sam Raimi cria um espetáculo cru, mas nunca gratuito.
A duração enxuta de 113 minutos mantém o ritmo alto, enquanto o humor sardônico suaviza a tensão sem quebrar o horror. Quem aprecia o cinema de Raimi nos anos 1980 encontrará ecos de Evil Dead, mas com maturidade temática e técnica atualizadas.
Por fim, a recepção crítica recorde ― 94% no Rotten Tomatoes ― funciona como selo de confiança para quem hesita diante de mais uma produção de terror em meio à enxurrada anual do gênero. Ainda que a bilheteria precise de impulso, a qualidade artística já está garantida.



