School Spirits regressa com a difícil missão de provar que ainda tem fôlego depois de dois anos equilibrando suspense adolescente e drama sobrenatural. Logo nos primeiros minutos, fica claro que a série do Paramount+ não pretende prolongar dúvidas: respostas surgem rapidamente, o que injeta energia nova na trama de Split River.
Ao mesmo tempo, a produção adequa o tom para que público veterano e novato entrem no jogo sem esforço. Isso passa pela sintonia entre roteiro, direção e um elenco que, agora, domina as regras desse pós-vida peculiar.
Elenco principal mergulha com mais profundidade
Peyton List, de volta ao papel de Maddie Nears, assume controle absoluto da narrativa. Antes marcada pelo ar de eterna incerteza, a atriz entrega uma protagonista mais madura, ciente de seus limites entre dois mundos. Oscilando entre fragilidade e liderança, List cria nuances que não apareciam com tanta clareza nas temporadas iniciais.
Milo Manheim, intérprete de Wally Clark, ganha espaço para trabalhar humanidade e ironia após a aparente travessia ao “outro lado”. O ator evita caricaturas e faz do ex-atleta um ponto de equilíbrio emocional, algo raro em produções juvenis que flertam com o fantástico. Kristian Ventura também merece menção: seu Simon Elroy luta para manter os pés na realidade enquanto carrega cicatrizes – literais e metafóricas – de tudo que testemunhou.
Direção acerta no ritmo ao resolver pontas soltas
Os três primeiros episódios, dirigidos por Max Winkler, mostram consciência de que o grande trunfo agora é velocidade. Winkler, que já comandou capítulos importantes no segundo ano, alterna planos fechados para reforçar intimidade com movimentos de câmera mais largos nas cenas de transição entre vivos e mortos. O contraste evita que o espectador se acostume demais com a estética do Além.
Essa cadência lembra o suspense de ambiente contido visto em O Código do Silêncio, longa de Joe Raffa recém-chegado ao streaming prime video. A diferença é que, em School Spirits, a direção precisa articular múltiplas linhas temporais, o que Winkler faz sem perder o fio emocional. A montagem corta rapidamente entre Maddie, Simon e Wally, mas sempre deixa um respiro para o desconforto assentar.
Roteiro renova as regras entre vivos e mortos
A sala de roteiristas, liderada por Megan Trinrud e Nate Trinrud, percebeu que o velho truque – “quem matou Maddie?” – não sustentaria outra temporada. Por isso, a terceira leva estabelece logo de cara novos parâmetros para as “cicatrizes” que ligam fantasmas à escola. Os eventos escapam do campus, sugerindo que a fronteira entre dimensões é mais porosa do que se imaginava.
Imagem: Divulgação
Essa reconfiguração expande oportunidades dramáticas e conversa com a tendência de thrillers televisivos que apostam em reviravoltas constantes, a exemplo de Memory of a Killer, que brilhou pelo roteiro afiado e elenco de peso na TV. Em Split River, o texto apresenta regras claras – fantasmas podem influenciar a matéria de forma limitada – para em seguida torcê-las e surpreender a audiência.
Novos rostos sacodem Split River
A introdução de Jennifer Tilley como a Dra. Deborah Hunter-Price é, sem dúvida, a principal novidade. Em poucas cenas, a atriz injeta humor negro e cinismo à série, lembrando que School Spirits sempre foi mais sarcástica do que parecia. Sua presença também questiona o monopólio juvenil na história, abrindo espaço para conflitos geracionais.
Entre os coadjuvantes, destaca-se a galeria de alunos recém-falecidos, cada qual com passado misterioso que promete conexões inesperadas. A chegada desse grupo muda a dinâmica social do “clube dos fantasmas”, reforçando aquela atmosfera de “quem está do meu lado?” que mantém o espectador atento. Como efeito colateral, personagens veteranos ganham motivações renovadas para defender território emocional – ou físico – dentro da escola.
School Spirits vale a maratona?
Salada de Cinema costuma acompanhar de perto séries que arriscam remodelar sua própria mitologia. School Spirits faz exatamente isso ao acelerar respostas, refinar atuações e recrutar nomes de destaque como Jennifer Tilley. O resultado, pelo menos nesses três capítulos iniciais, é um suspense adolescente com alma pop, mas consciência de que envelhecer também significa mudar de perspectiva.
Se a série mantiver o equilíbrio entre drama juvenil, humor sombrio e mistério sobrenatural, a terceira temporada pode entregar a experiência mais coesa do catálogo do Paramount+. Quem já investiu tempo em Split River encontrará recompensa rápida; quem chega agora terá acesso a um ponto de entrada menos confuso. Resta apenas acompanhar se o jogo de pistas e reviravoltas continua afiado até o oitavo episódio.


