Quase um ano depois de Branca de Neve tropeçar nas bilheterias, Rachel Zegler volta a encabeçar um longa-metragem. O novo projeto, She Gets It from Me, entra em produção em 23 de fevereiro e reúne a atriz com um elenco de peso, incluindo Marisa Tomei e Ed Helms.
A obra, inspirada em fatos reais, marca também a primeira colaboração da diretora alemã Julia von Heinz com roteirista Jay Reiss em uma história que promete equilibrar humor e reflexão sobre laços familiares. A seguir, destrinchamos o retorno de Zegler, a proposta narrativa e o que esperar da atuação do elenco.
Trama de She Gets It from Me coloca adoção e maternidade sob nova lente
No centro da narrativa está Nicky Jannis, vivida por Zegler. Prestes a se casar, ela decide procurar a mãe biológica, Charlotte Wolfe, interpretada por Marisa Tomei. O reencontro, porém, não rende o final feliz instantâneo que o subgênero costuma entregar. Ao contrário, Julia von Heinz pretende explorar o que acontece depois da descoberta — fase raramente mostrada no cinema.
A sinopse sugere situações tanto emocionais quanto cômicas: duas mulheres, de gerações distintas, tentando redefinir o conceito de família com data de casamento batendo à porta. A diretora já adiantou que o roteiro investiga “o que vem depois do abraço”, abrindo espaço para perguntas sobre maternidade, identidade e pertencimento.
Rachel Zegler busca reabilitação após Branca de Neve
A vitória no Globo de Ouro por Amor, Sublime Amor apresentou Zegler ao mundo como promessa de Hollywood. Desde então, a atriz alternou participações em blockbusters — Shazam! Fury of the Gods e Jogos Vorazes: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes — com projetos menores, como o indie Y2K. Entretanto, o live-action Branca de Neve, lançado em março de 2025, deixou cicatrizes: orçamento de US$ 336 milhões, bilheteria de apenas US$ 205 milhões e críticas severas que culminaram em indicações ao Framboesa de Ouro.
Esse histórico recente torna She Gets It from Me uma oportunidade estratégica. Distante do aparato de efeitos visuais e da pressão dos contos de fadas da Disney, Zegler volta às raízes dramáticas que a consagraram no musical de Spielberg. A personagem Nicky exige sutileza: precisa revelar insegurança de filha adotiva, mas também o humor que nasce das interações desconfortáveis com uma família que ela mal conhece. Essa combinação pode devolver à atriz o respeito da crítica e, quem sabe, reabrir portas para premiações de prestígio.
Marisa Tomei e Ed Helms reforçam o elenco com química improvável
Vencedora do Oscar por Meu Primo Vinny, Marisa Tomei carrega longa experiência em papéis que equilibram carisma e vulnerabilidade, vide O Lutador e a recente passagem pelo Universo Marvel. Como Charlotte Wolfe, ela deve contrapor a energia de Zegler, criando um duelo de timing cômico versus drama contido. A atriz tem histórico de elevar produções de médio orçamento à categoria de cult, algo que certamente interessa ao estúdio.
Já Ed Helms, lembrado pelo público de The Office, assume o papel de um membro da família Wolfe — figura ainda não detalhada. A comédia corporal de Helms pode suavizar as tensões do reencontro, oferecendo respiro bem-vindo ao público. Nat Wolff, conhecido por Cidades de Papel, completa o núcleo principal, sugerindo dinâmica familiar diversificada. O trio, aliado à protagonista, configura elenco coeso que pode repetir o êxito de dramas familiares como Pequena Miss Sunshine.
Direção de Julia von Heinz aposta em realismo emocional
Julia von Heinz consolidou-se no circuito europeu com Undine e And Tomorrow the Entire World, longas que mesclam política e relações pessoais. Em She Gets It from Me, a cineasta migra para o mercado norte-americano sem abandonar a assinatura: câmera próxima ao ator e montagem que prioriza reações, não diálogos expositivos. A escolha casa bem com roteiro de Jay Reiss, roteirista de The Oranges, que já demonstrou habilidade em colocar humor em dilemas familiares.
Imagem: Divulgação
Nos bastidores, o time de produção reúne Anna Werner, Susan Leber e Jack Chinery. A presença de múltiplos produtores indica esforço conjunto para manter o orçamento enxuto, favorecendo locações reais e fotografia intimista — contraponto direto aos cenários digitais que enterraram Branca de Neve. Estratégia semelhante foi adotada por Chloé Zhao em Hamnet, drama shakespeariano que até emocionou James Cameron com sua sensibilidade.
A experiência de bastidores prepara terreno para debates atuais
Além de explorar maternidade, adoção e identidade, She Gets It from Me chega em momento oportuno para Hollywood, ainda movendo discussões sobre representatividade e famílias multiétnicas. O currículo teatral recente de Zegler, tanto na Broadway quanto no West End, adiciona bagagem para lidar com diálogos densos e cenas de confronto emocional ao vivo — habilidade que costuma transbordar para o cinema em forma de autenticidade.
Jay Reiss, por sua vez, investe em humor fundamentado na realidade. Em entrevistas passadas, o roteirista declarou preferência por “personagens que soem como nossos vizinhos”, manobra que facilita identificação do público. A convergência entre texto humano e direção naturalista promete distanciar o filme de melodramas convencionais, buscando o tom agridoce de sucessos indie como Lady Bird.
Riscos e expectativas de bilheteria
Ainda sem data de estreia, She Gets It from Me nasce com orçamento modesto em comparação ao live-action da Disney, reduzindo exposição a prejuízos catastróficos. O foco em performance ao invés de espetáculo visual limita também dependência do mercado internacional, algo vital após a pandemia e a greve de atores. Distribuidora e formato de lançamento serão anunciados nos próximos meses, mas executivos já cogitam circuito híbrido: salas de arte seguido de streaming premium.
Se o filme angariar críticas positivas em festivais, como Toronto ou Sundance, o caminho para campanhas de premiação é viável. Tomei e Zegler, previamente indicadas a Globo de Ouro e Oscar, oferecem credibilidade que atrai atenção de votantes. Elogios iniciais também podem ecoar em serviços on-demand, estratégia usada pela Amazon ao validar romances jovens como 30 Sunsets to Fall in Love.
Vale a pena ficar de olho em She Gets It from Me?
Para o leitor do Salada de Cinema que busca enredos íntimos apoiados em atuações sólidas, o projeto desponta como aposta interessante. A jornada de Rachel Zegler para recuperar prestígio, a presença magnética de Marisa Tomei e a visão autoral de Julia von Heinz formam combinação instigante. Se o roteiro realmente equilibrar humor e reflexão sem cair em clichês, She Gets It from Me tem potencial para se tornar um retrato contemporâneo sobre o que significa pertencer a uma família — biológica ou escolhida.



