Com US$ 665 milhões acumulados globalmente, O Diabo Veste Prada 2 já superou Liga da Justiça — o filme mais caro já produzido pelo universo DC — e segue em cartaz sem sinais de esgotamento. A comparação não é capricho: ela resume o desequilíbrio de um mercado que, em 2026, continua surpreendendo os estúdios com o que o público realmente quer ver.
Uma comédia dramática de US$ 100 milhões enterrando um blockbuster de US$ 300 milhões
Liga da Justiça, dirigida por Joss Whedon e lançada em 2017, custou US$ 300 milhões — o maior orçamento da história do universo DC estendido — e terminou sua carreira nos cinemas com US$ 661 milhões globais, sendo US$ 432 milhões vindos do mercado internacional. Era um número que qualquer produção não-superheroica dificilmente alcançaria. O Diabo Veste Prada 2 alcançou com um terço do orçamento.
O filme dirigido por David Frankel — o mesmo da obra original, de 2006 — estreou em 1º de maio de 2026 com um orçamento declarado de US$ 100 milhões e abriu o fim de semana com US$ 76,7 milhões apenas no mercado doméstico norte-americano. Cinco semanas depois, o acumulado já ultrapassou US$ 448 milhões somente no mercado internacional, número que também deixa para trás o Superman de James Gunn, lançado em 2025 e que encerrou sua corrida com US$ 618 milhões globais.
No mercado doméstico, Liga da Justiça ainda lidera contra O Diabo Veste Prada 2 — US$ 229 milhões contra US$ 214 milhões —, mas o filme de Frankel ainda está em cartaz, o que torna essa inversão bastante provável nas próximas semanas.
O retorno que a Disney apostou, mas provavelmente não esperava nessa escala
Não é exagero dizer que a Disney fez uma aposta calculada e recebeu de volta uma surpresa. Continuações de filmes com mais de 15 anos de intervalo raramente funcionam: Indiana Jones e a Relíquia do Destino foi um fracasso crítico e comercial, e outros legados revisitados pelos estúdios tropeçaram mesmo com nostalgia garantida. O Diabo Veste Prada 2 não apenas funcionou — estabeleceu um patamar difícil de replicar.
A combinação que explica o desempenho é mais específica do que “nostalgia”: a volta de Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci com o mesmo roteirista da obra original, Aline Brosh McKenna, sinalizou para o público que não se tratava de um derivado de oportunidade. O filme tem 119 minutos de duração e foi rodado com a cinematografia de Florian Ballhaus e trilha de Theodore Shapiro — os mesmos nomes técnicos do original. Para quem acompanhou o primeiro filme, havia uma promessa implícita de continuidade autoral, não de remake disfarçado.
O roteiro, segundo o material de divulgação, leva a icônica revista fictícia Runway para uma era turbulenta de mídia digital — um contexto que ressoa com o público atual de uma forma que o original, ambientado no auge do jornalismo impresso de moda, não poderia antecipar.

O que o ranking de 2026 revela sobre o gosto do público agora
Atualmente, O Diabo Veste Prada 2 ocupa a quarta posição entre os filmes mais lucrativos do ano, atrás de The Super Mario Galaxy Movie, Michael e Project Hail Mary — mas à frente de O Mandaloriano e Grogu e de outros lançamentos da própria Disney. Ou seja: dentro do catálogo do estúdio em 2026, é o maior sucesso do ano.
Essa posição diz algo sobre o momento. Filmes liderados por mulheres e comédias dramáticas são historicamente tratados como projetos de “risco moderado” pelos estúdios — uma cautela que se reflete em orçamentos mais enxutos e campanhas de marketing menos agressivas. O desempenho de O Diabo Veste Prada 2 sugere que essa lógica está sendo revisada na prática, mesmo que os executivos demorem a admiti-lo em público.
Com estreia mundial realizada em 20 de abril de 2026 no Lincoln Center, em Manhattan, o filme foi tratado como evento cultural antes mesmo de chegar às salas — e o público correspondeu. A queda de apenas 46% no segundo fim de semana (de US$ 76,7 mi para US$ 41,6 mi) indica retenção acima da média para o gênero, o que aponta para boca a boca positivo sustentado, não apenas para abertura por impulso de nostalgia.
O benchmark que vai pressionar os próximos lançamentos da Disney
O problema que O Diabo Veste Prada 2 cria para a própria Disney é existencial no bom sentido: como o estúdio replica isso? A resposta óbvia — “pegue um IP amado, traga o elenco original, contrate o diretor de volta e escreva algo relevante para hoje” — é mais simples de enunciar do que de executar. Outras continuações tardias tentaram exatamente isso e falharam.
O que o filme de Frankel tem que seus predecessores não tinham é difícil de quantificar: uma base de fãs que cresceu com o original e chegou aos 30 e 40 anos com renda disponível e disposição para pagar ingresso de cinema por algo que sente como seu. Não é apenas nostalgia — é pertencimento. E esse é um ativo que nenhum orçamento de US$ 300 milhões compra automaticamente, como a indústria continua aprendendo da forma mais cara possível.
Fonte: thedirect.com










