Imagine um filme de assalto B de Quentin Tarantino. Agora imagine que, na metade, ele vira um filme de vampiros B de Robert Rodriguez. Essa é a mistura caótica e genial de Um Drink no Inferno, o clássico cult de 1996 que agora pode ser revisitado no Paramount+.
Um Drink no Inferno, com 1 hora e 47 minutos, não é para os fracos. É um verdadeiro banho de sangue, uma festa anárquica que junta George Clooney em seu primeiro papel de astro de cinema, o próprio Tarantino como um psicopata e Salma Hayek em uma das danças mais icônicas da história! Prepare a tequila e a estaca.
A história de Um Drink no Inferno
Os irmãos Gecko estão com problemas. Seth é o cérebro frio e Richard, o gatilho instável. Após um assalto que deixou um rastro de corpos, eles precisam cruzar a fronteira do México antes que o FBI os alcance. O plano dos irmãos em Um Drink no Inferno é sequestrar uma família como reféns e usar seu trailer para passar despercebido.
A família em questão é a dos Fuller, composta por um ex-pastor que perdeu a fé e seus dois filhos adolescentes. A travessia é tensa, mas bem-sucedida. O destino final é um bar de caminhoneiros no meio do deserto mexicano, o Titty Twister, onde eles devem encontrar um contato.
O bar, no entanto, tem um segredo: ele só abre do pôr do sol ao amanhecer, e seus funcionários têm uma sede insaciável.
O casamento perfeito do crime com o sobrenatural
A genialidade de Um Drink no Inferno está em sua estrutura repartida ao meio. Os primeiros 45 minutos são puro Tarantino: diálogos sobre cultura pop, personagens que não ligam para a moral e uma tensão que explode em violência.
Quando os irmãos chegam ao bar, o filme vira a chave. Robert Rodriguez assume o controle, e o que era um thriller policial se transforma em um cerco de terror B, com vampiros e armas improvisadas.
Essa mudança abrupta é o que torna o filme tão único. É uma obra que celebra os gêneros “exploitation” com uma paixão contagiante. Rodriguez filma o massacre no bar com a mesma energia caótica de A Balada do Pistoleiro. A maquiagem dos vampiros, cortesia de Robert Kurtzman, é um espetáculo de nojeira e criatividade.
A equipe que abriu as portas do inferno mexicano
A direção de Um Drink no Inferno é de Robert Rodriguez, em uma de suas nove colaborações com Danny Trejo. O roteiro é de Quentin Tarantino, baseado em uma história de Robert Kurtzman.
O elenco é o que define o status cult do filme. George Clooney, recém-saído da série Plantão Médico (ER), usa este papel para explodir como astro de cinema, ganhando um MTV Movie Award de Melhor Revelação; seu Seth Gecko é o centro de calma em meio à loucura.

Quentin Tarantino interpreta Richard Gecko com uma instabilidade assustadora. Harvey Keitel empresta sua gravidade ao ex-pastor Jacob Fuller. E Salma Hayek, como a dançarina Santanico Pandemonium, cria um momento icônico sem dizer quase nada.
Com uma nota 7.2/10 no IMDb, Um Drink no Inferno é a obra ideal para quem ama cinema de gênero sem frescuras, uma festa de sangue e rock ‘n’ roll.
A obra, que está na Paramount+, nos deixa com uma lição importante: nunca, jamais, entre em um bar que só abre à noite e tem um nome suspeito. A não ser que você esteja pronto para uma noite muito, muito longa.
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