A vida dos cadetes da Frota chegou ao fim mais cedo do que o esperado. A Paramount+ decidiu não produzir uma terceira temporada de Starfleet Academy, encerrando o derivado de Star Trek logo após as filmagens do segundo ano.
Com estreia prevista para o início de 2027, a leva final de episódios marca não só a despedida da série liderada pela vencedora do Oscar Holly Hunter, mas também o congelamento da linha do tempo mais distante já vista na franquia, ambientada no século 32.
Como o cancelamento afeta a cronologia de Star Trek
Starfleet Academy nasceu diretamente dos eventos de Star Trek: Discovery e manteve a ação mil anos além das aventuras do capitão Jonathan Archer. Ao situar a trama em 3192, o programa expandia o universo iniciado no terceiro ano de Discovery, quando Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) ajudou a reconstruir a Federação após o cataclismo conhecido como The Burn.
Sem um terceiro ano, essa era cheia de tecnologia avançada – transportadores pessoais, matéria programável e naves de design ousado – perde a chance de evolução natural. O salto temporal, que já dividia fãs por destoar do visual dos séculos 23 e 24, agora fica estacionado no ponto em que a Federação comemorava a prisão de Nus Braka (Paul Giamatti) e um futuro promissor em Betazed.
Cadetes sem formatura: o impacto narrativo
A construção dramática de Starfleet Academy seguia a lógica de “um ano letivo por temporada”. Com o corte abrupto, Caleb Mir (Sandro Rosta), Genesis Lythe (Bella Shepard), Darem Reymi (George Hawkins) e os colegas concluem apenas o segundo ano. O público não verá esses jovens se transformarem em oficiais, nem saberá o destino dos gêmeos Trill Tarima e Ocam Sadal ou do carismático Jay-Den Kraag (Karim Diané).
Essa guinada narrativa elimina o que seria o arco de maturidade dos protagonistas, algo que poderia injetar sangue novo na franquia. É uma perda parecida com a de títulos que ousam explorar linhas temporais alternativas, como a quinta temporada de For All Mankind, elogiada no Salada de Cinema (confira a análise), e que conseguiu concluir seus personagens em Marte.
Atuações e bastidores: o que deu certo
Mesmo com apenas duas temporadas, a performance de Holly Hunter como a reitora Nahla Ake foi ponto alto. A atriz emprestou autoridade e calor humano, equilibrando disciplina e empatia em diálogos que lembravam a tradição humanista de Star Trek. Entre os cadetes, Bella Shepard sobressaiu ‑ a intérprete de Genesis exalou energia juvenil, funcionando como contrapeso ao rigor acadêmico.
Imagem: Divulgação
Nos bastidores, Alex Kurtzman e Noga Landau dividiram a função de showrunners. Kurtzman, veterano da franquia desde 2009, voltou a colaborar com roteiristas como Gaia Violo e Jane Maggs, garantindo continuidade temática com Discovery. A direção revezou nomes frequentes da casa, como Douglas Aarniokoski, que priorizou cenas em plano-sequência nos corredores da Academia, e Larry Teng, responsável por batalhas espaciais mais contidas, valorizando efeitos práticos.
Por que a era do século 32 perdeu força
Apesar de oferecer possibilidades ilimitadas, o século 32 enfrentou resistência de parte do fandom. A estética futurista, repleta de uniformes minimalistas e interfaces holográficas, destoava da nostalgia que impulsiona produtos como Strange New Worlds ou a retomada do século 25 vista em Picard.
Além disso, The Burn – evento que detonou todas as naves de dobra simultaneamente – nunca ganhou a mesma simpatia que guerras Klingon ou conflitos Borg, elementos clássicos da saga. Sem números de audiência comparáveis a outras séries da Paramount+, o investimento num terceiro ano de Starfleet Academy pareceu arriscado para o estúdio.
Vale a pena assistir às duas temporadas?
Mesmo sem conclusão planejada, Starfleet Academy entrega um recorte raro de esperança dentro da franquia, centrado em formação e diplomacia. As atuações de Hunter e do elenco jovem dão fôlego à narrativa, enquanto a direção mantém o espírito exploratório vivo. Para quem deseja completar a linha do tempo da saga ou conferir o trabalho de Kurtzman em terreno totalmente inédito, os 20 episódios previstos ainda oferecem uma experiência coesa — ainda que sem formatura.


