Poucos filmes carregam o peso de O Exorcista. A obra-prima de 1973 não é apenas um clássico; é um marco cultural que redefiniu o horror. Mas, cinquenta anos depois, O Exorcista: O Devoto, a sequência direta que ignora todas as outras continuações, chegou à Netflix.
Dirigido por David Gordon Green, o homem que ressuscitou Michael Myers na recente trilogia Halloween, o O Exorcista: O Devoto tenta o impossível: continuar a história. A obra, com 1 hora e 52 minutos, traz de volta Ellen Burstyn ao seu papel icônico e dobra a aposta no terror da possessão.
A história de O Exorcista: O Devoto: a fé testada em dobro
Doze anos se passaram desde que Victor Fielding perdeu sua esposa grávida em um terremoto no Haiti. Ele criou a filha, Angela, sozinho, afastado de qualquer fé. A vida deles vira de cabeça para baixo quando Angela e sua amiga Katherine desaparecem na floresta após a escola.
Elas retornam três dias depois, desorientadas e sem memória do ocorrido. Mas algo voltou com elas. Comportamentos bizarros e violentos tomam conta das meninas.
Os médicos não têm respostas. Desesperado, Victor é forçado a confrontar a possibilidade do mal absoluto. Sua busca por ajuda o leva à única pessoa que enfrentou algo parecido e sobreviveu: Chris MacNeil.
O desafio de exorcizar um legado
David Gordon Green aplica a O Exorcista: O Devoto a mesma fórmula de “sequência-legado” que usou em Halloween. Ele respeita o original, mas tenta contar uma nova história sobre como o trauma e o mal se espalham.
A ideia de uma possessão dupla era para ser um o grande trunfo conceitual do filme, mas ele acabou pecando em todos os sentidos. A execução dividiu a crítica e o público. E hoje, o filme luta sob o peso da comparação com o original.
Onde o clássico construía seu terror lentamente, focando na atmosfera e no drama psicológico, esta sequência por vezes se apoia em sustos mais convencionais. O retorno de Chris MacNeil, embora emocionante, parece mais uma participação especial do que uma parte integral da trama.
O elenco e a produção que enfrentam o demônio (e a expectativa)
A direção do longa de 2023 é de David Gordon Green, a partir de um roteiro que ele co-escreveu com Peter Sattler, baseado no best-seller original de William Peter Blatty.
O Exorcista: O Devoto é ancorada por Leslie Odom Jr. (Uma Noite em Miami). Seu Victor Fielding não é um homem de fé inabalável, é um pai cético e desesperado, e Odom Jr. carrega esse conflito em seu rosto exausto.

O retorno de Ellen Burstyn como Chris MacNeil é o grande evento para os fãs de longa data do filme, sua presença confere uma gravidade instantânea à narrativa, mesmo que breve.
E Ann Dowd (Hereditário, O Conto da Aia), como a vizinha e enfermeira Ann, representa a fé simples da comunidade que se une para lutar contra o mal.
Com críticas duras (apenas 22% no Rotten Tomatoes) e uma nota modesta de 4.9/10 no IMDb, a obra claramente não atingiu as alturas do original. Mas para fãs da franquia curiosos sobre uma nova abordagem, O Exorcista: O Devoto oferece momentos de tensão e uma premissa interessante.
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