O horizonte do streaming acaba de ganhar um novo contorno. Após vencer a disputa pela compra da Warner Bros. Discovery, a Paramount Skydance oficializou que irá juntar HBO Max e Paramount+ em um único serviço.
Com o anúncio, o conglomerado chefiado por David Ellison projeta alcançar mais de 200 milhões de assinantes diretos até meados de 2026, criando um peso-pesado capaz de rivalizar com Netflix e Prime Video.
O que muda com a união entre HBO Max e Paramount+
O plano foi detalhado em teleconferência com investidores. Ellison explicou que as duas plataformas — além de um serviço voltado ao mercado norte-americano que será encerrado — passarão a operar “numa pilha de tecnologia unificada”. Segundo ele, o catálogo combinado e a infraestrutura única colocarão o grupo em pé de igualdade com os maiores players do setor direto ao consumidor (DTC).
A projeção parte da base atual: HBO Max soma mais de 150 milhões de usuários globais desde a estreia em maio de 2020, enquanto o Paramount+ contabiliza cerca de 61 milhões. Caso todos migrem para a nova interface, serão 211 milhões de contas ativas, superando os 131,6 milhões do Disney+ e ficando atrás apenas de Amazon Prime Video (315 milhões) e Netflix (325 milhões).
Independência da marca HBO preservada
Apesar da fusão, a identidade da HBO será mantida. Ellison garantiu que o selo continuará operando “com independência”, o que significa que séries clássicas como Game of Thrones, Família Soprano e produções originais recentes, a exemplo de Peacemaker e o drama multipremiado The Pitt, seguirão carregando o logotipo HBO na abertura.
A estratégia contrasta com posicionamentos anteriores. Em negociações passadas, a Netflix cogitava manter as marcas separadas caso adquirisse a Warner, mas desistiu do negócio — assunto já explorado no Salada de Cinema em entrevista com Ted Sarandos (confira aqui).
Impacto financeiro e dúvidas sobre preços
Um ponto sensível é o endividamento de aproximadamente US$ 79 bilhões resultante da operação. Para equilibrar as contas, a nova gigante pode adotar valor médio entre os US$ 139 anuais do Paramount+ sem anúncios e os US$ 230 do HBO Max premium em 4K.
Imagem: Divulgação
Até o momento, não há definição oficial de preço. Entretanto, o argumento de reunir produções exclusivas — de Game of Thrones a NCIS — em um só endereço digital fortalece a possibilidade de uma mensalidade mais alta, mirando público disposto a pagar por acesso completo.
Biblioteca de conteúdo e produção de originais em xeque
Outra incerteza refere-se aos acordos de licenciamento já firmados com Netflix, Disney+, Hulu e Prime Video. Diversas séries e filmes das duas empresas circulam nesses catálogos. A consolidação pode levar à retirada gradual de títulos rivais, concentrando a demanda na nova plataforma.
Além disso, ainda não se sabe como ficarão os estúdios responsáveis pelos conteúdos originais. Hoje, produções do Paramount+ vêm majoritariamente da Paramount Television e da CBS Studios, enquanto o HBO Max conta com o braço televisivo da Warner Bros. O elevado passivo financeiro pode forçar cortes ou ritmo menor de lançamentos até que as contas se estabilizem.
Vale a pena assinar a nova plataforma?
A resposta depende do valor final e da permanência das séries favoritas do público. Se o conglomerado conseguir combinar preço competitivo, estabilidade técnica e a força criativa de marcas como HBO e CBS, o resultado pode ser um catálogo irresistível para fãs de televisão premium — ainda que o cenário de dívidas e renegociação de licenças traga desafios significativos nos próximos anos.



