Depois de mais de uma década sem trabalharem juntos, Mark Wahlberg e o cineasta islandês Baltasar Kormákur firmam nova parceria em The Big Fix, longa-metragem que a Netflix coloca em produção nos próximos meses. A reunião desperta curiosidade por repetir a dupla responsável por Contrabando (2012) e pelo subestimado Dois Tiros (2013), sucesso que rendeu US$ 131 milhões nas bilheterias mundiais.
O projeto, inspirado em fatos reais, traz Wahlberg como agente da Interpol empenhado em desmontar um esquema internacional de manipulação de partidas da FIFA. Do outro lado, surge Riz Ahmed no papel de um golpista que enriquece ao lado de organizações criminosas chinesas. O roteiro leva as assinaturas de Guy Bolton e Justin Haythe, enquanto Kormákur divide a produção com Peter Chernin e David Ready, reforçando a parceria do diretor com o streaming.
Reencontro entre ator e diretor reacende química de velhos tempos
Mark Wahlberg costuma se destacar em personagens que transitam entre a astúcia de trambiqueiros e o vigor físico típico de heróis de ação. Essa combinação ganhou forma em Dois Tiros, onde sua troca de farpas com Denzel Washington garantiu ritmo cômico à trama policial. Com The Big Fix, a expectativa recai sobre uma entrega semelhante: diálogos rápidos, humor pontual e sequências de ação embasadas em tensão constante.
Baltasar Kormákur, conhecido por privilegiar cenários reais e efeitos práticos, tende a explorar a fisicalidade de Wahlberg ao máximo. Em Evereste e Sobrevivente, o cineasta mostrou talento para criar urgência sem recorrer a excessos digitais. Caso aplique a mesma lógica ao thriller futebolístico, o público pode esperar perseguições coreografadas com precisão e, sobretudo, um estudo de personagem que contrasta o senso de justiça do agente com a lábia do antagonista.
Riz Ahmed promete antagonismo magnético
Premiado pelo Emmy em The Night Of e aclamado por O Som do Silêncio, Riz Ahmed costuma abraçar papéis de complexidade emocional. Em The Big Fix, ele interpreta um vigarista que equilibra carisma e calculismo, elemento essencial para uma narrativa de “gato e rato” que atravessa fronteiras. A escolha do ator reforça o caráter global do enredo e adiciona camadas de densidade ao vilão, distanciando-o de estereótipos unidimensionais.
A dinâmica entre Wahlberg e Ahmed deve impulsionar o suspense. Enquanto o protagonista opera dentro dos limites da lei internacional, o antagonista age pelas sombras, articulando a fraude esportiva mais lucrativa dos últimos anos. O contraste lembra parcerias clássicas de Hollywood onde herói e vilão rivalizam em inteligência, a exemplo de Fogo Contra Fogo, mas com pano de fundo contemporâneo: a corrupção no futebol, tema que há anos permeia manchetes e documentários.
Roteiro de Bolton e Haythe flerta com escândalos reais
Guy Bolton, que recentemente escreveu a série Hijack, e Justin Haythe, indicado ao Oscar por Foi Apenas um Sonho, unem forças para adaptar a história verídica que inspira The Big Fix. A dupla deve equilibrar elementos de thriller investigativo com críticas à indústria esportiva, sem perder o ritmo de entretenimento que o público de streaming costuma exigir.
Imagem: Divulgação
O desafio principal é costurar fatos comprovados de corrupção com situações ficcionais capazes de sustentar set pieces globais: de estádios lotados a salas de conferência da FIFA. Há espaço, ainda, para mostrar como apostas clandestinas e cartéis asiáticos se infiltram em torneios de elite. Ao se manter fiel a dados concretos, o roteiro pode alcançar relevância semelhante à que documentários como FIFA Uncovered conquistaram, mas sob um viés dramatizado e comercial.
Parceria Netflix–Chernin projeta cronograma ousado
Além de The Big Fix, Kormákur já finalizou Apex, suspense em que Charlize Theron enfrenta um serial killer interpretado por Taron Egerton e que chega ao catálogo em 24 de abril. A continuidade da colaboração indica que a plataforma aposta no estilo do diretor para projetos de ação, mirando espectadores que consomem títulos como Resgate ou O Agente Noturno. Aliás, o trailer da próxima temporada da série estrelada por Gabriel Basso, que sugere conspiração global, ecoa o clima de jogo duplo que veremos no filme disponível no trailer divulgado pelo Salada de Cinema.
Para Mark Wahlberg, o longa representa a terceira produção consecutiva com a empresa de streaming, que já financiou Spenser Confidential e The Union. Ele também encabeça The Operator, adquirido pela Netflix em dezembro. A sequência de contratos sinaliza um caminho parecido com o de Adam Sandler, outro astro que firmou parceria duradoura com a gigante do vídeo sob demanda.
Vale a pena ficar de olho em The Big Fix?
Embora ainda distante da estreia, The Big Fix reúne componentes capazes de atrair tanto fãs de futebol quanto admiradores de thrillers policiais. A química testada entre Wahlberg e Kormákur, somada ao talento dramático de Riz Ahmed, promete um duelo cativante. Se o roteiro conseguir traduzir a complexidade dos bastidores esportivos em ação pulsante, o filme tem tudo para figurar entre os destaques da Netflix quando chegar ao catálogo.



