Sherlock chegou à TV britânica em 2010 carregando a difícil missão de atualizar o detetive mais famoso da literatura para a Londres contemporânea. Em quatro temporadas, a produção criada por Steven Moffat e Mark Gatiss virou fenômeno global, graças à química entre Benedict Cumberbatch e Martin Freeman.
Ainda assim, nem todos os capítulos mantiveram o mesmo nível. A seguir, o Salada de Cinema apresenta um ranking dos 13 episódios, do pior ao melhor, analisando atuações, escolhas de roteiro e a condução dos diretores que passaram pela série.
Ranking completo dos 13 episódios de Sherlock
- The Final Problem – Temporada 4, Episódio 3
Despedida confusa, marcada pela chegada de Eurus Holmes (Sian Brooke) sem construção prévia. A solução improvisada torna o clímax anticlimático, mesmo com o empenho do trio principal.
- The Abominable Bride – Especial
Viagem à era vitoriana se revela alucinação no “Mind Palace” de Holmes. A virada narrativa dilui o mistério e deixa o episódio sem impacto no arco geral.
- The Six Thatchers – Temporada 4, Episódio 1
Trama sobre bustos de Margaret Thatcher expõe passado obscuro de Mary (Amanda Abbington) e resulta em morte apressada da personagem. Watson age fora de caráter, prejudicando a coerência.
- The Sign of Three – Temporada 3, Episódio 2
Mistério inserido no casamento de Watson poderia explorar melhor a amizade central, mas perde força ao priorizar um assassino genérico entre os convidados.
- The Empty Hearse – Temporada 3, Episódio 1
O retorno de Sherlock após fingir a própria morte evita explicar seu truque e ainda ironiza teorias de fãs. Caso secundário pouco memorável completa o tropeço.
- The Lying Detective – Temporada 4, Episódio 2
Culverton Smith (Toby Jones) surge como vilão carismático, enquanto Holmes afunda no vício para desmascará-lo. Episódio instável, mas com momentos tensos e atuação intensa de Cumberbatch.
- The Blind Banker – Temporada 1, Episódio 2
Quebra-cabeça sobre símbolos chineses e contrabando desacelera o ritmo estabelecido na estreia. Ainda assim, reafirma a dinâmica inicial entre Holmes e Watson.
- His Last Vow – Temporada 3, Episódio 3
Charles Augustus Magnussen (Lars Mikkelsen) intimida com seu arsenal de segredos. Boa tensão, mas desperdiça o antagonista ao resolvê-lo em um único capítulo.
- A Study in Pink – Temporada 1, Episódio 1
Apresentação impecável dos protagonistas e do estilo visual da série. O cabbie suicida estabelece o nível intelectual dos futuros confrontos.
- A Scandal in Belgravia – Temporada 2, Episódio 1
Irene Adler (Lara Pulver) ganha releitura ousada como dominatrix. Batalha de inteligência com Sherlock rende faíscas românticas e diálogos afiados.
Imagem: Divulgação
Atuações: a força motriz da série
Benedict Cumberbatch molda um Holmes elétrico, quase alienígena, que ganha humanidade na relação com o John Watson de Martin Freeman. Os dois mantêm nível elevado até mesmo nos capítulos mais fracos, salvando cenas que poderiam soar expositivas.
Entre os coadjuvantes, Lars Mikkelsen impressiona como Magnussen, enquanto Andrew Scott, ainda que ausente de boa parte da lista acima, paira como sombra de Moriarty, lembrando ao público que o verdadeiro antagonista raramente está na tela por muito tempo.
A presença de Sian Brooke no último episódio, porém, carece de preparo. Embora entregue uma performance intensa, a falta de pistas anteriores sobre Eurus mina o impacto dramático.
Direção e roteiro: quando estilo supera a substância
Paul McGuigan, responsável por quatro capítulos iniciais, criou a identidade visual frenética: textos flutuando na tela, cortes rápidos e uso criativo de smartphones como ferramentas dedutivas. Esse recurso ampliou a sensação de modernidade sem trair a essência de Arthur Conan Doyle.
Stephen Thompson, Mark Gatiss e Steven Moffat alternam roteiros inspirados e tropeços narrativos. Quando a sala de roteiristas acerta, como em A Scandal in Belgravia, o jogo de gato e rato brilha. Quando erra, como em The Final Problem, exibe reviravoltas que pedem grande suspensão de descrença.
Vale notar que o tom mais leve de parte da terceira temporada coincide com críticas sobre perda de foco, ponto semelhante a alguns dos retcons que bagunçam séries e frustram plateias.
Legado cultural e influência no gênero detetive
Sherlock pavimentou terreno para narrativas de investigação que utilizam redes sociais, GPS e câmeras de segurança como pistas. O formato de 90 minutos por episódio, espécie de telefilme, também abriu espaço para que outras produções apostassem em temporadas curtas e densas.
A popularidade do drama britânico ajudou a impulsionar adaptações literárias modernas, tendência vista em títulos hoje presentes no streaming, inclusive em produções elogiadas no catálogo do Prime Video.
Vale a pena assistir a Sherlock hoje?
Mesmo com altos e baixos, a série continua recomendada para quem aprecia mistérios bem encenados, diálogos rápidos e um protagonista que pensa mais rápido ainda. A química do elenco central sustenta a maratona, e os episódios de topo no ranking justificam o status de clássico moderno da TV britânica.



